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Amir Satvat: o homem atacado por ajudar a indústria de games

Conhecido por iniciativa que visa recolocar profissionais no mercado de trabalho, Amir Satvat virou alvo de ataques após ser premiado no The Game Awards

1 ano e meio atrás

Desde 2023 a indústria de games tem sofrido com ondas de demissões em massa. As notícias sobre profissionais afetados têm se multiplicado, mas poucos são aqueles que estão buscando maneiras de amenizar a situação. Entre eles está Amir Satvat, alguém que por tentar ajudar outras pessoas a se recolocarem no mercado de trabalho, virou alvo de ataques.

Crédito: Reprodução/macrovector/Freepik

Tudo começou na quinta-feira passada (12), quando foi realizada a edição deste ano do The Game Awards. Entre as divulgações de trailers de jogos que ainda estão por vir e as muitas premiações dadas durante o pomposo evento, um dos pontos de maior destaque foi para o inédito prêmio Game Changer.

Voltada para pessoas que estão fazendo a diferença na indústria, a categoria escolheu Satvat pelo trabalho que tem realizado desde o final de 2022, quando criou o Games Community, projeto que desde então ajudou mais de três mil profissionais ligados aos games a conseguirem um novo emprego.

Após uma breve introdução, onde algumas dessas pessoas agradeceram a Amir pela iniciativa, com um dos depoentes chegando a classificá-lo como “o Papai Noel das carreiras”, ele subiu ao palco e o que vimos foi um momento que provavelmente entrará para a história do The Game Awards.

Bastante emocionado, Satvat aproveitou para ressaltar a importância da sua família e se disse um apaixonado pelos videogames, tendo desejado desde criança entrar para essa indústria. O público então aclamou a iniciativa do sujeito, que após passar pela Amazon, atualmente responde como diretor de desenvolvimento de negócios da Tencent.

Pois esse é um dos motivos que levou várias pessoas a direcionarem seu ódio a Amir Satvat. Atacando-o por ter passado a maior parte da carreira como um analista financeiro, os críticos alegam que ele também deveria ser responsabilizado por parte das demissões e mesmo no vídeo publicado pela premiação podemos ver questionamentos sobre a justiça desta homenagem, com alguns afirmando que o sujeito está apenas tentando aparecer.

Tanto o The Game Awards quanto o seu apresentador, o jornalista Geoff Keighley, também se tornaram alvo, com o argumento de que tal prêmio não passa de uma forma de tentar limpar a imagem das empresas e executivos que, além de financiarem a premiação, são aqueles que não parecem preocupados em demitir dezenas de milhares de pessoas todos os anos.

Mas voltando ao premiado da noite, a perseguição e ofensas se tornaram tão fortes, que ele recorreu ao LinkedIn para fazer um longo desabafo.

“Nos últimos quatro dias recebi incontáveis mensagens de ódio direcionadas a mim pessoalmente, além de centenas outras no YouTube e Twitter,” escreveu. “As pessoas fizeram comentários perturbadores sobre a minha família — só não estou compartilhando esses comentários porque são perturbadores [...] Minha esposa e eu fomos alvos de calúnias antissemitas. Vários vídeos zombaram dos meus comentários, sugerindo que eu parecia autista.”

Amir Satvat

Crédito: Reprodução/Amir Satvat

Segundo Amir, a explicação para esses ataques estaria no fato de ele não ter mencionado durante a premiação que é funcionário da Tencent, algo que considerou irrelevante para a ocasião. Isso levou algumas pessoas a criarem algumas teorias da conspiração, como ele ser um agente infiltrado da empresa para explorar a comunidade e que toda sua história foi fabricada.

Para tentar esclarecer a situação, Satvat listou três pontos que ele alega terem sido desvirtuados por aqueles que o criticaram. São eles:

  • A Games Community foi criada quando ele ainda trabalhava na Amazon, logo, antes de ser contratado pela Tencent, o que só aconteceria quase um ano depois;
  • A iniciativa não possui nenhuma ligação com a Amazon, muito menos com a Tencent;
  • Ele não trabalhou nas aquisições de estúdios feitas por Tencent ou Amazon. Algumas pessoas teriam presumido isso após a publicação de um artigo no site Level Infinite e que foi corrigido logo depois;

Ele ainda afirmou não ter conhecimento do que aconteceu ou deixou de acontecer na Ubisoft, bem como em toda sua carreira nunca assinou algum contrato que levou à demissão de pessoas. “Na verdade, em alguns casos, como na AWS, me esforcei muito para garantir que centenas de empregos fossem salvos durante a reestruturação,” garantiu.

Ainda de acordo com Amir Satvat, ele tem sido “acusado de criar ‘uma fraude digna de prisão’ e ridicularizado por ‘apenas criar uma planilha em que as pessoas inserem informações’.” Ele ainda lamentou por ter descoberto que “isso pode acontecer com você também, quando sacrifica mais de duas mil horas do seu tempo para ajudar a indústria” e concluiu: “essa é a ‘recompensa’ por dois anos de serviço.”

Crédito: Reprodução/storyset/Freepik

Por mais que as práticas predatórias de algumas editoras devam ser criticadas e que as decisões que resultam em demissões sejam tomadas por executivos, jamais entenderei ataques pessoais como forma de protesto.

Mesmo se considerarmos que tudo não passou de uma armação, que Amir Satvat é um grande vilão disfarçado de cordeiro ou apenas uma marionete criada para tentar limpar a barra das grandes empresas que estão se lixando para a vida de seus funcionários, por que isso daria o direito de alguém ofender a família de outra pessoa? Por que um erro deveria justificar outro? De qualquer forma, com alguns influenciadores faturando alto por provocar raiva nos outros, essa reação não surpreende.

Já se olharmos para a outra possibilidade, que é a Games Community ser ter nascido de uma boa atenção e que vem ajudando as pessoas durante os últimos anos, de que importa onde seu criador trabalha? Será que ele merece ser criticado por tirar o seu sustento de uma empresa tão mal vista pelas suas práticas?

Como defendia um famoso investigador, eu quero acreditar, quero carregar comigo a esperança de que ainda existem pessoas boas em uma indústria conhecida por moer profissionais e principalmente, por destruir o psicológico daqueles que se dedicam a nos dar um pouco de diversão.

E mesmo que a premiação tenha sido uma mentira, e que Amir Satvat tenha encenado toda essa história, uma parte do seu discurso é inquestionável: “você não pode fazer grandes jogos, sem grandes pessoas.”

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