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IA: indústria da música quer monetizar criações de algoritmos

Startups e plataformas como YouTube e Deezer têm soluções que identificam músicas criadas por IA; o próximo passo é passar a sacolinha

51 semanas atrás

Em 2023, quando o boom da IA generativa começava a pegar tração, a indústria da música foi pega de surpresa com o lançamento de Heart on My Sleeve, um dueto falso entre os cantores Drake e The Weeknd, criado via algoritmos e suficientemente convincente, ao se passar como uma canção real.

A composição quebrou todas as ilusões de que haveria qualquer forma de controle sobre o uso da IA, e sem surpresa os controladores dos direitos autorais entraram em pânico, distribuindo takedowns e processos para todo lado. Só que isso está mudando para uma abordagem diferente, que é identificar

Gravadoras e plataformas já entenderam: ao invés de banir, identificar músicas de IA e cobrar pelo uso de material protegido é melhor (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Gravadoras e plataformas já entenderam: ao invés de banir, identificar músicas de IA e cobrar pelo uso de material protegido é melhor (Crédito: Reprodução/acervo internet)

IA: mais renda para gravadoras

Quando soluções de IA tornaram-se fáceis de usar, graças a startups como Suno e Udio, a internet foi tomada por composições criadas por algoritmo por todos os lados; plataformas como Spotify e YouTube até fornecem ferramentas em que os detentores de direitos autorais podem solicitar a remoção de faixas e clipes criados sem autorização, mas o volume é grande demais.

A tríade das grandes gravadoras, Sony, Warner, e Universal, entraram em modo nuclear e abriram processos onde exigem US$ 150 mil por conteúdo usado sem autorização, seja uma melodia ou uma letra (são dois registros diferentes) mas, ao mesmo tempo, outras startups começaram a trabalhar para atacar o problema de outra forma: tornar músicas criadas com IA rastreáveis, e suas referências identificáveis, tudo também via algoritmo.

Hoje, essas ferramentas estão ativas em toda a cadeia de criação e distribuição, sejam as ferramentas usadas para treinar modelos com material protegido, nas plataformas que compartilham conteúdo, nos bancos de dados que gerenciam as licenças e copyrights, e em algoritmos responsáveis por moldar listas de reprodução, conforme o gosto musical do usuário.

Matthew Adell, co-fundador da Musical AI, é um desses profissionais. Sua companhia descreve seu objetivo como "domar o Velho Oeste" da farra da IA no setor musical, trabalhando com gravadoras e companhias de IA que desejam trabalhar de forma legal, leia-se não serem importunados com processos depois. O executivo diz que os detentores de direitos "não podem ser reativos o tempo todo, pois tal estratégia não escala". A melhor abordagem é licenciar as músicas para empresas que criarão modelos de treinamento rastreáveis.

Uma companhia de IA que escolher trabalhar com a Musical AI, e usar seu banco de dados, vai gerar canções por algoritmo com metadados identificáveis, que são facilmente rastreadas para o pagamento posterior de royalties a todos os envolvidos.

Diagrama descrevendo como a solução da Musical AI funciona (Crédito: Reprodução/Musical AI/SOMMS AI)

Diagrama descrevendo como a solução da Musical AI funciona (Crédito: Reprodução/Musical AI/SOMMS AI)

Claro que isso cobre apenas quem deseja trabalhar com os content holders, não os demais que treinam modelos próprios com dados alheios, e sobem músicas para plataformas de streaming sem pagar nada a ninguém; contra esses, defesas já estão sendo levantadas.

Tanto o YouTube quanto o Deezer anunciaram, em ocasiões passadas, estarem desenvolvendo novos filtros capazes de identificar as referências em músicas e vídeos gerados por IA em suas plataformas, a primeira ligado diretamente ao Content ID; dessa forma, donos de direitos poderão decidir o que fazer com o material criado por IA que infringe seus direitos autorais, da mesma forma que já o fazem com outros uploads. As opções de ação vão de reverter a monetização para si, a derrubar o conteúdo e exterminar, com os temidos "três strikes", as contas daqueles que subiram tais materiais.

Outras companhias, que incluem Audible Magic, Pex, Rightsify, e SoundCloud, também estão expandindo suas ferramentas de detecção e atribuição de créditos a faixas criadas por algoritmos, onde o principal objetivo não é reagir após uma música bombar, e sim torná-la rastreável antes disso, no momento em que é hospedada pelo uploader. Assim, cada execução da faixa gerará um metadado, rastreável por gravadoras, músicos individuais e afins, de modo que seu criador será forçado a pagar royalties.

Dessas ferramentas, uma das mais interessantes é a TraceID, de uma startup chamada Vermillio: trata-se de uma plataforma de gerenciamento completa, capaz de identificar cada elemento de um conteúdo feito por IA, da voz à melodia e letra, mas funciona também com outros materiais, como imagens e vídeo, onde cada elemento é um copyright diferente, todos protegidos por leis regionais de direitos autorais e pela DMCA, de alcance global.

Aurélien Hérault, CIO da Deezer, diz que sua companhia não é contra IA (até porque estão usando algoritmos há algum tempo), mas que a indústria da música está atenta ao avanço da tecnologia, porque "muita gente a está usando não para criação, mas para tirar vantagem" do mercado, em busca de grana fácil com o mínimo esforço.

O que, se depender de outras startups, gravadoras e plataformas usando soluções generativas para nivelar o jogo, não vai ser mais tão fácil daqui por diante.

Fonte: The Verge

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