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O impacto da PlayStation Plus nas vendas do Oddworld: Soulstorm

De acordo com diretor do Oddworld: Soulstorm, o jogo ter sido oferecido na PlayStation Plus já no seu lançamento foi devastador para as vendas

17 semanas atrás

Imagine poder alcançar a maior quantidade possível de jogadores, sua criação cair no gosto do público e as vendas atingirem um patamar bem alto. Uma maneira de conseguir isso seria fornecendo seu jogo aos assinantes de algo como a PlayStation Plus, mas no caso do Oddworld: Soulstorm, estar no serviço teria prejudicado o desempenho comercial.

Oddworld: Soulstorm

Crédito: Divulgação/Oddworld Inhabitants

Com a versão do jogo para PlayStation 5 tendo sido disponibilizada já no lançamento para quem assinava a PS+, a expectativa da Oddworld Inhabitants era de que algo entre 50 mil e 100 mil cópias fossem resgatadas, mas o que o estúdio viu foi um número muito maior que o previsto.

Quem falou sobre o caso foi o cofundador da desenvolvedora, Lorne Lanning, durante a sua participação no podcast Xbox Expansion Pass. Apesar de admitir que a parceria com a Sony foi necessária para que o Oddworld: Soulstorm fosse produzido, o executivo revelou que uma série de fatores os levaram a uma grande frustração.

Segundo Lanning, na época em que o título estava em desenvolvimento, seu estúdio vinha passando por alguns problemas financeiros e falta de profissionais. Ter o apoio de uma gigante como a Sony seria essencial para eles saírem desta situação e como a ideia era disponibilizar o Oddworld: Soulstorm logo após o PS5 chegar às lojas, a provável pouca quantidade de consoles vendidos deveria fazer com que o número de pessoas jogando ficasse próximo do que eles esperavam.

Para o estúdio, devido à limitada base instalada do console, as vendas que eles alcançariam seriam menores que o valor oferecido pela empresa japonesa, o que os fez acreditar terem fechado um bom negócio. Porém, no meio do caminho haveria uma pandemia que atrasaria o desenvolvimento e...

Por [o Oddworld: Soulstorm] ter sido adiado para abril, tivemos o jogo mais baixado no PS5 e ele estava, acho, se aproximando de... perto de quatro milhões de unidades [registradas] gratuitamente ou algo assim, porque todas elas foram para assinantes. Então, para nós, aquilo foi devastador.

Crédito: Divulgação/Oddworld Inhabitants

A declaração de Lorne Lanning vai à contramão do que alguns estúdios têm defendido nos últimos anos, já que alguns títulos se beneficiaram muito da exposição oferecida pela PlayStation Plus. Dois grandes exemplos são o Rocket League e o Fall Guys, jogos que mesmo tendo sido baixado por milhões de assinantes, viram suas vendas alcançaram patamares altíssimos em outras plataformas.

Em ambos os casos tais jogos aproveitaram a força da Sony como forma de divulgação. Se não fosse pela maneira como o título que mistura carros com futebol caiu no gosto do público, talvez a Psyonix nem acabaria sendo adquirida pela Epic Games ou o simpático jogo de cursos com obstáculos ultrapassasse a marca de sete milhões de cópias vendidas (apenas) no Steam.

Contudo, repare que, ao contrário do Oddworld: Soulstorm, esses dois exemplos de sucesso são jogos multiplayer. É natural que ao ver seus amigos se divertindo com outras pessoas, aqueles que não assinavam a PlayStation Plus também quisessem fazer parte da brincadeira, mas repetir o feito em um título single-player não seria tão fácil.

Mas apesar de Lanning ter parecido convicto de que as vendas foram prejudicadas por o jogo ter sido oferecido na PlayStation Plus, essa é uma conta complicada de fazer. Obviamente ele não acredita que sua criação teria alcançado uma quantidade tão grande de pessoas se não estivesse no serviço, mas isso não nos impede de questionar: quantas delas deixaram de comprar o jogo por serem assinantes?

De qualquer forma, essa reclamação é parecida com a do pessoal da People Can Fly, que jogou a culpa pelas baixas vendas do Outriders no fato dele ter sido disponibilizado no Game Pass. Curiosamente, essa opinião foi oposta a o que defendeu o presidente da Square Enix, empresa que fora responsável pela publicação do jogo de tiro.

Outer Wilds, jogo que se beneficiou do Game Pass (Crédito: Divulgação/ Mobius Digital)

Em se tratando do Game Pass, muitos estúdios afirmam que se não fosse por ele, seus títulos nunca teriam alcançado o sucesso. Isso aconteceu, por exemplo, com o Outer Wilds, um ótimo jogo, mas que provavelmente passaria despercebido por muitas pessoas que não estariam dispostas a comprá-lo, como o próprio diretor admitiu:

Nós estamos no Game Pass para o Xbox e tem sido realmente fantástico, porque penso que isso trouxe muitos jogadores para o game e que poderiam nem saber sobre ele de outra forma. Então penso que isso tem sido uma grande mudança. Da mesma maneira que eles mudaram os mundos da TV e dos filmes, os sistemas de assinaturas também impactarão a indústria de games significativamente. Nós estamos começando a ver isso e começando a ver eles talvez desbloquearem o mercado para coisas mais estranhas e mais originais que antes seriam mais arriscadas.

Portanto, disponibilizar um jogo na PlayStation Plus ou no Game Pass é uma decisão que deve ser tomada com muito cuidado, com o estúdio precisando considerar diversos fatores. No caso do serviço da Microsoft, a própria rotatividade de títulos serve como incentivo a garantirmos uma cópia antes que ele saia do catálogo, por isso a comparação com o sistema de assinatura da Sony talvez não seja tão válida.

Mas, pensando do lado cá, apenas como consumidor e como um apaixonado por games, o meu desejo é para que a maior quantidade (e variedade) possível de títulos sejam oferecidos nesses serviços. Já conheci muita coisa interessante graças a eles e muitas vezes acabei adquirindo jogos justamente pela oportunidade de testá-los antes.

Fonte: Gamespot

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