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OneWeb: França e Reino Unido financiam rival da StarLink

OneWeb receberá aporte de governos para fornecer rede de satélites LEO para UE e Reino Unido, enquanto concorre com a StarLink de Elon Musk

47 semanas atrás

Não é novidade que a União Europeia (UE) não quer depender de nenhuma solução provida pelo bilionário Elon Musk, o que inclui a StarLink, a rede de satélites de internet de órbita baixa (LEO) da SpaceX. Além do IRIS², um sistema rival e parceria público-privada que recebeu um aporte gordo do bloco, a França vai investir na rede OneWeb da local Eutelsat, como alternativa.

A novidade, o governo do Reino Unido pretende injetar 163 € milhões (~R$ 1,06 bilhão, cotação de 15/07/2025) na empresa, no que o presidente francês Emmanuel Macron agradeceu aos "amigos britânicos".

Rede OneWeb vem sendo considerada por líderes europeus como uma alternativa à StarLink (Crédito: Divulgação/Eutelsat OneWeb)

Rede OneWeb vem sendo considerada por líderes europeus como uma alternativa à StarLink (Crédito: Divulgação/Eutelsat OneWeb)

OneWeb como alternativa à StarLink

A OneWeb começou a operar de forma independente em 2012, inicialmente com satélites de internet de órbita intermediária para o segmento B2B, depois passou a investir em um modelo de constelação para órbita baixa (LEO) para o consumidor final a 1.200 km de altitude, de forma similar à StarLink, que opera bem mais baixo, a 550 km.

A companhia possui atualmente 654 satélites em operação, isso porque a OneWeb passou por inúmeros perrengues, desde um processo de falência em 2020, a perder 36 unidades que deveriam ter sido lançados do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, quando a Rússia invadiu a Ucrânia e deu um perdido nos equipamentos. Por sorte, tudo tinha seguro.

Em 2023 a OneWeb foi absorvida pela Eutelsat, que sozinha tem um débito de 2,6 € bilhões (~R$ 16,8 bilhões), mas devido limitações do programa espacial europeu, seus satélites mais recentes foram colocados em órbita pela SpaceX, algo que não foi muito bem digerido pelos legisladores locais, por mais que não houvesse opções.

Vale lembrar que até mesmo satélites do sistema GALILEO de geolocalização, tratado como uma caixa-preta por UE e ESA (Agência Espacial Europeia), foram lançados em foguetes Falcon 9, visto que o bem caro Ariane 6 ainda não é uma opção.

No passado, companhias aeroespaciais europeias como a francesa Arianespace e a italiana ASI tentaram convencer a ESA a organizar uma reação coordenada, de modo a estimular o mercado local, enquanto a Comissão Europeia concedeu subsídios a todas, menos à SpaceX; acusações de concorrência desleal, também foram feitas contra a empresa norte-americana, nada disso deu certo.

A verdade é que a companhia aeroespacial de Elon Musk segue as regras locais direitinho, oferecendo os melhores serviços de lançamento pelos menores preços; a StarLink, como subsidiária, tem total suporte de infraestrutura já estabelecida, e a cadência insana dos Falcon, que lhe permite oferecer uma constelação funcional de mais de 7,8 mil satélites funcionais, no momento em que este post vai ao ar, e com planos de expansão para 42 mil nos próximos anos.

Contra 654 da OneWeb.

A União Europeia quer sua própria versão dos satélites Starlink (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

A União Europeia quer sua própria versão dos satélites Starlink (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Isso não quer dizer que a UE vai desistir, é desejo do bloco alcançar soberania em satélites de internet, e passar a fornecer tecnologia para o mundo, ao invés de ser um mero cliente. O plano original visa investir 6 € bilhões (~R$ 38,8 bilhões), sendo 3,6 € bilhões (~R$ 23,3 billhões) vindo da iniciativa privada, para estabelecer uma rede própria inicialmente apenas para os 27 países-membros, mas que depois poderia ser disponibilizada a mais regiões, assim como o GALILEO.

Este seria muito provavelmente o sistema IRIS², mas paralelo a ele, é desejo local tornar as companhias privadas competitivas em relação à StarLink, daí o aporte originalmente planejado de 1,35 € bilhão (~R$ 8,7 bilhões) na Eutelsat, sendo 717 € milhões (~R$ 4,6 bilhões) vindo do governo francês, que vai permitir à empresa respirar um pouco, considerando sua situação; o auxílio adicional dos britânicos, interessados em serem também clientes mesmo após o BREXIT, elevaria o financiamento para 1,5 € bilhão (~R$ 9,7 bilhões).

Um dos motivos para dar uma mão à OneWeb é a guerra da Ucrânia, o país invadido pela Rússia se tornou dependente dos satélites da StarLink tanto para uso civil, como em operações militares, o que levou Elon Musk a ameaçar desligar tudo mais de uma vez; na possibilidade do bilionário enfim cumprir a promessa, é essencial que os ucranianos tenham opções.

Por mais que concorrência seja bom, e o consumidor ganharia com preços competitivos, o problema da OneWeb e da UE (e Reino Unido) é a cadência. Cada lançamento de um Falcon coloca dezenas de novos satélites StarLink em órbita, os europeus não têm nada similar, a menos que contratem os foguetes reutilizáveis de Musk para lançá-los, exatamente aquilo que não querem fazer.

Claro que o velho continente tem que partir de algum lugar se deseja mesmo ser autossuficiente em serviços e exploração espacial, mas só o tempo dirá se conseguirão tal feito, ou se Elon Musk continuará nadando de braçada sem concorrência real.

Fonte: Reuters

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