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Twitter Premium? Elon Musk estuda recorrer ao paywall

Segundo fontes, o novo Twitter Blue é um teste: ideia de Musk é manter acesso livre à rede social apenas para assinantes

08/11/2022 às 8:36

No começo de 2022, os diretores do Twitter encontraram uma pata de macaco, que, dizem, realiza desejos. Mais do que depressa, eles pediram para que a companhia enfim fosse vendida, um antigo desejo, para resolver os problemas financeiros que se arrastavam por anos.

Elon Musk, o homem mais rico do mundo, CEO da Tesla, SpaceX e outras companhias, ofereceu US$ 44 bilhões e levou. Mas, assim como no conto, houve consequências: iniciou-se uma briga entre ele e o corpo de executivos, sobre a quantidade de bots na rede; Musk tentou pular fora do acordo, derrubando ainda mais o valor de mercado do Twitter, no que ele propôs pagar menos.

Em menos de duas semanas como CEO e único diretor, Elon Musk virou o Twitter do avesso (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Em menos de duas semanas como CEO e único diretor, Elon Musk virou o Twitter do avesso (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O caso foi parar na Justiça, e como Musk percebeu que iria perder, honrou o acordo e pagou a quantia inicialmente acordada. Tão logo assumiu a empresa, ele demitiu todo o corpo diretor, acusando-os de mentir no caso dos bots. Ele defende ser justa causa, se recusando assim a pagar compensações, outra briga que pode ir para os tribunais.

Moral da história: "cuidado com o que deseja".

Eles passarão... Twitter, passaralho

Como esperado, Elon Musk chegou ao Twitter disposto a gerir a companhia da maneira que ele acha melhor, sob o argumento de "defesa irrestrita de liberdade de expressão", o que já lhe rendeu puxões de orelha (e correções de conduta) de órgãos reguladores.

Após assumir o Twitter, Elon Musk pôs em prática medidas para justificar o investimento, visto que o executivo recebeu aportes financeiros de gente muito interessada em lucrar de volta, como o príncipe saudita Alwaleed bin Talal, um fundo de investimentos do Qatar, e curiosamente, o ex-CEO e co-fundador do Twitter, Jack Dorsey.

Como prestar contas é preciso, chegou a hora do Twitter dar lucro, de um jeito ou de outro. Uma de suas primeiras ações foi trancar o acesso à API e ao código-fonte da rede social, e deslocar engenheiros da Tesla para revisar tudo. Nas primeiras inspeções, Musk concluiu que a empresa tinha supervisores demais para programadores de menos; segundo ele, em uma proporção de 10 para 1.

A seguir, o inevitável passaralho deu um rasante no passarinho azul. Musk originalmente anunciou que demitiria cerca de 75% dos 7.800 funcionários da empresa, mas no fim, esse número ficou pouco acima de 50%, com 3.700 sendo dispensados, em diversos setores, em todo o mundo. No Brasil, por exemplo, apenas o setor de vendas foi mantido.

Departamentos inteiros foram encerrados, incluindo o de Relações Públicas (nota: a Tesla também não possui um, no que Elon Musk o considera perda de tempo e dinheiro; a SpaceX contratou uma empresa dedicada a RP em 2015, apenas porque a FCC exige), e vários outros foram afetados, incluindo alguns considerados críticos, como o de acessibilidade. A quase totalidade da equipe do Tweetdeck, que estava trabalhando em uma nova versão do app, também rodou.

Funcionários entraram com um processo contra o Twitter, alegando que a companhia descumpriu leis que impedem demissões em massa, se elas não forem comunicadas em no mínimo 60 dias de antecedência; no entanto, Musk estaria contornando esse problema, mantendo os pagamentos de todos os dispensados até fevereiro de 2023, quando serão efetivamente desligados.

Em suma, quem foi "demitido" continua empregado pelos dois meses exigidos na lei, e será inclusive pago durante o período, mas seu acesso à empresa foi cortado.

Para quem ficou, as coisas também não andam boas. Musk instituiu uma jornada mínima de 84 horas semanas (12 horas/7 dias), e o trabalho remoto está em vias de ser revogado; os alocados em projetos considerados prioritários pelo CEO, segundo fontes, estariam sob ainda mais pressão, trabalhando 20 horas por dia, para entregar a tempo todas as mudanças na rede social exigidas.

É isso, ou rua.

App do Twitter no iPhone (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

App do Twitter no iPhone (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Dentro do Twitter, o clima é de caos. Há uma divisão entre equipes, entre as escaladas para os projetos prioritários (das 20 horas por dia), e as demais que não têm muito o que fazer. A regra mais recente, de banimento a qualquer um que criar contas de paródia que não forem claras (ou sendo direto, que se passarem por Musk), foi anunciada apenas no perfil do CEO, e os funcionários do setor de Políticas (os que restaram, pelo menos) que se virassem para fazê-la valer.

Segundo fontes, esses times do Twitter "não possuem cadeia de comando, prioridades, organogramas, ou mesmo sabem quem são seus supervisores", depois de tanta gente ter sido mandada embora.

Blue, selos e paywalls

Uma das mudanças prometidas por Musk é o novo Twitter Blue, que será reformulado para entregar metade dos anúncios exibidos pela rede social, prioridade no alcance e visualização de postagens, publicação de vídeos e áudios longos, e um novo tipo de verificação de perfil, por US$ 8/mês; o valor será ajustado conforme o país.

A primeira versão do Blue já estaria pronta para entrar na fase de testes, mas seu lançamento foi adiado devido às eleições distritais dos Estados Unidos. O anúncio da reformulação do serviço, em que o executivo disse que o sistema de "lordes e plebleus" é uma besteira, foi bastante criticado porque o atual selo azul, ao menos na teoria, existe para atestar que aquele perfil é uma pessoa real, e não um bot.

Musk, assim como muita gente, aponta que o selo azul foi usado como um símbolo de status, dedicado a quem o Twitter considerasse digno ou relevante, o que já rendeu passagens hilárias, como a vez em que a rede verificou um político que não existia, criado por um adolescente.

Por outro lado, o CEO do Twitter não explicou se o Blue fará algum tipo de checagem de identidade, ou se apenas concederá o selo para quem abrir a carteira sem maiores problemas, no que muita gente comparou o plano do Musk com o do Síndrome.

No entanto, uma fonte próxima à cadeia de comando do Twitter disse que o Blue é, na verdade, um teste de águas. O CEO, aliado ao seu conselheiro financeiro David O. Sacks, ex-COO do PayPal e um dos membros da antiga "Máfia" da plataforma de pagamentos, tal qual Musk, estariam considerando limitar o acesso livre à rede social apenas a usuários pagantes.

O plano consistiria em oferecer uma experiência restrita a quem se recusar a assinar o Twitter Blue, como um tempo limitado (e baixo) que ele poderia usar a plataforma por mês, antes de dar com a cara no paywall. Quer mais? Pague.

Musk também teria considerado cobrar pelo envio de mensagens diretas (DMs) a perfis verificados de grande interesse, como políticos e celebridades, como forma de diminuir a distância entre os "lordes" do Twitter, no que muitos deles manterão suas condições de verificados, independente das mudanças futuras (você imagina Joe Biden, o presidente dos EUA, perdendo o selo? Eu não), e os "plebeus", desde que estes tirem o escorpião do bolso.

 

A piada do Twitter Premium pode se tornar real, no fim das contas (Crédito: acervo internet)

A piada do Twitter Premium pode se tornar real, no fim das contas (Crédito: acervo internet)

A atual encarnação do Twitter Blue já é problemática por si só. Ao custo de US$ 5 por mês, ele conta com apenas 100 mil assinantes nos países em que está disponível (Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia). O novo formato acarretará um reajuste de 60%, e muitos dentro do Twitter não acreditam que ele servirá para fazer receita, ao menos, não na proporção que Musk quer.

Alternativas teriam sido propostas ao executivo e a Sacks, como cobrar pelo acesso a funções extras por perfis profissionais/corporativos, uma ideia desconsiderada em favor da venda de verificações; o movimento de Musk em reduzir o número de anúncios também é preocupante, no que apenas o Blue faria a plataforma perder US$ 6 por usuário, só nos EUA.

Fica claro que, na mente de Musk, o Twitter não será capaz de se tornar lucrativo apenas com a exibição de anúncios, e dessa forma, a conta dos US$ 44 bilhões será repassada para os usuários, além dos cortes com demissões.

Por enquanto, o plano para colocar um paywall ao redor do Twitter seria apenas uma ideia possível de ser implementada; a prioridade é oferecer o novo Blue quanto antes, com sua aceitação servindo como um norte para as próximas decisões de Elon Musk.

No mais, muitos usuários já consideram outras plataformas, como o Mastodon e a Bluesky, uma futura rede baseada em blockchain, criada por Jack Dorsey.

Fonte: The Verge

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