Ronaldo Gogoni 13 semanas atrás
A Samsung oferece celulares dobráveis há quase uma década, com o Galaxy Z TriFold sendo o mais diferente. Embora vendido como um smartphone, ele se assemelha mais a um tablet com duas dobradiças, acomodando uma grande tela flexível de 10 polegadas e uma secundária de 6,5".
Custando US$ 2,9 mil nos Estados Unidos (~R$ 15.081, cotação de 18/03/2026), ele é um produto para poucos e, mesmo sendo tão caro, evaporou das prateleiras; ainda assim, a Samsung já se prepara para descontinuá-lo, após apenas três meses.

Produção do Galaxy Z TriFold seria complexa e graças à IA, cara demais (Crédito: Divulgação/Samsung)
Segundo informações apuradas pelo site Bloomberg, a Samsung está desescalando a produção na Coreia do Sul; o tablet dobrável não será reposto nos demais países e, de qualquer forma, ele teria sido apresentado apenas como uma vitrine de tecnologias, uma amostra do que a companhia pode fazer.
Dados anteriores apontam que a Samsung produziu apenas 300 mil unidades do TriFold, com a maioria da produção permanecendo na Coreia do Sul; os demais países que o receberam, que incluem Estados Unidos, China, Taiwan, Singapura e Emirados Árabes, receberam apenas 3 mil aparelhos cada um.
Logo, não é de se admirar que eles simplesmente evaporaram em 20 minutos na terra do Tio Sam: é possível que lojas oficiais da Samsung (o único local onde ele poderia ser encontrado) em locais estratégicos (que atendem o público A+, ou seja, ricos) tivessem pouquíssimas unidades para oferecer.
Em termos de desempenho e especificações, o Galaxy Z TriFold é uma versão avantajada do Galaxy Z Fold 7, equipado com o mesmo chip (Snapdragon 8 Elite), mas com 16 GB de RAM ao invés de 12 GB; as câmeras são exatamente as mesmas nos dos modelos, enquanto a bateria é um pouquinho maior no tablet flexível, 5.600 mAh contra 4.400 mAh.
Se o preço não foi um impeditivo para que o Galaxy Z TriFold sumisse das lojas, mesmo sendo produzido em uma escala reduzida que está agora sendo ainda mais restrita, há pelo menos dois motivos que podemos considerar para que a fabricante sul-coreana não continue a investir na ideia. A primeira, construir o dispositivo é uma tarefa complexa, considerando que ele precisa oferecer uma performance similar à do Galaxy Z Fold 7.
O segundo é um tanto óbvio, dado o mundo de hoje: o custo de produção. Graças à explosão das soluções generativas de Inteligência Artificial (IA), a produção de componentes como memórias DRAM (volátil) e NAND (armazenamento) foi quase que totalmente restrita às grandes empresas do setor. Se você não é uma aceleradora como Nvidia, OpenAI, Google, Meta, Microsoft e equivalentes, no chips for you, não importa quanto dinheiro você tenha. Mesmo a Apple, a segunda empresa mais valiosa do planeta, está passando por dificuldades similares.
Isso posto, podemos especular que a conta do Galaxy Z TriFold provavelmente não fecha. A própria Samsung o classificou como um produto temporário, talvez porque os gastos para produzi-lo (ele usa mais RAM que o Z Fold 7 e começa em 512 GB de espaço interno, ao invés de 256 GB) resultem em uma margem de lucro minúscula para inexistente, e ninguém trabalha trocando figurinhas. Se não dá lucro, fora.
Caso a situação dos preços de componentes e escassez de RAM se resolva, o que pode demorar e ter consequências diversas, talvez a Samsung retome o projeto e traga o TriFold de volta, mas no momento o experimento está sendo encerrado.
Enquanto a Samsung dá um passo para trás, companhias chinesas continuam experimentando com formatos dobráveis. Huawei, Honor, Oppo e outras foram parcialmente responsáveis por forçar a "dieta" imposta à linha Z Fold, visto que o modelo de 2024 era um trambolho perto de concorrentes do País do Meio.
Mais recentemente, a Huawei foi a primeira companhia a apresentar um modelo com duas dobras, o smartphone/tablet Mate XT que, na minha opinião, possui um design mais inteligente no uso das dobradiças: ao fechar como uma "sanfona", uma porção da tela flexível fica do lado de fora, dispensando uma segunda tela como a presente no Galaxy Z TriFold.
Por outro lado, as sanções impostas pelos Estados Unidos castigaram a Huawei, o Mate XT não possui 5G nem funções por aproximação, e não tem acesso ao Google Services, falhas pesadas para um celular que chegou ao Brasil custando R$ 33 mil e foi direcionado ao mercado A+, público que já tem seus celulares eleitos, o iPhone e dobráveis da Samsung, todos sem faltar nenhum recurso.
De qualquer forma, a disputa do mercado de dobráveis deve se acirrar em 2026 se os rumores de um iPhone "Fold" se confirmarem; para se diferenciar, a Apple deve equipá-lo com o Santo Graal da tecnologia, um display dobrável sem vinco aparente, desenvolvido pela... Samsung.
Fonte: Bloomberg