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Bloodstained: Ritual of the Night - Review

Um dos mais longos Metroidvanias já criados, Bloodstained é desafiante na medida certa, mas peca na história rasa

25/06/2019 às 12:50

A série Castlevania deu um novo ar ao gênero 2D de ação e aventura misturando, ao tema gótico, monstros, puzzles e um grau de desafio que te instigava explorar cada pedacinho do mapa em linhas retas. A Konami tentou reinventar a franquia levando-a para o 3D, no Nintendo 64 e com Lords of Shadow. Mesmo assim, os fãs ainda esperam uma continuação no estilo que a consagrou. Enquanto isso não chega, fomos presenteados com Bloodstained: Ritual of the Night.

Bloodstained Ritual of the Night

Enquanto a empresa japonesa não se manifesta sobre o futuro de Castlevania, os jogadores, que gostam desse tipo de gameplay, buscam refúgio nos “Metroidvanias”, games que se inspiram nas mecânicas tanto de Castlevania quanto da série Metroid. Ao menos a Nintendo já está produzindo algo a respeito.

Nessa leva de jogos, um projeto chamou a atenção no Kickstarter lá por 2015. O famoso diretor de Castlevania: Symphony of the Night (além de outros títulos da série), Koji Igarashi - agora trabalhando de forma independente, estava arrecadando fundos para seu novo game: Bloodstained - Ritual of the Night. Além de Igarashi, Michiru Yamane e Ayame Kojima também fazem parte do jogo (formando o trio lendário dos Igavanias).

Bloodstained Ritual of the Night

As semelhanças entre Symphony e Ritual vão além da noite no nome. Este Igavania é um memento ao trabalho de Igarashi e, apesar de problemas com personagens rasos e história fraca, resgata a sensação nostálgica e o desafio de se jogar um Castlevania “das antigas” como não se via há tempos.

Dito tudo isso, confira o review de Bloodstained: Ritual of the Night, a seguir.

Importante: propositalmente, não usei imagens das opções da personagem. Há partes do menu principal que não aparecem no início do jogo e o nome de algumas habilidades podem conter spoilers. Na dúvida, resolvi cortar.

História rasa, mas não atrapalha tanto

Bloodstained Ritual of the Night

Bloodstained: Ritual of the Night coloca o jogador na pele de Miriam, uma órfã (porque, narrativamente, é quase sempre mais prático trabalhar com órfãos) marcada por alquimistas com uma maldição que, lentamente, cristaliza sua pele.

Sua missão? Abrir caminho em meio a um castelo infestado de demônios (tem até um demônio cadeira!) e erguido do inferno por Gebel - antigo amigo de Miriam. O corpo de Gebel já está quase todo tomado de cristais, o que contribuiu para corromper sua mente.

opa, boa lembrança eu fale

Miriam ainda tem controle sobre si, pois passou 10 anos adormecida - o que retardou os efeitos da corrupção, e precisa usar os poderes dos cristais, de origem demoníaca, para impedir os planos do seu antigo amigo de facilitar a destruição do mundo pelas hordas infernais.

Alguns outros NPCs aparecem, ao longo da jornada da heroína, para ajudá-la ou enfrentá-la, mas falar sobre eles poderia comprometer o pouco de surpresa que a história do jogo oferece. É tudo meio deduzível e, por vezes, clichê. Felizmente, o gameplay é o que realmente prende sua atenção.

Difícil na medida certa e easter eggs

Bloodstained Ritual of the Night

Resumidamente, Ritual of the Night é o resultado criado com a base de Symphony of the Night e alguns elementos de Aria of Sorrow e Order of Ecclesia. Apenas colocaram uma roupagem diferente, para não parecer um Castlevania tão literal e não rolar processo da Konami.

No geral, o gameplay de Bloodstained RotN é mais amigável, vamos assim dizer, com quem já tem alguma experiência na série Castlevania e, consequentemente, em Metroidvanias. O nível de dificuldade aumenta gradualmente, mas já pode pegar os desavisados na surpresa logo no primeiro chefe, o do tutorial, se for com muita sede ao pote. É aquele famoso susto inicial para você não subjugar o game.

Mas isso não é impedimento algum para jogadores novatos nesse universo. Você apenas precisa gostar de grinding e, por exemplo, tolerar momentos de total ódio, ao morrer a dois passos da sala de save (geralmente vítima de algum monstro voador que te deu um rasante) e ter que voltar meio mapa de novo.

Bloodstained Ritual of the Night

Sobre os chefes, o nível de dificuldade de cada um varia de acordo com a importância dos mesmos no desenrolar da história. Você encontrará “mid bosses”, que te darão um certo desafio, mas nada escabroso, e os chefões - que é bom estocar algumas poções de vida e mana porque vão dar trabalho. A dica para vencê-los é a mesma de qualquer Castlevania: aprenda seus movimentos e não esqueça que existe um botão de esquiva.

O efeito que conseguiram para trazer algo novo às habilidades, que você precisa desbloquear se quiser ter acesso a outras partes do mapa, ficou bem interessante. Essas skills podem ser ativadas e desativadas no menu principal e, além de abrirem novos caminhos pelos cenários, dão uma perspectiva diferente de exploração e até ajudam a criar estratégias para escapar de armadilhas ou de monstros (quando sua vida está por um fio e você precisa correr para o save point).

Bloodstained Ritual of the Night

A quantidade de armaduras, acessórios e armas à disposição não é tão numerosa, mas é variada o suficiente para personalizar o tipo de combate a seu gosto. Dentre as armas, você pode escolher entre sapatos de luta, armas de fogo, e armas brancas leves e pesadas. Cada uma terá velocidade de ataque e poder de dano diferentes. Algumas têm efeitos especiais também, como raio, gelo, fogo, e etc.

No entanto, o real poder de Miriam está nos cristais (shards) que ela consegue, ou escondidos pelos cenários (no caso para habilidades e um dos familiares que luta ao seu lado) ou ao matar demônios. E é aí que se nota uma das referências a Aria of Sorrow e Order of Ecclesia, onde os protagonistas também absorviam novos poderes ao matar monstros.

Bloodstained Ritual of the Night

Não necessariamente você vai sempre conseguir o cristal que quer/precisa. Lembra do grinding que eu falei? Pois bem, às vezes será necessário matar um inimigo várias vezes até a shard aparecer. E essa regra se aplica a qualquer item de origem demoníaca no jogo, inclusive os necessários para criar armas, armaduras, poções (até comida) e melhorar o poder dos seus cristais.

Há alguns easter eggs espalhados pelo mapa. Não vou dar detalhes de onde estão para não estragar a surpresa (apesar dos próprios vídeos de divulgação já revelarem alguns deles), mas espere ver referências a animes, outros jogos, itens clássicos do mundo gamer e até referências musicais. Fique de olho!

Cristais demoníacos, melhorias e customização

Bloodstained Ritual of the Night

Como todo Metroidvania ou Igavania, o lado RPG é bem importante e saber fazer a melhor combinação de equipamentos e habilidades especiais, aliados ao grinding para ganhar XP, é essencial para avançar na aventura sem sofrer (muito).

As armas podem ter suas habilidades melhoradas, no caso de você conseguir dropar ingredientes específicos de monstros. Digamos que você está com uma adaga, se encontrar um item de um demônio x, você pode ampliar o poder de dano dessa arma ou dar a ela poderes mágicos. Mas isso é aleatório (como qualquer drop no game) e nem toda arma pode ser ampliada. Ao menos não encontrei isso para todas, durante o período de testes.

Os poderes dos seus cristais, assim como suas próprias habilidades, também podem ser melhorados, se encontrar a matéria-prima necessária. Sobre os cristais, há duas etapas desse upgrade para cada shard, que não fica tão óbvio de cara, mas você aprende com o tempo. O jogo não te explica muito o que cada coisa faz. É meio que “joga aí e se vira”.

Bloodstained Ritual of the Night

Assim que pegar um cristal e for ativá-lo no menu principal, você verá que ele é classificado por "Rank" e "Grade" (eu joguei com tudo em inglês). O Rank você pode aumentar usando itens que dropam dos monstros, o próprio menu do alquimista te mostra isso. O Grade você acumula conforme encontrar shards iguais. O Rank melhora o atributo primário da sua shard, já o Grade aumenta o poder de dano.

Você pode usar alquimia para criar armas, armaduras, comidas e poções, além de melhorar shards e desmantelar itens no alquimista da sua base principal. Já comprar e vender todo tipo de item é possível na clériga, no mesmo local.

Além desses NPCs, há outros na sua base que te dão missões secundárias, que se resumem a encontrar itens específicos ou a matar um número x de demônios. Ao completá-las, você pode ganhar ingredientes ou itens raros.

Bloodstained Ritual of the Night

Vez ou outra volte ao acampamento para ver se há algo de novo e conseguir dicas com eles de como prosseguir na história ou mesmo de onde encontrar cristais importantes.

Ainda sobre customização, trocar de armadura não muda o visual da roupa padrão de Miriam (a não ser máscaras, chapéus e tiaras), ao menos não encontrei nada do tipo ainda. Mas você pode personalizar as cores do seu vestido, assim como trocar o corte e cor do seu cabelo, cor de pele e olhos, indo em uma parte específica do mapa. De cara, você ganha um número limitado de opções e mais podem ser desbloqueadas conforme você encontra manuais pelo cenário.

PS: há um NPC, bem peculiar, que te ajuda a melhorar alguns atributos em umas das salas do castelo também.

Cenários bem detalhados e interativos

Bloodstained Ritual of the Night

Uma das coisas que mais chama a atenção em Bloodstained: Ritual of the Night é o rico visual em 2D, com elementos de 3D. A clássica variação súbita de cenários (de um lado da porta é deserto, do outro tem um pântano - por exemplo) dos Castlevanias também aparece nesse título e tudo foi bem executado, dentro do propósito do título.

Ninguém estava esperando gráficos de última geração, e acredito nem ser bem o propósito (até em 8 bits esse jogo ficaria divertido), mas o que foi feito vale a pena ser visto. É possível notar as luzes vindas das janelas, partículas de areia, os brilhos e sombras mudando conforme você avança entre as câmaras, uma bela lua de sangue iluminando uma das salas e por aí vai.

Bloodstained Ritual of the Night

Em algum momento que não esteja lutando pela vida, pare e observe um pouco o cenário. Principalmente, interaja com ele sempre que possível. Coisas interessantes e engraçadas podem acontecer. Tesouros escondidos também pode ser descobertos, quem sabe…

Minha crítica, para a parte visual, fica para a animação dentro d’água de Miriam, já que não dá para sentir a fluidez do corpo da personagem imergida (parece que ela está andando enquanto mergulha) e algumas quedas de frames e leves travamentos nas transições entre cenários, mas nada que quebre o gameplay.

Conclusão

Bloodstained Ritual of the Night

Bloodstained: Ritual of the Night está disponível para PC, PS4, Xbox One e Nintendo Switch. O jogo traz legendas em português do Brasil (mas contém alguns erros gramaticais e traduções bem literais). Para este review, o game foi testado num PS4. A experiência, como um todo, é extremamente satisfatória, especialmente para fãs de Metroidvanias, Igavanias e do trabalho de Koji Igarashi.

Os cenários são belos, a trilha sonora é cativante (mesmo não tendo o mesmo impacto de um Symphony of the Night) e o desafio resgata a nostalgia da época de ouro dos Castlevanias. Faltou uma história mais envolvente e personagens mais carismáticos. Mesmo com algumas partes de humor, não me senti tão atraída por Miriam como protagonista.

Se você deve jogar Ritual of the Night? Sim! Especialmente sendo fã do estilo Castlevania de gameplay. Este é um jogo que certamente ocupará boas horas da sua vida e você nem sentirá o tempo passar. Ah, tem 13 DLCs gratuitos!

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