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Krafton perde processo contra ex-CEO do estúdio de Subnautica 2

Juiz ordena Krafton que reintegre ex-CEO da desenvolvedora de Subnautica 2 e honre bônus de US$ 250 milhões prometido a desenvolvedores

11 semanas atrás

A Krafton já foi uma distribuidora querida pelos jogadores, por títulos como PUBG Battlegrounds e principalmente após salvar a Tango Gameworks do esquecimento, mas de uns tempos para cá passou a ser odiada por sua posição de priorizar o uso de soluções de IA em seus títulos e no fluxo de trabalho interno; mais recentemente ela anunciou um grande investimento na indústria bélica.

Outro "causo" envolve a briga com os ex-líderes da subsidiária Unknown Worlds, estúdio responsável por Subnautica 2 e comprado pela Krafton em 2021, demitidos por suposta falha de liderança; no entanto, uma decisão recente na Justiça deu ganho de causa ao ex-CEO Ted Gill, de que os três foram chutados como uma manobra para não honrar uma bonificação milionária à toda a equipe, que a matriz será judicialmente obrigada a honrar.

Subnautica 2 (Crédito: Divulgação/Unknown Worlds Entertainment/Krafton)

Subnautica 2 (Crédito: Divulgação/Unknown Worlds Entertainment/Krafton)

Kratfon não queria pagar bônus milionário

Vamos dar uma repassada nos eventos até aqui:

Em 2025, a Kratfon demitiu Gill e os cofundadores da Unknown Games, Charlie Cleveland (líder de design) e Max McGuire (diretor técnico), alegando falta de comprometimento do executivo e dos desenvolvedores com a produção de Subnautica 2, que deveria ter sido lançado em 2024.

A matriz alega que, em vez de fazerem seu trabalho, Cleveland decidiu dedicar seu tempo à produção de um filme, um projeto pessoal não relacionado, e McGuire também não queria nada com nada; o CEO, por sua vez, foi acusado de ser um líder frouxo, que nada fez para colocar a desenvolvedora nos eixos.

Após a demissão sumária dos três, a Krafton colocou Steve Papousis, ex-produtor da série Dead Space, no cargo de CEO da Unknown Worlds; foi por volta dessa época que a companhia sul-coreana, criada em 2018 como a holding da Bluehole (PUBG Battlegrounds), direcionou seus esforços para se converter em uma companhia "AI first", em que soluções generativas assumirão posições importantes no desenvolvimento de games e em outros aspectos internos de seus estúdios.

Porém, o outro lado alega que o real motivo da Krafton demitir Gill, Cleveland e McGuire foi se safar de uma promessa feita pelos três à equipe de Subnautica 2: caso o game fosse lançado até 2025, todos partilhariam de um bônus de US$ 250 milhões (~R$ 1,3 bilhão, cotação de 17/03/2026) a ser pago pela matriz, como parte dos US$ 500 milhões desembolsados para adquirir o estúdio. 90% do bolo, ou US$ 225 milhões, ficariam para o CEO e os cofundadores, e os US$ 25 milhões restantes seriam divididos em fatias de tamanhos variados entre os cerca de 100 devs; alguns teriam direito a gratificações de 6 e até 7 dígitos.

Quando a Krafton demitiu Gill, Cleveland e McGuire, ela também anunciou que o lançamento de Subnautica 2 seria postergado para 2026, ficando assim desobrigada a pagar qualquer quantia que fosse; os devs acusaram a matriz de realizar uma manobra ilegal, já que o título estaria pronto para lançamento antecipado, o que não é 100% completo, mas conforme o acordado, contaria mesmo assim.

Subnautica 2 (Crédito: Divulgação/Unknown Worlds Entertainment/Krafton)

Subnautica 2 (Crédito: Divulgação/Unknown Worlds Entertainment/Krafton)

O trio demitido então acionou a Justiça, abrindo um processo contra a Krafton na corte do estado de Delaware, nos Estados Unidos, de modo a forçá-la a reinstaurar os três em seus cargos e honrar o pagamento do bônus, o que a companhia sul-coreana se recusava veementemente a fazer. Agora a juíza e vice-chanceler Lori W. Will (nota: sucessora de Kathaleen McCornick, a atual chanceler, aquela que forçou Elon Musk a comprar o Twitter, hoje X) decidiu a favor de Gill, obrigando a Krafton a devolver seu cargo "com total controle" de suas obrigações, incluindo lançar imediatamente Subnautica 2 em acesso antecipado.

Segundo a decisão (cuidado, PDF), a Krafton violou provisões legais que a impedem de demitir membros-chave de empresas compradas logo após o processo sem uma causa válida, e por imediatamente assumir as operações da Unknown Worlds (no caso, impedir o lançamento de Subnautica 2 em 2025), o que ela não podia fazer. Como resultado, a juíza Will determinou que a distribuidora terá que honrar o pagamento de US$ 250 milhões à desenvolvedora, o que os sul-coreanos não queriam que acontecesse de nenhuma maneira.

ChapGPT foi usado como conselheiro jurídico

O processo revelou uma série de táticas usadas pela Krafton para se safar da dívida, e uma delas envolveu o uso do ChatGPT, o LLM (Grande Modelo de Linguagem) da OpenAI, como um "conselheiro jurídico". Em conversas do Slack adquiridas pela corte, o CEO Changham Kim, ou CH Kim como é conhecido, incumbiu o algoritmo de "pensar em meios de evitar o pagamento" do bônus, o que a juíza Will apontou que "suas sugestões foram quase todas seguidas", incluindo aí a demissão sumária de Gill, Cleveland e McGuire.

O executivo-chefe da distribuidora também discutiu em conversas a possibilidade de assumir o controle do estúdio, de modo a postergar o lançamento de Subnautica 2 e, dessa forma, não ter que honrar promessa alguma.

A juíza Will disse que "nenhuma das justificativas da Krafton possui mérito", e foi bastante direta em sua súmula:

"Frustrados pela recusa dos funcionários-chave (Gill, Cleveland e McGuire) de entregar o controle (da Unknown Worlds) e temendo se comprometer com uma despesa de nove dígitos, a Krafton começou a procurar por um pretexto (de que os três falharam em suas responsabilidades, de modo a justificar suas demissões).

(...) O real foco da Krafton em junho de 2025 era o de evitar dificuldades financeiras (...). A empresa sabia que (o lançamento de) Subnautica 2 justificaria o pagamento dos bônus de US$ 250 milhões, que (CH) Kim via como um fracasso catastrófico. A Krafton iniciou o 'Projeto X' (o plano para evitar o pagamento) para forçar um acordo ou executar uma tomada do controle do estúdio.

Demitir os fundadores foi uma das táticas exploradas, executada pela Krafton para atingir seus objetivos".

Subnautica 2 (Crédito: Reprodução/Unknown Worlds Entertainment/Krafton)

Subnautica 2 (Crédito: Reprodução/Unknown Worlds Entertainment/Krafton)

Em nota, um porta-voz da Krafton disse que a distribuidora discorda do veredito e está estudando meios para recorrer da decisão:

"A Krafton coloca os jogadores no centro de todas decisões tomadas, e isso nunca irá mudar (...). Nos últimos meses, a Krafton e o time da Unknown Worlds têm trabalho incessantemente para preparar o lançamento em Acesso Antecipado de Subnautica 2, com foco contínuo em entregar a melhor experiência possível para a comunidade. Mal podemos esperar para liberar nossos recentes desenvolvimentos ao público.

Enquanto respeitosamente discordamos da decisão, estamos avaliando nossas opções para determinar nossas próximas ações. A decisão de hoje não atende as exigências dos ex-executivos por indenizações relativas a Subnautica 2, e litígios continuam pendentes. No momento, o foco imediato da Krafton permanece inalterado: entregar o melhor game possível para os fãs de Subnautica."

 


UPDATE: em nota, o CEO da Unknown Worlds Steve Papousis disse que Subnautica 2 será finalmente lançado em Acesso Antecipado para Xbox e Windows em maio de 2026, sem detalhar datas.

Não há previsão de quando o game chegará ao PS5 e Nintendo Switch 2.

Fonte: IGN, GamesRadar+

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