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Playdead: briga entre co-fundadores vai para o tribunal

Arnt Jensen acusa Dino Patti de superestimar seu papel na Playdead, estúdio de Limbo e Inside, e leva caso para a Justiça

50 semanas atrás

Lançado em 2010, Limbo é considerado um dos indie games que colocou o cenário independente no radar do grande público, ao lado de títulos como Braid, Spelunky, Minecraft, e o seminal Cave Story. A desenvolvedora dinamarquesa Playdead, fundada em 2006 por Arnt Jensen e Dino Patti, lançou em 2016 seu segundo jogo, Inside, que tal qual seu predecessor, alcançou grande sucesso de crítica.

Nos bastidores, entretanto, o clima não era dos melhores. Dino Patti deixou a Playdead apenas um mês após o lançamento de Inside, por rusgas sobre as atribuições de cada um dentro do estúdio; agora Jensen está processando o ex-parceiro, acusando-o de aumentar publicamente seu papel na desenvolvedora.

Limbo (Crédito: Divulgação/Playdead)

Limbo (Crédito: Divulgação/Playdead)

Playdead dentro de um limbo legal

Jensen e Patti nunca discutiram abertamente os motivos que levaram ao início do feudo entre os dois desenvolvedores. Há relatos de que eles já não se falavam desde 2015, e em 2017, informes surgiram que a desavença teria começado devido a quem fazia ou quê na Playdead.

Em nota enviada ao site GameIndustry na época, Patti disse que o assunto era privado, e que informes de que havia uma disputa sobre quem controlava as propriedades intelectuais da empresa, e definia as datas de lançamento de seus títulos, eram meras especulações da imprensa. O que ele confirmou, conforme informações apuradas por um site dinamarquês, o feudo levou Jansen a apresentar uma carta de renúncia a suas atribuições.

Aqui as coisas começam a ficar nebulosas. Segundo Jensen, sua intenção era se afastar do cargo de diretor criativo, e permanecer como executivo da Playdead; Patti, no entanto, interpretou a carta como um desligamento total, o que foi feito junto ao Registro Central de Negócios da Dinamarca (CVR), órgão estatal equivalente ao Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (DREI) no Brasil.

Jensen então acionou seus advogados, reforçando o argumento de que ele pretendia permanecer no corpo executivo do estúdio; como as partes não chegaram a um acordo, Patti concordou em vender os 49% da desenvolvedora que controlava por kr 50 milhões (~R$ 42,4 milhões, cotação de 20/06/2025), e saiu da Playdead. Ele posteriormente fundou um estúdio próprio, chamado Jumpship, e lançou em 2022 o game Somerville.

Só que as brigas não acabaram aí. Patti alega ter recebido várias mensagens dos advogados de Jensen desde que saiu do estúdio, lembrando-o gentilmente de que ele era proibido de discutir publicamente qualquer assunto referente à Playdead, como o processo de desenvolvimento de Limbo e Inside, e não poderia compartilhar nenhum material interno, por não mais possuir direitos sobre nada.

Inside (Crédito: Divulgação/Playdead)

Inside (Crédito: Divulgação/Playdead)

Em março de 2025, Patti veio a público reclamar de alterações feitas nos créditos de Limbo, que primeiro mudaram seu papel original, de diretor de desenvolvimento para diretor-executivo, e depois excluíram seu nome totalmente; na mesma época, ele fez uma postagem no LinkedIn, posteriormente deletada, com uma foto de Arnt Jensen, falando sobre seu tempo na Playdead.

Os advogados de Jensen então enviaram uma nova "carta de amor", exigindo o pagamento de kr 500 mil (~R$ 423,6 mil) em compensações, e menciona que ele insiste em "aumentar sua participação" junto ao desenvolvimento dos títulos da Playdead; segundo o outro lado, ele não seria nada além de um executivo, e que todo o mérito criativo por trás de Limbo e Inside cabem unicamente a Jensen, o que Patti alega ser um "apagamento" de suas contribuições.

O caso explodiu na mídia como o cumprimento de uma promessa feita por Patti, de que ele divulgaria tudo o que ele estava passando caso ele continuasse a ser importunado, o que nos traz à situação atual: Jensen entrou com um processo formal junto à justiça dinamarquesa, autorizado a prosseguir, alegando que o ex-membro da Playdead insiste em discutir em público assuntos privados, compartilhar materiais cujos direitos ele não controla, e maquiar suas reais contribuições, fazendo-se passar por algo mais do que realmente foi.

Patti diz que o processo é uma coisa boa, pois jornalistas podem requisitar acesso à corte de todos os documentos e materiais que ele e Jensen serão obrigados a apresentar, e estes poderão publicar no aberto todas as trocas de informações, materiais, e evidências que, segundo o criador de Somerville, atestam sua versão dos fatos; ele diz que terá a oportunidade de dizer, diante de um juiz, tudo o que vem guardando na última década, sem que os representantes legais da Playdead o impeçam — isso, claro, se o processo não for conduzido sob sigilo.

De resto, é uma pena que uma disputa entre os co-fundadores da Playdead seja hoje um dos assuntos mais comentados do cenário independente de desenvolvimento de games, prejudicando a imagem de Limbo e Inside, duas obras fantásticas, independente de quem seja a real mente criativa responsável por ambos títulos.

Fonte: Arkaden

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