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The Walking Dead: Destinies — E a GameMill fez de novo! [Atualizado]

Após virar piada pelo péssimo Skull Island: Rise of Kong, a editora GameMill volta a entregar um jogo de baixíssima qualidade, o The Walking Dead: Destinies

14 semanas atrás

O segredo para criar um jogo de sucesso não é simples de ser desvendado. Porém, se você quiser lançar um título de péssima qualidade, existem vários atalhos que podem ser tomados: pouco tempo de produção, baixo orçamento e apostar numa franquia de peso estão entre eles e o The Walking Dead: Destinies parece ter seguidos todos à risca.

The Walking Dead: Destinies

Crédito: Reprodução/Youtube

Mais um título a explorar a já bastante desgastada franquia criada por Robert Kirkman, ele foi desenvolvido pela Flux Games, uma desenvolvedora brasileira localizada em São Paulo. A nossa primeira reação poderia ser apontar o dedo direto para o estúdio, mas existe um detalhe aqui que nos leva para outra direção: a editora.

Isso porque recentemente a GameMill Entertainment se viu no meio de uma polêmica com o lançamento do Skull Island: Rise of Kong. Desenvolvido pela IguanaBee, o jogo virou alvo de críticas e até deu origem a memes pela baixíssima qualidade, sendo um forte candidato a pior jogo do ano.

Segundo relatos de pessoas ligadas ao estúdio chileno, o que levou a um jogo tão ruim foi o curtíssimo tempo de desenvolvimento (apenas 12 meses) e o orçamento limitadíssimo, uma mistura que quase sempre resulta em títulos muito ruins.

Mas passemos para o The Walking Dead: Destinies. Ainda sem termos informações sobre as dificuldades enfrentadas pela produção, nos resta juntar os pontos e especular. Um forte indicativo de que o jogo não seria bom estava na sua campanha de divulgação, praticamente inexistente, mas foi com o seu lançamento que pudemos entender o tamanho da — na falta de uma palavra melhor — catástrofe que ele se tornou.

The Walking Dead: Destinies

Crédito: Divulgação/Flux Games

A proposta da criação da Flux Games era nos colocar para reviver várias situações marcantes mostradas no universo de Kirkman e isso ela realmente entregou. Funcionando como um jogo de ação em terceira pessoa, nele estaremos ao lado de diversos personagens, inclusive com suas aparências remetendo (ou pelo menos tentando) aos atores que os viveram na série de Frank Darabont e em determinados momentos precisaremos tomar decisões.

Em uma dessas escolhas (e aqui alerto para spoilers sobre a segunda temporada) o protagonista Rick Grimes entra em confronto com seu amigo Shane Walsh e acaba lhe matando. Essa é uma das cenas mais marcantes da série, cheia de tensão e influenciando completamente o desenrolar dos acontecimentos.

Sabendo disso, os criadores do The Walking Dead: Destinies aproveitaram para nos colocar para decidir como o evento terminará e caso você escolha que deve ser o Rick a morrer, uma batalha terá início. Realizada numa pequena arena cheia de itens, o jogador assumirá o controle de Shane e o que se vê é no mínimo hilário. Para vencer será preciso acertar mais de uma dezena de tiros de escopeta no adversário, mesmo na cabeça.

Já em numa segunda etapa, a batalha acontecerá com armas brancas, com zumbis participando da disputa e servindo como um novo obstáculo. Descrever a situação não faz jus a como ela foi mal executada e por isso recomendo assistir o vídeo abaixo.

Esse até poderia ser um caso isolado, apenas um deslize num jogo mediano, mas infelizmente não é o que acontece. The Walking Dead: Destinies está repleto de passagens sofríveis como essa e ao olharmos para os detalhes podemos ver que sua produção precisava de muito mais tempo e principalmente, cuidado.

O jogo nos entrega uma jogabilidade rasa, gráficos muito abaixo da média, animações faciais e de movimentação muito ruins, cenas não-interativas que mais parecem slideshows, onde pequenos movimentos tentam passar algum dinamismo... isso sem falar em glitches e bugs, muitos bugs. Inclusive havia uma falha na versão para PlayStation 5 que impedia a progressão na campanha.

Para piorar a situação, estamos falando de um jogo vendido por US$ 50, ou R$ 250 no PlayStation 5 e Nintendo Switch. No Xbox o preço até é consideravelmente menor, com ele saindo por R$ 166,45, mas ainda assim, parece um valor absurdo para um título que tem apresentado tantos problemas e que, mesmo com muito empenho por parte dos criadores, dificilmente conseguirá ser salvo.

É triste pensar em como um produto assim pode prejudicar a imagem dos profissionais envolvidos no projeto, mesmo com eles tendo possivelmente recebido pouco ou nenhum suporte da editora. Talvez o valor pago por essa produção tenha valido a pena, mas será que essa não será uma mancha muito difícil de apagar?

Ultimamente temos visto diversas empresas ligadas à indústria de games fechando suas portas ou demitindo boa parte de seus funcionários e por isso consigo entender um projeto assim ser aceito. Porém, isso não elimina a sensação de que o The Walking Dead: Destinies seja um título difícil de recomendar para qualquer pessoa.

No caso da GameMill Entertainment, a editora parece estar fazendo um grande esforço para se firmar como uma das que devem ser mais evitadas. Com ela preferindo focar em marcas conhecidas e não na qualidade, a aposta seria que os desavisados comprem suas produções independentemente das críticas e desta forma, quem acreditará nos futuros projetos da empresa?

Talvez essas pessoas não estejam muito preocupadas com o médio/longo prazo, talvez estejam acreditando que um eventual bom lançamento apagará esse passado que escreveram. Enquanto isso, os memes continuarão correndo a internet, a disputa pelo pior jogo de 2023 seguirá acirrada e alguns fãs ficarão desapontados com aquilo pelo que pagaram — e bem caro! Já os figurões, incluindo aí o Sr. Robert Kirkman, esses seguirão enchendo seus bolsos.

Nota: entramos em contato com a Flux Games, mas até a publicação desta matéria, não obtivemos resposta.

Fonte: NME

Atualização: Após a publicação dessa matéria, uma pessoa diretamente ligada ao desenvolvimento do The Walking Dead: Destinies me procurou, disposta a contar — sob a condição de anonimato — alguns problemas que cercaram o projeto.

Para este profissional, eu estava correto quando sugeri que a produção poderia ter sofrido dos mesmos males vividos pelos chilenos da IguanaBee quando estes fizeram o Skull Island: Rise of Kong, outro jogo muito criticado em 2023. Isso se resume a um baixo orçamento e pouquíssimo tempo de produção.

Segundo a fonte, a proposta inicial feita pela editora GameMill Entertainment era “excepcional, um estúdio brasileiro fazendo esse tipo de jogo, com essa magnitude”. Como a maioria dos desenvolvedores que trabalhariam no projeto eram fãs da série, aquilo fez com que todos ficassem empolgados.

Questionei então se desde o início eles tinham noção do pouco tempo para a produção e a resposta foi positiva, já que, ao menos em relação a Flux Games, o acordo com a editora diz que ao menos um jogo precisa criado por ano. Mesmo assim, o profissional me disse que graficamente eles já esperavam que seriam criticados, “afinal o jogo saiu para todas as plataformas e além do escopo gigante e a quantidade de pessoas que trabalharam no projeto não ser compatível, todos tentaram fazer o melhor mediante o possível.”

Ou seja, para aperfeiçoar a parte visual, eles precisariam de tempo, algo que não tinham. Já em relação à jogabilidade, muitas das ideias propostas pela equipe foram vetadas até mesmo pela AMC, detentora dos direitos da série. Isso fazia com que os profissionais apenas seguissem orientações e novamente, na opinião de quem ouvi, faltou tempo e dinheiro para que eles pudessem fazer os devidos polimentos.

Por fim, fiquei curioso em saber como a equipe encarou essa recepção negativa que o The Walking Dead: Destinies sofreu, se isso poderia prejudicar o estúdio no futuro e sua resposta foi tão interessante quanto assustadora. “A galera não está culpando os estúdios e sim a GameMill,” explicou. “No mercado de games, todos os devs sabem como são os projetos, então a galera sabe do esforço e que fazer jogo dá um trabalho gigantesco, que consome muito tempo e não é simples.”

Porém, nem tudo teria sido ruim do ponto de vista da Flux Games. “Para os devs o projeto valeu, sim, a pena, pois com a análise do público conseguimos ver erros e acertos, para não repetir a fórmula,” defendeu o profissional. “Se nem alguns projetos AAA estão agradando o público, imagine um projeto mais simples com equipe e orçamento super limitado. Então acho que não afeta negativamente não. Talvez com o público um pouco, mas entre o mercado de games (empresas) no Brasil e até fora, não.”

Caso a Flux Games ou a GameMill Entertainment queiram se manifestar sobre essas declarações, o espaço está aberto.

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