Ronaldo Gogoni 08/05/2026 às 16:00
A 8BitDo se consolidou como uma das melhores fabricantes de periféricos gamer do mercado, seja com modelos retrô de sistemas antigos ou com criações originais. Um de seus produtos mais elogiados é o controle Ultimate original, compatível com uma série de sistemas, robusto, com recursos extras e boa duração de bateria.
Em 2025, a companhia decidiu atualizar a plataforma com o 8BitDo Ultimate 2, novamente nas versões Wireless para PC, iOS, Android e Steam Deck, e Bluetooth para Switch e Switch 2. O gadget traz recursos interessantes, como TMR nos joysticks e luzes RGB para os descolados, mas algumas coisinhas aqui e ali dão a impressão de que a fabricante descobriu um santo para cobrir outro.
Afinal, o 8BitDo Ultimate vale ou não o upgrade? Eu testei o modelo Wireless por duas semanas e conto o que achei dele a seguir.
Desde 2004, o Meio Bit publica análises opinativas com o intuito de ajudar os leitores a tomarem sua própria decisão de compra, seja de um gadget, um game ou um serviço/software/app. Nós somos francos em nossas opiniões e destacamos pontos positivos e negativos de igual maneira, não importando a natureza dos produtos, de modo a manter a integridade e transparência do site.
Ninguém externo à redação do Meio Bit teve acesso ao review de forma antecipada, bem como não houve nenhum tipo de interferência, pagamento ou direcionamento da 8BitDo, da representante no Brasil WAZ e/ou de terceiros em relação ao seu conteúdo.
O controle 8BitDo Ultimate 2 Wireless foi adquirido pelo Meio Bit no varejo.
Embora o controle avaliado seja o 8BitDo Ultimate 2 Wireless, quase tudo dito neste review se aplica também ao modelo Bluetooth, dadas as enormes semelhanças entre eles.
O design do Ultimate 2 é o mesmo do Ultimate original e variantes, que segue o form factor dos periféricos do Xbox, com os analógicos dispostos de forma assimétrica, que muitos defendem como a mais confortável. Com quase 15 cm de comprimento e 246 g de peso, ele deve ficar confortável nas mãos da maioria dos jogadores, exceto quem as tem grandes demais. As minhas não são exatamente pequenas, e não tive problema algum.
O acabamento em plástico fosco do corpo é sólido e robusto como o da geração anterior, mas o mesmo não pode ser dito do D-Pad e dos analógicos, que ainda passam a impressão de material barato e com pouco polimento, mesmo que (talvez) não sejam.
O kit inclui o controle, um cabo com duas pontas USB-C, a base de carregamento e o adaptador 2,4 GHz, que deixou o conector USB-A de lado e também adota um USB-C. Quem for usar o controle no PC ou Mac não precisa sequer desconectá-lo da dock, basta plugar o conjunto direto em uma porta disponível do computador e ele passará a funcionar também como receiver.
O polling rate do controle é de 1.000 Hz tanto no modo 2,4 GHz quanto conectado via cabo; assim, o controle tem uma latência baixíssima de apenas 1 ms. A maioria dos concorrentes opera entre 125 e 500 Hz, o que torna o Ultimate 2 apto para o cenário competitivo.
A lista de dispositivos compatíveis é bem grande: o Ultimate 2 Wireless suporta Windows (a partir do 10 ver. 1903), Mac, iPhone, iPad, Apple TV e Apple Vision Pro, todos a partir das versões 26 de seus SOs, Android 13 e acima, e SteamOS 3.7.13, funcionando perfeitamente com o Steam Deck.
O Ultimate 2 Bluetooth, por sua vez, funciona apenas com Switch e Switch 2 via Bluetooth, que só conversa com os sistemas Nintendo, e Windows via cabo e 2,4 GHz. Ele não é compatível com Mac, SteamOS ou dispositivos móveis e, do mesmo modo, o Bluetooth do modelo Wireless não reconhece o Switch ou o Switch 2.
Por quê? Nintendo, esse é o porquê.
Por outro lado, o suporte ao Raspberry Pi OS e vários sistemas da plataforma dedicados à emulação (Retropie, Batocera, Recalbox, etc.) do modelo Wireless, que já não era grande coisa no Ultimate original, foi de Camiseta da Saudade no Ultimate 2.
Fora as diferenças óbvias entre os modelos Wireless (com botões no padrão Xbox) e Bluetooth (padrão Nintendo), tudo o mais daqui por diante vale para ambos. A maioria das novidades desta versão se concentra aqui, começando pelos analógicos: a versão original do Ultimate não tinha Hall Effect, o que foi revisto posteriormente, mas o Ultimate 2 passa a usar magnetorresistência de tunelamento, ou TMR.
Resumindo MUITO a parada (porque a discussão entre qual é o melhor em controles é quase do mesmo nível de RISC vs. CISC), ambos são sensores magnéticos que não fazem contato com componentes, de modo a evitar o desgaste das partes e anular o temido drift. O Hall Effect consiste em um ímã que se move sobre um sensor, que capta as variações do campo magnético e as traduz como inputs. Confira aqui uma explicação visual bem mais detalhada.
O TMR é um conceito similar mais avançado, que capta a resistência elétrica em vez das variações de tensão, tornando-o um método muito mais sensível na leitura dos movimentos do usuário nos analógicos; o ponto negativo, óbvio, é ser mais caro de implementar que o Hall Effect.
De qualquer forma a precisão é bem alta, ainda mais ao lado do Ultimate Wireless sem Hall Effect que eu já possuía, é como comparar aquele refrigerante que "não tem medo de estrangeiro" com o "original do Brasil" (isso não foi um merchan). Por outro lado, as diferenças entre analógicos com TMR e Hall Effect serão menores, embora perceptíveis.
Ah, sim, o Ultimate 2 agora possui luzes RGB customizáveis ao redor dos analógicos, que podem ser alteradas (ou desligadas) via combinações de comandos com o novo botão Estrela, que também gerencia a função Turbo.
O Hall Effect não sumiu por completo: a 8BitDo o migrou dos analógicos do Ultimate para os gatilhos do Ultimate 2 (RT/LT e R2/L2), que agora contam com modos distintos de uso, linear ou tátil não-linear, acionáveis por meio de alavancas na traseira. Assim, é possível ajustar a resistência ao pressioná-los conforme o tipo de jogo.
Os pads extras PR e PL foram complementados com mais dois botões, bumpers extras R4/L4 mapeáveis com o botão novo Quadrado, essencialmente para combinações de botões em jogos em que eles são mais necessários. Além disso, o Ultimate 2 possui também giroscópio (6-axis), suportando customização de controle por movimentos desde que configurados no software, limitando o recurso para Windows e Mac.
É aqui que o 8BitDo Ultimate 2 deixa a desejar. Nos meus testes, a bateria de 1.000 mAh resistiu a por volta de 10 horas de uso com as luzes RGB ligadas, o que é uma marca muito baixa; ao desligá-las, a autonomia subiu para 15 horas, ficando bem atrás das 20 horas em média providas pela bateria do Ultimate original, que tinha apenas 480 mAh.
O que aconteceu, afinal? Além de as luzes extras devorarem energia como loucas, a explicação mais plausível são os analógicos com TMR, recurso que consome mais energia que o Hall Effect que, lembrando, não foi removido, mas movido para os gatilhos.
Ainda assim, é um tanto assustador constatar que uma bateria duas vezes maior tem uma autonomia bem menor, mas este é o preço pago para que o controle embarque tecnologias de ponta; é como um cobertor curto, que você puxa para cobrir a cabeça mas descobre os pés, e vice-versa.
Uma opção para sustentar longas horas de jogatina é não abrir mão do cabo USB-C, para mantê-lo alimentado enquanto curte seus games; a base de recarga leva cerca de quatro horas para injetar uma carga completa, logo, mantenha isso em mente.
Para quem vai jogar no Windows ou Mac, a 8BitDo oferece o Ultimate Software V2, uma versão atualizada que reconhece o Ultimate 2 e permite mapeamento de teclas, criação de macros, ajuste fino da iluminação RGB e atualização do firmware, tanto do controle quanto neste caso, do adaptador 2,4 GHz.
Por meio dele, você pode configurar as funções do giroscópio e definir combinações de teclas nos botões extras.
Algumas funções do controle não estarão disponíveis no mobile ou no Switch, mas para quem deseja extrair mais do periférico no PC, o software é quase obrigatório.
O controle 8BitDo Ultimate 2 é um excelente hardware para quem deseja jogar no PC, mobile ou Switch com algumas firulas extras, mas derrapa feio no quesito autonomia de bateria. Lançado originalmente por US$ 60 nos Estados Unidos, ele chegou ao Brasil pela representante oficial WAZ, que fixou um valor inicial de R$ 400 no modelo Bluetooth.
O Wireless é um pouco menos caro, saindo por R$ 360 no site oficial, enquanto revendedores terceirizados o oferecem por valores mais elevados.
Caso você possua o Ultimate anterior com Hall Effect, a substituição pode ser até mesmo questionável; já um upgrade da versão com analógicos normais para este é bem mais justificável.
Minha recomendação, caso você não tenha pressa, é esperar por descontos que costumam aparecer no site oficial da WAZ de tempos em tempos, mas de qualquer forma, este é um controle sem fio muito bom para quem quer jogar com mais opções de customização, que só não é melhor porque pisaram na bola com a bateria.
Pontos Fortes:
Pontos Fracos: