Ronaldo Gogoni 13 semanas atrás
A Sony vem testando precificação dinâmica dos games do PS5 há pelo menos mais de um ano, porém, segundo o site PSPrices, a estratégia foi significativamente expandida nos últimos tempos, atingindo agora dezenas de games em vários países, incluindo o Brasil.
Os preços dinâmicos influem sobre o desconto aplicado ao preço padrão de um determinado título, que pode variar de pessoa para pessoa e por região, com base no histórico de compras e na demanda de um game.

Sony vem testando precificação dinâmica em games do PS5 há vários meses e em diversos países, incluindo o Brasil (Crédito: Epic Games/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)
Como dito antes, não é novidade que a Sony vem testando preços dinâmicos nos games do PS5, mas até recentemente a prática era bastante limitada e reservada a alguns títulos third party, de desenvolvedoras parceiras como a Arrowhead (Helldivers 2), ou de distribuidoras grandes como a 2K Games.
O PSPrices, especializado em monitorar os preços da PS Store ao redor do mundo, anota que a companhia testou a estratégia em algum ponto do início de 2025, por um curto período de tempo, para depois retomá-la em novembro último e não parou mais, afetando territórios como Canadá, União Europeia (UE), Reino Unido, Oriente Médio e Brasil. Em março de 2026 os Estados Unidos, o maior mercado de games do planeta, foram incluídos no experimento, o que elevou o escopo para 189 games afetados em mais de 70 países.
Sem nenhuma surpresa, a Sony não submeteu os consumidores japoneses ao teste.
Precificação dinâmica não é nenhuma novidade, o conceito é praticado desde sempre na venda de ingressos de eventos esportivos e shows musicais/apresentações culturais, com base na demanda e outros critérios. A Sony não altera o preço padrão dos games, mas se reserva a decidir se vai ou não conceder um desconto sobre o valor cheio, e de quanto ele será, de acordo com quem está vendo a página do título.
Funciona assim: um jogo fora do período de oferta, que custa US$ 70, pode ser exibido a preço cheio para quem acessa a PS Store pelo navegador estando deslogado, e a partir do momento em que entra com sua conta, passa a observar um desconto de US$ 15, mas não para por aí: outro usuário, digamos um amigo seu, pode acessar a mesma página de outro dispositivo, estando também logado e notar um desconto de US$ 20, ao mesmo tempo.

Usuários selecionados viram descontos de até 56% aplicados a Helldivers 2 (Crédito: Reprodução/Arrowhead Game Studios/Sony Interactive Entertainment)
Alguns dos casos mais gritantes envolvem o game WWE 2K25, que na Europa foi observado recebendo um desconto de 17,6%, indo de € 74,99 para € 61,82. Com a expansão recente para incluir os EUA no teste, a Sony também passou a oferecer descontos flutuantes durante campanhas promocionais.
Helldivers 2, por exemplo, teve um desconto padrão de 25% oferecido aos jogadores normais, mas os selecionados para participar do experimento chegaram a notar um abatimento de 56%; a participação no teste não é voluntária e a Sony seleciona os jogadores com base nos hábitos de compra, demanda sobre um determinado título e games que amigos marcam em suas listas de desejos. Ao que parece, a gigante japonesa está priorizando perfis que não costumam gastar muito, de modo a incentivá-los a abrirem suas carteiras.
Entre os títulos participantes, a mais recente expansão inclui desenvolvidos internamente, como God of War Ragnarök, Marvel's Spider-Man 2 e Gran Turismo 7, por estúdios parceiros distribuídos pela Sony Interactive Entertainment (SIE), como Stellar Blade (Shift Up) e o já citado Helldivers 2, e de terceiros como Grand Theft Auto V (Rockstar), Sid Meyer's Civilization VII (2K Games) e Ghost Recon Wildlands (Ubisoft), além de vários outros.
Vale lembrar que no Brasil, a precificação dinâmica é permitida pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), mas a prática deve ser transparente, ou seja, o usuário deve ser informado de que os valores flutuam e que está sendo submetido a um experimento, o que a Sony não fez. Aumentos injustificados e promoções flutuantes baseadas no perfil do consumidor, além de exploração da vulnerabilidade do comprador, são considerados práticas abusivas e podem levar a multas e outras restrições.
Já no exterior, legisladores da União Europeia e Reino Unido discutem há tempos opções para propor uma regulação de mercado, visando a proibição da prática mas até lá, Sony e outros vão continuar testando águas até onde der.