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Subnautica 2, Krafton, e US$ 250 milhões em bônus no limbo

Krafton teria adiado Subnautica 2 para não pagar bônus prometidos a devs; líderes demitidos da Unknown Worlds processam distribuidora

47 semanas atrás

A Unknown Worlds, desenvolvedora da série Subnautica, não está nos melhores termos com a Krafton (PUBG Battlegrouds), que a comprou em 2021. A distribuidora demitiu recentemente os fundadores do estúdio, Charlie Cleveland e Max McGuire, e o CEO Ted Gill, alegando que os ex-executivos conduziram uma liderança falha em relação a Subnautica 2.

O game foi adiado para 2026 para, segundo a Krafton, ser finalizado e refinado, mas de acordo com fontes, o real motivo seria não ter que pagar um bônus de US$ 250 milhões (~R$ 1,4 bilhão, cotação de 11/07/2025) que seria dividido entre os três ex-executivos, que estão processando a empresa, e os desenvolvedores, baseado em vendas durante o ano de 2025, o que não vai mais acontecer.

Subnautica 2 (Crédito: Divulgação/Unknown Worlds Entertainment/Krafton)

Subnautica 2 (Crédito: Divulgação/Unknown Worlds Entertainment/Krafton)

Subnautica 2 naufragando?

O rolo começou quando a Krafton demitiu Cleveland, McGuire e Gill de forma sumária, no que o último foi imediatamente substituído no comando do estúdio por Steve Papoutsis, ex-produtor executivo da série Dead Space, que até recentemente atuava como CEO da Striking Distance (The Callisto Protocol).

Segundo a distribuidora, os três ex-executivos foram dispensados pelo fato de que Subnautica 2, em desenvolvimento desde 2021, deveria ter sido lançado em acesso antecipado em 2024, mas ao invés disso, o game nem seria jogável. A Krafton diz que, após o fiasco monumental de Moonbreaker, o primeiro título lançado sob a nova liderança, ao invés de Charlie Cleveland, que também era líder de design, se concentrar no projeto em andamento como solicitado, ele preferiu se dedicar à produção de um filme, um projeto pessoal não ligado à Unknown Worlds.

No entendimento da Krafton, a falta de comprometimento de Cleveland e McGuire (que também foi várias vezes solicitado a se comprometer mais, conforme, sem sucesso), aliada à "falta de direção e liderança" de Gill, levaram a um cenário de caos, com múltiplos atrasos do game. A decisão de demitir todo mundo, e de adiar Subnautica 2 para 2026, teria sido tomada na intenção de fazer dele um jogo melhor, ou pelo menos, finalizá-lo da maneira correta.

No entanto, segundo informações de gente próxima ao estúdio apuradas por Jason Schreier, jornalista do Bloomberg, esta não é a história completa.

Subnautica 2 (Crédito: Divulgação/Unknown Worlds Entertainment/Krafton)

Subnautica 2 (Crédito: Divulgação/Unknown Worlds Entertainment/Krafton)

Quando a Krafton desembolsou US$ 500 milhões (~R$ 2,8 bilhões) em 2021 para adquirir a Unknown Worlds, Cleveland, McGuire, e Gill estabeleceram um bônus de compensação contingente (earn-out compensation) no valor de US$ 250 milhões; a manobra, normal em processos de aquisição, é um agrado aos vendedores baseado no desempenho futuro do empreendimento sob a nova gestão.

Como Subnautica 2 já estava em desenvolvimento na época da compra, o bônus foi atrelado ao desempenho nas vendas após o lançamento, que teria 2025 como limite. A grana seria dividida da seguinte forma: 90% para os fundadores e Gill, e o restante, US$ 25 milhões (~R$ 139,3 milhões), seria dividido entre por volta de 100 desenvolvedores, mas em proporções variadas.; alguns teriam sido informados que tinham direito a fatias de 6 e até 7 dígitos.

Porém, com o anúncio de que o game será lançado apenas em 2026, o pagamento do bônus não mais se aplicaria, e a Krafton estaria sendo acusada de deliberadamente mover a data para não ter que paga nada a ninguém. Ainda que o movimento afete os devs, fica evidente que o real motivo seria não ter que direcionar mais nenhum centavo a Cleveland, McGuire e Gill, que dividiriam US$ 225 milhões (~R$ 1,25 bilhão) entre si.

Por isso, nem surpreende a informação mais recente, segundo Schreier, de que os três estão processando a Krafton; segundo eles Subnautica 2 está pronto para ser liberado em acesso antecipado, a distribuidora estaria mentindo para não se comprometer com promessas anteriores.

Papotusis, o atual CEO da Unknown Worlds, teria dito em uma reunião com funcionários do estúdio, "não estar ciente" do acordo feito pela gestão anterior sobre os pagamentos dos bônus, e voltou a argumentar que o game deverá ser finalizado; a Krafton, por sua vez, reconhece a existência do plano original de gratificações, mas não mencionou que pretende honrá-lo, até porque o game não deverá mais sair em 2025.

Ao invés disso a distribuidora sul-coreana, que hoje é uma companhia avaliada em ₩ 2,7 trilhões (~R$ 10,9 bilhões) e cuja segunda maior acionista é, finja surpresa, a gigante chinesa Tencent (13,6% das ações, contra de 14,4% da Krafton), estaria "comprometida a oferecer uma remuneração justa e equitativa" aos devs "que contribuíram de forma contínua e incansável" para o desenvolvimento de Subnautica 2, o que pode significar qualquer coisa, ou qualquer valor.

Fonte: GamesIndustry.biz

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