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Terminator 2D: No Fate — autêntico e enxuto

Terminator 2D: No Fate é uma excelente homenagem tanto a O Exterminador do Futuro 2, quanto à Era de Ouro do run 'n gun nos 16 bits

25 semanas atrás

Terminator 2D: No Fate não nem de longe é o primeiro game baseado no filme O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991). Todos os consoles de mesa e portáteis, e computadores da época como o Amiga, o Commodore 64 e o ZX Spectrum, receberam versões, mas nenhum deles podia ser considerado uma adaptação 100% fiel à película, como o game de 2025 é.

O título do estúdio britânico Bitmap Bureau (Final Vendetta) oferece uma aventura 120% calcada nos eventos do filme, mas ainda que curto, Terminator 2D: No Fate possui ma qualidade técnica à altura dos grandes games de run 'n gun dos 16 bits.

Terminator 2D: No Fate (Crédito: Divulgação/Bitmap Bureau/Reef Entertainment/StudioCanal/Canal+ S.A.)

Terminator 2D: No Fate (Crédito: Divulgação/Bitmap Bureau/Reef Entertainment/StudioCanal/Canal+ S.A.)

No problemo

Games baseados em filmes e séries de TV sempre tiveram uma má fama, graças a limitações técnicas dos sistemas de outrora, e desenvolvedoras que entregaram títulos medíocres para baixo. Dentre esses, poucos foram mais infames que a LJN, que embora fosse uma distribuidora, parecia ter um talento ímpar para colocar no mercado jogos ruins ligados a franquias famosas.

Por muito tempo, games baseados em filmes deixaram o público com o pé atrás, com algumas poucas exceções como GoldenEye 007, Alien Isolation, e Indiana Jones and the Great Circle, entre outros. Terminator 2D: No Fate entra para essa seleta lista, mas não como uma experiência moderna: ao invés disso, ele se apresenta como o game definitivo que nunca tivemos a chance de jogar, quando T2 chegou aos cinemas quase 35 anos atrás.

Terminator 2D: No Fate (Crédito: Divulgação/Bitmap Bureau/Reef Entertainment/StudioCanal/Canal+ S.A.)

Terminator 2D: No Fate (Crédito: Divulgação/Bitmap Bureau/Reef Entertainment/StudioCanal/Canal+ S.A.)

A história é a mesma do filme, e segue os eventos à risca até certo ponto. A pixel art reproduz com excelência o estilo e clima dos games run 'n gun da 4.ª da quarta geração de consoles, com uma clara inspiração acima da média em Contra III: Alien Wars, o que não chega a ser uma surpresa, ele até hoje é reverenciado como um dos melhores do gênero.

Além do chefe da segunda fase ser essencialmente o mesmo nos dois games, há power-ups diversos que John Connor, o líder da resistência no futuro, pode usar para melhorar sua arma; o game também busca expandir um pouco a história do filme, abordando passagens só mencionadas na película, como o estágio de abertura, que mostra os eventos de quando Sarah Connor foi presa e mandada para um hospício.

Falando nos personagens, é importante parabenizar a Bitmap Bureau por conseguir os direitos para caracterizar os personagens conforme a aparência dos atores. Linda Hamilton (Sarah Connor), Edward Furlong (John Connor), Robert Patrick (T-1000), Michael Edwards (John Connor do futuro), todos estão perfeitamente representados, o que aumenta ainda mais a sensação de nostalgia.

A única presença destoante é justamente o T-800, que não conta com a aparência de Arnold Schwarzenegger no game, talvez pelo estúdio e seus representantes não terem chegado a um acordo, o que é uma pena.

As fases se desenrolam na ordem que ocorrem no filme: a abertura mostra John Connor reprogramando o T-800 em 2029 e o mandando de volta no tempo para 1995, com a missão de proteger seu eu mais jovem da Skynet, que envia o mortífero T-1000 para dar cabo dele e garantir a vitória das máquinas, no que essa decisão por fidelidade absoluta tem seus prós e contras.

Terminator 2D: No Fate (Crédito: Reprodução/Bitmap Bureau/Reef Entertainment/StudioCanal/Canal+ S.A.)

Terminator 2D: No Fate (Crédito: Reprodução/Bitmap Bureau/Reef Entertainment/StudioCanal/Canal+ S.A.)

Num mundo insano, a escolha mais sensata

Muitos criticavam games do passado que abraçavam licenças poéticas em relação ao material original, e divergiam enormemente do roteiro em prol da diversão. Os games baseados em T2 do passado sofriam disso, o T-800 sentava o dedo em humanos a rodo, e éramos alertados por mensagens na tela dizendo que os tiros, mesmo os de uma M134 Minigun, "não foram letais".

Terminator 2D: No Fate, por sua vez, possui um roteiro bem linear e é bastante fiel ao filme, o que causa alguns efeitos curiosos. Por exemplo, as porções em que você controla o T-800 são muito limitadas, exatamente por sua promessa a John Connor de não matar ninguém. Você vai jogar boa parte da aventura no comando de Sarah Connor, enquanto o Exterminador assume em momentos críticos, como a perseguição no canal.

Na parte da jogabilidade, os controles são responsivos e alinhados com uma dificuldade alta, característica de games da era dos 16 bits, quando era preciso ter reflexos rápidos para se livrar dos inimigos. A identidade visual do game remete ao filme nos mínimos detalhes, dos ícones às fontes, e a trilha sonora não deve em nada ao que ouvíamos no Super NES.

Pode ser que o console da Nintendo não fosse capaz de rodar Terminator 2D: No Fate em toda a sua glória sem sérios comprometimentos técnicos, mas, por outro lado, muita gente ficou incrédula quando o primeiro Donkey Kong Country saiu, dada sua qualidade visual e musical; o mesmo vale para o Mega Drive e títulos como Gunstar Heroes e Rocket Knight Adventures.

Terminator 2D: No Fate (Crédito: Divulgação/Bitmap Bureau/Reef Entertainment/StudioCanal/Canal+ S.A.)

Terminator 2D: No Fate (Crédito: Divulgação/Bitmap Bureau/Reef Entertainment/StudioCanal/Canal+ S.A.)

A dose de novidade do game fica por conta das rotas alternativas, abertas após completar a história principal. Dependendo das escolhas feitas, é possível encaminhar a narrativa para decisões que podem afetar o futuro, desde uma resolução melhor a condenar a humanidade de vez (a cena do tiroteio com a polícia só acontece em uma dessas rotas). Há também uma série de easter eggs espalhados, que fazem referência ao filme e outras coisas.

Por fim, e não tem como ignorar isso, Terminator 2D: No Fate é um game bem curto. A campanha principal pode ser concluída em apenas uma hora, e o game se sustenta principalmente no fator replay para fazer os outros finais; é fato que run 'n guns e beat 'em ups do passado não eram muito extensos, e sabendo disso, a Bitmap Bureau cobra um preço relativamente acessível, mas tão certo quanto o Sol que nasce todas as manhãs, a "turma da calculadora", que insiste em avaliar o valor de um game conforme sua duração, está reclamando bastante.

Na minha opinião, o game é divertido e difícil o suficiente para prendê-lo por várias horas até conseguir finalizá-lo, logo o investimento compensa, mas nem todo mundo pensa assim.

Conclusão

Não só um jogo digno finalmente de O Exterminador do Futuro 2, Terminator 2D: No Fate é uma demonstração de afeto pelos games que marcaram a geração do Super NES e Mega Drive, com excelentes gráficos pixelados, trilha sonora empolgante, um alto desafio, e horas de diversão.

Ainda que o game seja um tanto curto, e o Governator não tenha se dignado a nos agraciar com sua aparência no T-800, ele é o mais próximo de uma adaptação à altura e de alta qualidade que o filme não teve na época, mas ei, antes tarde do que nunca.

Terminator 2D: No Fate (Crédito: Reprodução/Bitmap Bureau/Reef Entertainment/StudioCanal/Canal+ S.A.)

Terminator 2D: No Fate (Crédito: Reprodução/Bitmap Bureau/Reef Entertainment/StudioCanal/Canal+ S.A.)

Se você é fã da série Contra, curtiu o mais recente Blazing Chrome, dos brasileiros da Joymasher, e não joga fazendo contas de tempo de jogo vs. preço, Terminator 2D: No Fate é um prato cheio para curtir o início das férias do fim de ano.

Terminator 2D: No Fate — Ficha Técnica

  • Plataformas — PS5, Xbox Series X|S, PS4, Xbox One, Nintendo Switch e Windows (analisado no Windows);
  • Desenvolvedora — Bitmap Bureau;
  • Distribuidora — Reef Entertainment;
  • Classificação Indicativa — 14 anos.

Pontos fortes:

  • Fidelidade completa ao filme;
  • Pixel art e trilha sonora excelentes;
  • Dificuldade e jogabilidade à altura dos clássicos dos 16 bits;
  • Rotas alternativas para quem deseja variedade.

Pontos fracos:

  • Campanha principal bem curta;
  • Todo mundo voltou, exceto o Arnold.

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