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UE investe em satélites IRIS² para "concorrer" com StarLink

UE investirá 10,6 € bilhões em 290 satélites IRIS², que serão lançados até 2030; StarLink tem mais de 6 mil, com planos de chegar até 42 mil

1 ano e meio atrás

Fato: a União Europeia (UE) não quer depender de nenhuma companhia de fora do bloco; igualmente fato, seus legisladores desprezam Elon Musk, onde a SpaceX já foi acusada várias vezes (sem nunca dar em nada) de concorrer ilegalmente com as empresas aeroespaciais locais, como a Arianespace.

Outro alvo é a StarLink, a rede de satélites de internet de órbita baixa (LEO) da SpaceX, que vira e mexe ganha um novo "concorrente", seja o sistema (geoestacionário, é bom lembrar) da Bielorrússia, ou o dos chineses da SpaceSail, cujo acordo com o governo Lula foi anunciado como uma forma de "colocar em xeque" o domínio de Musk no setor (spoiler: não vai).

A UE acredita piamente que os IRIS² concorrerão em iguais termos com a StarLink (Crédito: EUSPA/ESA)

A UE acredita piamente que os IRIS² concorrerão em iguais termos com a StarLink (Crédito: EUSPA/ESA)

A novidade, a UE anunciou um investimento de 10,6 € bilhões (~R$ 67,36 bilhões, cotação de 16/12/2024), para colocar seu sistema próprio IRIS² em atividade, mas como sempre, as contas não fecham para todo mundo que não se chama Elon Musk.

UE vs. Musk, mais uma vez

Em 2022, a UE apresentou um pacote de soberania em satélites de internet, para não depender de nenhum sistema LEO similar de concorrentes de fora do bloco econômico, ou seja, a StarLink, a única que opera com folga atualmente. O Projeto Kuiper, da Amazon, nem tem data para começar a operar, e outros países, como China e Rússia, não têm nada concreto e só estão na promessa.

Mesmo o SpaceSail, que o governo brasileiro bate no peito para dizer que é um concorrente de mesmo nível, só fez dois lançamentos de 18 satélites até agora, e mesmo prometendo operar 648 até o fim de 2025, não chega nem perto dos mais de 6 mil ativos hoje da StarLink (falaremos da expansão mais tarde).

O IRIS² é uma parceria público-privada, que vai usar tecnologia das empresas aeroespaciais europeias, e será financiado com dinheiro público, mas já nos estágios iniciais, legisladores franceses e alemães começaram a bater cabeça, principalmente devido aos custos envolvidos: a projeção inicial de investimento, que deveria ficar em torno de 6 € bilhões (~R$ 38,18 bilhões), escalou para estimativa de 12 € bilhões (~R$ 76,39 bilhões). No fim, o projeto garantiu um aporte mais "modesto", de 10,6 € bilhões, mas ainda muito acima da cifra original.

Todo mundo sabe que investir no Espaço é caro, a UE só tem o Ariane 6 para lançar coisas em órbita baixa, se ignorarmos totalmente o Falcon 9 (os europeus fazem muito esforço para isso), cujo custo de lançamento é mais em conta graças ao reaproveitamento dos foguetes, algo que a UE diz "não fazer sentido" para sua realidade particular. Sim, os legisladores locais acreditam que foguetes descartáveis são mais baratos.

O sistema IRIS² visa atender inicialmente as necessidades governamentais (leia-se redes seguras e rápidas) dos 27 países-membros da UE, depois companhias locais, e só depois os cidadãos, com planos de conexão veloz e acessíveis, e também cobrir áreas do continente sem acesso à internet. O consórcio SpaceRISE, formado pelas operadoras Eutelsat, SES, e Hispasat, e suportado por Deustche Telekom e Airbus, assegurou um contrato de 12 anos para desenvolver, lançar, e operar os satélites.

Ritmo de expansão da StarLink está léguas à frente de todos os satélites LEO de internet (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Ritmo de expansão da StarLink está léguas à frente de todos os satélites LEO de internet (Crédito: Divulgação/SpaceX)

Agora, a realidade: a previsão da UE é de que o IRIS² entre em operação somente em 2030 com 290 satélites, tanto em LEO quanto em órbita média (MEO), ficando entre a altitude máxima dos LEO, 2 mil km, e a órbita geoestacionária, 35.786 km.

O grande problema para companhias que desejam concorrer com a StarLink, é a cadência de lançamentos. Alguns Falcon 9 já superaram o número de 20 missões, o que representa uma economia absurda, e a companhia tem a vantagem de deter toda a cadeia produtiva, ou seja, mais dinheiro poupado. Para ter uma constelação realmente funcional, é preciso lançar muitos satélites, e de forma constante.

Na data da publicação deste artigo, a StarLink opera oficialmente 6.714 satélites funcionais, com mais 50 inoperantes em órbita, possui permissão imediata do governo dos Estados Unidos para operar 12 mil, e tem planos para expandir a rede até um máximo de 42 mil satélites. Ninguém, seja China, Rússia, ou UE, tem como alcançar esse ritmo.

Se olharmos para os chineses, eles lançaram 63 missões em 2024 (até o momento); a SpaceSail teria que ocupar mais da metade desse número para alcançar a meta de 648 satélites em 2025. A solução? Contratar a SpaceX, que garante a cadência necessária. É o que a Amazon fez para lançar seu Projeto Kuiper, que, de novo, não tem data.

Claro que é importante a UE investir em soluções próprias, e concorrência é bom e o consumidor sai ganhando, com empresas disputando espaço e preços mais atraentes, mas é preciso colocar a mão na cabeça e reconhecer que no momento, e ainda por um bom tempo, ninguém vai alcançar a StarLink, a menos que invistam em foguetes reutilizáveis.

No momento, e independente do motivo, só a SpaceX domina essa tecnologia.

Fonte: Financial Times

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