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Tudo sobre o terrível ICBM invencível da Rússia de Vladimir Putin

A Rússia atacou a Ucrânia com o que parece ser um ICBM, um míssil criado para começar o fim do mundo

1 ano e meio atrás

Em 21/11/24, um míssil russo atingiu a cidade de Dnipro, na Ucrânia. A diferença é que ao que tudo indica foi um ICBM, o que fez muita gente prender a respiração. Esse tipo de míssil está mais associado a cenários de fim do mundo do que a conflitos regionais, e seu uso foi um mau, um péssimo sinal de que a Rússia estaria disposta a ir às últimas consequências.

ICBM russo Topol, em Moscou (Crédito: Stefan Un / Wikimedia Commons)

Mas... que diabos é um ICBM?

Essa pergunta foi respondida em 1957 para os analistas militares dos EUA, já a maioria do público não entendeu o que implicava o Sputnik passando por sobre suas cabeças.

O Sputnik foi lançado por um foguete também chamado Sputnik (russos não são muito imaginativos). O foguete era basicamente um ICBM R7. ICBM é sigla em inglês para míssil balístico intercontinental. O R7 era capaz de decolar na União Soviética, e lançar uma carga nuclear em uma trajetória que permitirá atingir qualquer lugar do mundo em menos de meia-hora.

Trajetória Balística

Balístico aqui não é nada de sinistro ou sofisticado. Uma pedra tem uma trajetória balística. Balístico aqui significa apenas algo que é lançado com uma força de impulsão momentânea, depois segue apenas via inércia e gravidade. No caso dos mísseis, as ogivas modernas apresentam capacidade de correção final de curso, mas é detalhe.

A principal característica dos ICBMs é que como eles atingem alvos muito distantes, precisam de muita velocidade inicial e altitude. Com isso, na hora de reentrar na atmosfera, eles estão em velocidades extremas, acima de Mach 15.

Isso os torna extremamente difíceis de interceptar. Se você lançar um míssil com uma carga de TNT que chegue a 1mm de distância da traseira de um ICBM e detonar o explosivo, nada acontecerá, pois o míssil está se movendo mais rápido que a onda de choque da explosão.

O quê caiu na Ucrânia foi um ICBM?

Inicialmente os relatos falavam de ICBM, mas a distância não batia. Entre o ponto de lançamento no Oblast de Astracã, e o alvo, Dnipro, são pouco mais de 1000Km. Isso está no alcance de um SRBM, míssil balístico de curto alcance. Um ICBM é muito maior, mais potente e precisaria executar uma trajetória extrema para atingir um alvo tão curto, como os testes da Melhor Coréia, que lançam ICBMs a milhares de quilômetros no espaço, para conseguirem cair só a algumas centenas de quilômetros do ponto de lançamento.

Trajetória dos ICBMs da Melhor Coréia. Note como um lançamento foi muito alto, para evitar percorrer muita distância. As ogivas russas não sobreviveriam a uma reentrada tão extrema

O Ataque a Dnipro

O mistério foi esclarecido quando os russos anunciaram que o ataque usou um míssil, Oreshnik, um IRBM (míssil balístico de alcance intermediário) derivado do RS-26 Rubezh.

Com alcance de mais de 5500km, o Oreshnk atinge o limite inferior para ser classificado como ICBM, com velocidade de 10 vezes a do som, ou Mach 10. Para piorar, ele é um MIRV.

MIRV?

Nós associamos um míssil com uma ogiva termonuclear, mas a miniaturização, que produziu bombas fofas como a M388 usada na bazuca nuclear Davy Crockett, permitiu que bombas poderosas fossem construídas, e onde cabe um, cabem seis, oito, depende do freguês.

Um sistema MIRV – Veículos de Reentrada Múltiplos e Independentes lança várias ogivas ao mesmo tempo, que são separadas quando começam a reentrar na atmosfera, e seguem para alvos diferentes, às vezes centenas de km de distância um dos outros.

Teste de sistema MIRV de um míssil LGM-118 Peacekeeper (Crédito: USAF)

Cada ogiva também tem chamarizes para confundir sistemas de defesa. As mais modernas possuem capacidade de manobra, o que era mortal quando computadores precisavam de vários segundos para calcular a trajetória das ogivas inimigas.

Oficialmente os Estados Unidos não possuem mais sistemas MIRV, respeitando o tratado New START. Quanto aos russos, as evidências falam por si.

Técnicos da Força Aérea dos EUA instalando as ogivas em um sistema MIRV de um míssil Peacekeeper (Crédito: USAF)

Cada Oreshnik carrega seis veículos de reentrada. Cada veículo carrega um número não-especificado de submunições, muito provavelmente não-nucleares.

Dizem os russos que o ataque foi apenas uma demonstração, e que as submunições não tinham carga explosiva, mas isso é pura propaganda. Elas estão sujeitas às mesmas Leis da Física que todo mundo exceto o Escudo do Capitão América. Segundo Newton, F= M x A, quanto mais rápido, mais energia cinética. Uma munição de puro concreto atingindo o chão em velocidade hipersônica tem muito mais energia do que se fosse feita de pura dinamite.

Essa é a base da arma proposta durante a Guerra Fria, chamada Rods from God, onde postes de tungstênio seriam lançados de plataformas orbitais e destruiriam quarteirões inteiros do inimigo, apenas com a energia acumulada na descida.

Vladmir Putin diz que seu novo míssil é invencível e ninguém consegue interceptá-lo. Não é bem assim, tanto que escolheram atacar Dnipro, uma cidade sem grandes defesas. Kiev está cercada de sistemas Patriot, e os mísseis PAC-3 são projetados para interceptar mísseis balísticos em manobras terminais.

Durante o ataque de mísseis e drones a Israel, lançado pelo Irã, vários mísseis balísticos foram interceptados ainda no Espaço, graças a sistemas como o Funda de Davi, o Patriot PAC-3 e o RM-161 SM-3 usado pela Marinha dos Estados Unidos.

No vídeo abaixo, logo no começo vemos um míssil iraniano sendo atingido.

Conclusão

O Oreshnik vai mudar alguma coisa? Não. A Rússia tem por volta de 5580 ogivas nucleares, mísseis de todos os tipos e tamanhos, fazer todo esse alvoroço por causa de um míssil é pura propaganda. Sendo otimista, é uma forma de se afastar da chantagem nuclear, e não correr o risco do Ocidente pagar para ver.

Bônus: Um resumo das capacidades nucleares sovi-digo, russas:

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