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Blazing Chrome — Review

Terceiro título da desenvovledora brasileira JoyMasher, Blazing Chrome é uma carta de amor à série Contra com personalidade própria

01/08/2019 às 9:30

Blazing Chrome é o terceiro game da JoyMasher, desenvolvedora brasileira especializada em títulos retrô que prestam homenagens a clássicos do passado. Enquanto Oniken era uma referência expandida a Ninja Gaiden (com uma pitada do quase desconhecido Kabuki: Quantum Fighter) e Odallus: The Dark Call pagava tributos à Castlevania e Ghosts 'n Goblins, este bebe da fonte da franquia Contra, um dos clássicos do gênero Run 'n Gun.

No entanto Blazing Chrome possui identidade própria, o que faz dele um dos melhores games do gênero em muito tempo, superando até os da própria Konami.

JoyMasher / Blazing Chrome

"Tá na hora de torrar cromo!"

A história de Blazing Chrome segue velhos clichês: a humanidade está à beira da extinção, após a Terra ter sido dominada pelas máquinas. Você joga com os membros da resistência, que terão que gastar muito chumbo para despachar para o inferno hordas de robôs assassinos e monstros mutantes (se é baseado em Contra, é claro que há "aliens"), a fim de libertar o planeta da opressão.

Inicialmente apenas dois personagens são selecionáveis, a soldado Mavra e o robô reprogramado Doyle, em que ambos usam a jogabilidade clássica dos Run 'n Gun: correr, atirar e pegar novas armas. Com o tempo você libera mais dois, a soldado Suhaila e o ninja Raijin, que possuem um estilo de ataque de curto alcance, usando respectivamente um braço mecânico e uma espada, com acesso a itens de fortalecimento no lugar de armas.

JoyMasher / Blazing Chrome

Você começa o jogo escolhendo um personagem e uma fase dentre as quatro inicialmente disponíveis (o jogo tem seis ao todo), cada uma com um nível de dificuldade, o que já difere o jogo de um Contra típico: embora difícil a beça, ele não é sádico e não busca castigar o jogador... muito.

Homenagem, sim; cópia, não

A JoyMasher costuma inserir suas próprias decisões de design em seus jogos, e em Blazing Chrome não é diferente. O jogo remete diretamente ao raro Contra: Hard Corps, título da Konami lançado em 1994 para Mega Drive e que só foi resgatado recentemente na coletânea Contra Anniversary Collection, mas diferente deste e outros games da desenvolvedora japonesa, não há um número limitado de continuações e se você morrer todas as vidas, volta para o último checkpoint.

Há outros elementos interessantes. Os personagens podem usar rolamentos para se mover rapidamente e Mavra e Doyle possuem uma espada laser de curtíssimo alcance, ótima para matar inimigos próximos ou causar dano adicional nos chefes.

JoyMasher / Blazing Chrome

Não vá pensando, entretanto que por pegar "leve" na punição que Blazing Chrome é fácil. Pelo contrário, o desafio é insano tal qual os títulos aos quais presta homenagem, há um sem número de armadilhas de cenário com inimigos estrategicamente posicionados após um salto difícil, capangas aparecendo em hordas a cada passo dado e os chefes, bem... boa parte deles não depende apenas de força bruta, é preciso botar a cabeça para funcionar e usar bem as armas, ou se posicionar no lugar certo para não morrer.

Mavra e Doyle possuem quatro slots para armas, que podem ser trocados (se você morrer, perde a especial que estava usando) e todos os personagens podem atirar/golpear em oito direções; há um botão que deve ser segurado para travar o personagem no lugar e atirar nas diagonais parado, evitando assim que ele ande e acabe morrendo de graça, algor também herdado de Hard Corps. No fim a jogabilidade é ágil e dinâmica, como um título de Arcade criado para comer fichas do jogador.

Pixels em fúria

Na parte técnica, Blazing Chrome é um deleite nostálgico. A pixel art do jogo é bem próxima da vista em Contra III: The Alien Wars e você pode usar filtros adicionais, que adicionam as linhas de TVs antigas ou altere o formato da tela para deixa-la parecida com um monitor de Arcade, ou um que reduz os pixels e deixa os gráficos menos quadrados, aquele velho "smooth" dos emuladores.

JoyMasher / Blazing Chrome

Já o som é excelente, emulando limitações técnicas da época com vozes toscas e pouco definidas em alguns momentos, além de músicas que embora não sejam memóráveis, cosntroem muito bem o clima de um fim de semana em meados dos anos 90, quando passávamos uma tarde inteira se entupindo de salgadinhos e refrigerantes enquanto jogávamos tais games, morrendo mais do que avançando, claro.

Seu único ponto fraco é exatamente sua maior qualidade: Blazing Chrome é um jogo de nicho. Se você não for fã do gênero Run 'n Gun e de jogos como Contra, Metal Slug, Gunstar Heroes e similares, vai passar mais raiva do que se divertir graças à dificuldade alta. Mas se este não for o seu caso, vai fundo.

Conclusão

Blazing Chrome é sem dúvidas uma carta de amor à série Contra e ao gênero Run 'n Gun, mas caminha com as próprias pernas e traz ideias novas que desafiam algumas convenções do estilo. Mais do que uma sequência espiritual de Contra: Hard Corps, ele é o que os jogos da franquia deveriam ser se a Konami não tivesse perdido a mão ao longo dos anos.

Em comparação aos jogos recentes lançados pela própria desenvolvedora japonesa (contando com Hard Corps: Uprising, que era da Arc System Works), inclusive o futuro e duvidoso Contra: Rogue Corps, que à primeira vista não traz a bagagem de seus antecessores, Blazing Chrome é o melhor jogo do gênero em quase 25 anos.

Ou seja, onde os japoneses pisaram na bola, os brasileiros assumiram o manto e fizeram um excelente trabalho.

Blazing Chrome — Ficha Técnica

  • Plataformas —PS4, Xbox One, Nintendo Switch e Windows via Steam (análise baseada na versão para Windows);
  • Desenvolvedora — JoyMasher;
  • Distribuidora — The Arcade Crew, CE-Asia;
  • Preço — R$ 52,50 para PS4, R$ 62,45 para Xbox One, US$ 16,99 para Nintendo Switch e R$ 32,99 para Windows;
  • Classificação Indicativa — 10 anos.

Pontos Fortes

  • Fiel à formula, mas com algumas novidades;
  • Identidade gráfica e sonora inspirada nos anos 1990;
  • Desafio altíssimo, como manda a tradição.

Pontos Fracos

  • Quem não curte a série Contra ou o gênero Run 'n Gun vai mais se frustrar do que se divertir.

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