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Rússia e consoles: escalando o Monte Elbrus

Equipado com o processador Elbrus, Rússia está produzindo console que não competirá com o PS5 ou Xbox Series; além de outro, que focará nos jogos pela nuvem

1 ano atrás

Desde a invasão da Ucrânia, que aconteceu em fevereiro de 2022, a Rússia tem se visto obrigada a buscar alternativas para a tecnologia produzida no ocidente, e isso inclui videogames. Devido às sanções impostas, o país comandado por Vladimir Putin anunciou que desenvolveria seus próprios consoles e agora temos mais algumas informações sobre um deles, como a utilização do processador Elbrus.

Crédito: Reprodução/Flux/Dori Prata/Meio Bit

De acordo com o vice-presidente do Comitê Estatal de Política de Informação Duma, Anton Gorelkin, o videogame está sendo desenvolvido pelo Ministério da Indústria e Comércio e rodará o Aurora ou o Alt Linux, distros russas baseadas no sistema operacional de código aberto.

Pelo Telegram, o executivo afirmou que o projeto está ganhando forma e que além do Elbrus, outros componentes russos serão utilizados. Segundo ele, a Skolkovo Foundation ficará responsável por escolher o modelo de negócios a ser utilizado no videogame, além do seu conceito e as vantagens competitivas que terá.

Gorelkin também confirmou algo que nem chega a ser uma surpresa: o aparelho não terá tanto poder de fogo quanto os consoles mais poderosos do mercado.

“Os processadores Elbrus ainda não estão no estágio de desenvolvimento para garantir uma competição igualitária com o PS5 ou Xbox [Series S|X], o que significa que a solução deve ser não padronizada,” disse.

Crédito: Reprodução/Flux/Dori Prata/Meio Bit

Tal declaração poderia levar as pessoas a deduzirem que o videogame seria dedicado a títulos antigos, mas Anton Gorelkin garante que não é o caso. “O console russo não está sendo criado para levar uma centena de jogos antigos para lá [...],” esclareceu. “Essa plataforma deve servir principalmente aos objetivos de promover e popularizar videogames nacionais, expandindo seu público para além dos jogos de PC e mobile.”

Contudo, essa não será a única investida da Rússia no mercado de consoles. Além do aparelho citado acima e que ainda não teve seu nome divulgado, o país também deverá apostar na nuvem para atrair os jogadores.

Esse modelo será vendido pelo equivalente a US$ 45, virá com um controle parecido com o do Xbox e usará a plataforma de jogos pela nuvem Fog Play, mantida pela MTS, uma empresa local de telecomunicações. Um detalhe curioso é que o serviço permitirá que os donos de computadores mais poderosos “aluguem” suas máquinas para aqueles que quiserem jogar pela nuvem.

Crédito: Reprodução/Flux/Dori Prata/Meio Bit

As notícias sobre a intenção da Rússia em criar consoles começaram a circular em março de 2024, quando ao participar de uma reunião para o desenvolvimento socioeconômico da região de Kaliningrado, Putin assinou instruções que falavam na criação de uma plataforma de entretenimento online nos moldes do Steam, bem como consoles de mesa, portáteis e um sistema operacional.

O problema é que, como disse Andrey Lysak, diretor da Lesta Games, estúdio localizado em São Petersburgo e que por muito tempo foi uma subsidiária da Wargaming, além do investimento alto, criar algo assim pode levar de cinco a dez anos, e mesmo assim, correndo o risco de parecer defasado quando comparado a outros.

Pensando nisso, em dezembro passado a Organização para Desenvolvimento da Indústria de Videogames na Rússia (VIDO) publicou um plano de negócios para os próximos cinco anos. Nele foram apresentados 83 pontos para acelerar esse processo, além da confirmação de que a ideia é colocar um console nas lojas entre 2026 e 2027.

E para cumprir essa árdua tarefa, profissionais responsáveis por estabelecer a indústria de videogames russa estariam contando com o apoio da China, país que já conta com algum conhecimento na área. Ou seja, a Rússia poderia apenas deixar de ser dependente das fabricantes americanas e japonesas de consoles, para, de uma forma ou de outra, ficar na mão do seu atual parceiro comercial.

O “poderoso” Elbrus

Crédito: Reprodução/Fritzchens Fritz/Wikimedia Commons

Desenvolvido pelo Moscow Center of SPARC Technologies (MCST), o Elbrus-8S — nomeado em homenagem à montanha mais alta da Europa — teve o seu primeiro protótipo lançado em 2014, com a sua produção em série começando dois anos depois. Sua utilidade inicial seria para servidores e workstations, com a sua arquitetura permitindo máquinas com até 32 desses chips.

Já em 2018, a MCST anunciou o Elbrus-8SV, versão com o dobro da performance do seu antecessor e uma frequência de 1,5 GHz em seus oito núcleos, além de suporte a memórias DDR4. Sua fabricação começou em 2020, tendo como alvo principalmente aplicações domésticas e equipamentos de defesa.

Após ser oferecido para o maior banco do país e não passar nos testes sob a alegação de “memória insuficiente, memória lenta, poucos núcleos, baixa frequência” e “requisitos mínimos funcionais não serem atendidos de forma alguma,” a imagem do processador saiu bastante arranhada.

Crédito: Reprodução/Flux/Dori Prata/Meio Bit

A situação ficou ainda pior com os gamers quando, em janeiro de 2023, o canal Elbrus PC Play publicou uma série de testes com o chip, onde o autor registrou desempenhos ruins com o processador. Mesmo com ele usando uma placa de vídeo antiga (Radeon RX 580), a máquina sofreu para manter um bom desempenho mesmo em títulos como The Elder Scrolls IIIMorrowind  e S.T.A.L.K.E.R.: Call of Pripyat.

Portanto, ao sabermos que muitos dos jogos mais novos não constam na lista de compatibilidade do Elbrus-8SV e mesmo que isso melhore bastante com o seu sucessor, o Elbrus-16C e que ainda não foi lançado, torna-se difícil acreditar nas palavras de Anton Gorelkin. Como esperar que o videogame que a Rússia está produzindo não será servirá principalmente para clássicos e/ou emuladores?

Fonte: DualShockers

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