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X: Elon Musk odeia Twitter, mas não abrirá mão da marca

Elon Musk muda Termos de Serviço do X proibindo uso do nome e logo do Twitter, após startup entrar com petição alegando que marca está vaga

25 semanas atrás

Elon Musk odeia o Twitter, fato. Assim que comprou a rede social, o bilionário mais do que rápido depreciou o antigo nome e logo originais em prol do X, uma marca pela qual ele tem obsessão desde a X.com, sua antiga companhia financeira, que formou o PayPal ao se fundir com a concorrente Confinity, no início dos anos 2000.

Esse aparente desapego pelo Twitter estimulou uma startup dos Estados Unidos, chamada Operation Bluebird, a entrar com uma petição junto ao Escritório de Patentes e Marcas Registradas (USPTO), solicitando que a agência federal cancele o registro das marcas "Twitter" e "tweet", alegando abandono de marca, e visando a criação de uma nova rede social; Musk, obviamente, não gostou nem um pouco disso.

Elon Musk fez de tudo para matar a marca Twitter... mas não pretende abrir mão dela (Crédito: Britta Pedersen-Pool/Getty Images/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Elon Musk fez de tudo para matar a marca Twitter... mas não pretende abrir mão dela (Crédito: Britta Pedersen-Pool/Getty Images/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

X ainda é Twitter, segundo Musk

Os reais motivos que levaram Elon Musk a pagar US$ 44 bilhões (~R$ 242,7 bilhões, cotação de 17/12/2025) pelo Twitter nunca ficaram muito claros. Um de seus objetivos, que parece ser o principal, é fazer do X um superapp, uma aplicação que se comporta como um "aplicativo de tudo", oferecendo funções de rede social (texto, vídeo, fotos), mensageiro instantâneo, pagamentos móveis, games, feed de notícias, streaming, broadcasting, videoconferência, compartilhamento de localização, e soluções de B2B e B2C para usuários corporativos.

Os chineses WeChat e AliPay, os japoneses LINE e Rakuten, o indiano Tata Neu, e o singapuriano Grab, que atende o sudeste asiático, são os melhores exemplos dembos chineses, são os melhores exemplos superapps, um conceito mais popular no oriente, mas que até hoje não pegou tração deste lado do mundo, principalmente por questões culturais; Musk e seu ex-amigo e hoje rival Sam Altman, tentam com seus respectivos apps, X e World (este mais adiantado) mudar essa percepção.

Independente disso, Musk decidiu que a marca Twitter, mesmo sendo mundialmente reconhecível, e a palavra "tweet" tendo se tornado um verbete informal, não permaneceria, graças à sua obsessão com a letra X que, para todos os fins e feitos legais, não pode ser protegida atrás de direitos autorais exclusivos: qualquer empresa pode ter um registro de uso de uma letra (tanto a Microsoft quanto o Meta usam o "X" de alguma forma), mas jamais pode restringi-lo.

O bilionário sempre foi muito vocal sobre seu desejo de substituir toda a identidade do Twitter pela marca atual:

Este tweet foi usado como prova na petição movida pela Operation Bluebird, uma startup sediada no estado da Virgínia, para solicitar ao USPTO que cancele todos os registros legados referentes à marca Twitter, do nome e logo ao termo "tweet", hoje em mãos da X Corp. O argumento usado foi de que Musk intencionalmente aniquilou todos os vestígios da identidade anterior da rede social, em prol de adotar o atual X.

Um dos envolvidos com a startup é o advogado Stephen Coates, que atuou como conselheiro geral do Twitter, agora parceiro de negócios da iniciativa, que visa usar todos os elementos originais do Twitter para criar uma nova rede com uma pegada vintage; o domíno até já existe, Twitter.new, que oferece ao visitante a possibilidade de reservar antecipadamente um nome de usuário, idealmente, o original que possuía no antigo Twitter.

Coates e o também advogado Michael Peroff, fundador da startup, dizem já possuir um protótipo funcional da nova rede, e esperam replicar o sucesso do antigo Twitter, em um nível que nenhuma outra rede posterior (BlueSky, Threads e Mastodon) conseguiu, além de "resgatar a mágica" perdida na gestão de Musk, que permitia pessoas comuns, celebridades, profissionais e pesquisadores interagirem em tempo real; o X não possui o mesmo nível de conversação, onde o algoritmo premia contas verificadas (quem paga o plano Premium) com mais visibilidade.

Em poucos dias, o Twitter.new conseguiu atrair mais de 140 mil interessados em fazer o pré-registro na plataforma, mesmo sem saber se o pedido de liberação da marca seria levado em frente, mas isso foi o suficiente para forçar Elon Musk a se mexer: muito previsivelmente, o bilionário não pretende perder a marca Twitter, mesmo sem ter a intenção de usá-la.

Pouco depois da iniciativa da Operation Bluebird se tornar conhecida, a X Corp. abriu um processo contra a startup (cuidado, PDF), acusando-a de tentar roubar a marca Twitter que, diz o documento, "continua associada" ao X e assim permanecerá, e exige não só que o USPTO rejeite o pedido de vagar o antigo nome e elementos da rede, como force a startup a pagar US$ 150 mil por infração, além dos custos legais do processo.

Ao mesmo tempo, os Termos de Serviço do X foram modificados para mencionar que é proibido o uso do nome, marca, logo, ou qualquer elemento legado da plataforma sem autorização, mesmo que eles não estejam em uso; a justificativa, o bilionário pagou muito caro por eles, e tem o direito de fazer o que quiser com o passarinho azul, o que inclui não fazer nada.

No texto, agora se lê:

"Nada nos Termos lhe dá o direito de usar o nome X ou o nome Twitter ou qualquer uma das marcas registradas, logotipos, nomes de domínio, outras características distintivas da marca e outros direitos de propriedade do X ou do Twitter, e você não poderá fazê-lo sem nosso consentimento expresso por escrito."

No que depender de Elon Musk, o passarinho continuará morto (Crédito: The Verge) / x

No que depender de Elon Musk, o passarinho continuará morto (Crédito: The Verge)

Especialistas já haviam dito que as chances do Operation Bluebird de reverter para si a marca Twitter, mediante declaração do UPSTO vagando o registro, eram poucas; o X teria os meios de provar que ainda faz uso da propriedade de alguma forma, e até mesmo alegar associação por parte do público, que continuam a se referir à plataforma por seu nome antigo; é o mesmo princípio aplicado a certas marcas de iogurtes e esponjas de aço, por exemplo.

No entanto, Elon Musk decidiu que não vai dar chance alguma ao azar, o que levou à atualização dos Termos de Serviço e o contra-processo, o que basicamente aniquila qualquer chance da startup de mudar a situação, enquanto a marca legada continuará morta e enterrada nos porões da X Corp.

Fonte: Ars Technica, TechCrunch

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