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Follow-up: russos atribuem contaminação radioativa de médico a caranguejos de Fukushima

Depois do acidente com o míssil de propulsão nuclear na Rússia o governo negou conhecimento, mas agora capricharam, com uma explicação inacreditável pra contaminação radioativa sofrida por um médico.

29/08/2019 às 19:13

Dia 8 de agosto de 2019, um míssil russo foi parte de um acidente que provocou uma contaminação nuclear não especificada, Moscou como sempre nega tudo, mas agora conseguiram negar mais ainda e de forma cômica.

Tá tudo tranquilo no acidente nuclear na Rússia

Sutileza nunca foi o forte dos russos e eles têm dificuldade em entender que os velhos métodos não funcionam em um mundo conectado, mas ao menos isso rende diversão pra quem está de longe e o acidente em Severodvinsk está sendo tratado de forma incrivelmente soviética.

Depois que vídeos mostrando dosímetros detectando radiação de fundo até 20 vezes acima do normal e com o prefeito da cidade alertando para o perigo da radiação (e depois desmentindo), foi a vez dos detectores da Comprehensive Test Ban Treaty Organization, uma organização mundial que tem equipamentos espalhados pelas nações nucleares, para identificar detonações e acidentes radioativos.

Depois do acidente do dia 8, no dia 10 os dois detectores mais próximos ao local do acidente pararam de funcionar. Assim, do nada. No dia 13, mais três detectores no caminho da nuvem radioativa inexistente também saíram do ar.

Ou seja: os russos dizem de cara limpa que "não detectaram nada". Exceto que não avisaram ao Departamento Nacional de Meteorologia, que confirmou ter identificado Estrôncio-91, Bário 139, Bário-140 e Lantânio-140 entre as emissões do acidente.

Isso descartou o equipamento explodido ser um MMRTG, aqueles geradores térmicos a plutônio usados na Curiosity, Apollo e um monte de outros projetos. Esse tipo de isótopo simplesmente não aparece em decaimento nuclear de plutônio. O que intrigou alguns foi que um reator nuclear explodido deveria produzir também césio-137 e ele não foi detectado.

Césio-137 foi detectado

O material foi detectado não no ar, mas em um dos médicos que tratou os técnicos que se feriram no acidente e que mais tarde vieram a falecer.

Um dos médicos contou que quando os pacientes chegaram no hospital regional de Arkhangelsk, disseram que eles já estavam descontaminados e que era pra ele "fazer seu trabalho". Mais tarde os próprios médicos apareceram contaminados, mas os agentes de segurança fizeram com que assinassem acordos de confidencialidade.

Levado para Moscou para ser examinado por especialistas em medicina nuclear, eles acharam a origem do Césio-137 em seus músculos: ele havia visitado a Tailândia alguns meses atrás, deve ter comido algum caranguejo de Fukushima, e por isso está radioativo, nada a ver com o suposto acidente com o reator do míssil em Severodvinsk.

É o governo Putin pensando em você.

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