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Wargroove — Review

Com excelentes mecânicas e muito conteúdo, Wargroove é um tributo expandido e melhorado do clássico estratégico Advance Wars

08/08/2019 às 9:30

Wargroove é o segundo jogo da Chucklefish, desenvolvedora londrina que ficou famosa ao distribuir o sucesso Stardew Valley. Starbound, seu título anterior é uma aventura espacial com um universo procedural similar a No Man's Sky (ele saiu um mês antes), mas com personalidade própria e muitos pixels coloridos.

Em Wargroove, o cosmos dá lugar a um ambiente medieval único, que referencia e atualiza as mecânicas do clássico estratégico Advance Wars.

Chucklefish Games / Wargroove

A Arte da Guerra (pixelada)

Wargroove é um jogo de estratégia amplo e em alguns momentos um tanto complexo, que pode assustar numa primeira olhada o jogador que não está acostumado a títulos do gênero. No entanto, ele possui uma excelente curva de aprendizado e os primeiros estágios do modo Campanha (obrigatório para desbloquear os demais) pegam na sua mão e ensinam todo o caminho das pedras. Em pouco tempo, você já dominou toda a mecânica.

Na aventura você assume o controle da jovem rainha Mércia de Carmesinta, que não só tem que lidar com a coroa que caiu sobre sua cabeça após o assassinato do pai, como com ameaças constantes de inimigos de uma região vizinha. Para vencer, ela e seus amigos terão que fazer alianças com reinos vizinhos, só que cada reino a seu modo está buscando objetivos semelhantes, o que obviamente leva a conflitos entre todos.

Chucklefish Games / Wargroove

A jogabilidade de Wargroove é bem similar à de Advance Wars, bem como a dos títulos da série Fire Emblem: há quatro facções no jogo, sendo elas o reino de Carmesinta, o império de Cantoária, as tribos de Plantáquio e a legião de Vilheim. Cada um possui seu exército com os mesmos tipos de destacamentos (soldados, piqueiros, navios de guerra, combatentes alados, dragões e etc.), mudando apenas a aparência e os atributos de terreno.

Isso porque cada reino fica localizado em uma região do mapa: Carmesinta numa planície, Cantoária no deserto, Plantáquio na floresta e Vilheim na região gelada, isso porque o reino é composto apenas por mortos-vivos, com exceção do comandante Valder.

Chucklefish Games / Wargroove

Em cada combate, você deve gerenciar suas tropas e posiciona-las adequadamente no mapa, observando suas características especiais (arqueiros tem reforço de dano quando atacam sem se moverem no mesmo turno, piqueiros ativam o crítico quando outra unidade igual está ao seu lado e por aí vai), sempre ficando de olho nas suas finanças. Conquistar vilas garante renda e impede que o inimigo ganhe dinheiro a cada turno, de forma que ele não possa recrutar reforços. Claro, o contrário também se aplica.

Os mapas são tremendamente variados, indo de planícies a florestas, rios, montanhas, praias, campos nevados e etc., cada um concedendo vantagens e desvantagens para tropas específicas e facções diferentes; por exemplo, as forças de Plantáquio tem a vantagem em florestas, enquanto as de Cantoária se saem melhor em áreas desérticas.

Em algumas batalhas, você terá que vencer observando algumas condições, como se mover um determinado número de vezes, derrotar o inimigo em X turnos, sobreviver por um determinado tempo e etc. Para ter sucesso, é preciso conhecer bem as capacidades de suas tropas, bem como o terreno e as possibilidades de seus inimigos. Na verdade, é bem menos complicado do que pode parecer.

Chucklefish Games / Wargroove

Wargroove Is In The Heart

Como em todo jogo de estratégia, são os comandantes quem possuem as chaves para a vitória. São 12 ao todo, divididos em três para cada facção. Eles possuem habilidades especiais, chamadas de Groove (daí o nome do jogo), que dependendo do personagem variam entre ataques poderosos, curar suas tropas, chamar reforços, criar barreiras, reforçar defesas e etc.

A utilização dos comandantes é essencial para se vencer obstáculos dos mais variados e desafios para lá de cabeludos, não só no modo história mas também nos modos Arcade e Multiplayer, ou no modo Enigma, onde você tem que vencer apenas um turno mas em condições insanas, em que o jogador terá que botar a cabeça para funcionar e resolver o problema.

Fora que os comandantes, sendo os personagens principais do jogo são cheios de carisma e personalidade. Diga a verdade, onde você já viu um cachorro mais majestoso do que César? É dele inclusive um dos Grooves mais úteis de Wargroove, conceder uma ação a mais para tropas próximas.

Na parte técnica, a pixel art de Wargroove não só mantém a ligação com Advance Wars, mas são extremamente refinados e mais belos do que os vistos em Starbound, ficando no mesmo nível de Stardew Valley. As músicas são excelentes e ambientam bem cada um dos tipos de mapas do jogo; há uma imensa quantidade de modos de jogo, incluindo o de edição, onde você pode criar os seus próprios mapas e desafios. Por fim, conquistas durante o progresso habilitam recursos e modos ocultos e o jogo está totalmente localizado para o português brasileiro, em todas as plataformas.

Só que nem tudo é festa. A interface é menos clara do que deveria, não listando os botões e escondendo funções muito úteis, como a que acelera a ação ou a que posiciona o cursor automaticamente na próxima unidade. A grande quantidade de menus também pode causar confusão nos desavisados, enquanto a IA tende a tomar decisões burras, como mandar uma unidade fraca para um ataque suicida.

Embora você possa tirar vantagem disso, seria interessante se o jogo fosse um pouco mais esperto nesse aspecto.

Chucklefish Games / Wargroove

E temos o cross-play. Quando Wargroove foi lançado em fevereiro de 2019 para Windows, Xbox One e Nintendo Switch, ele já contava com o modo multiplayer padrão entre plataformas. Em julho o jogo aportou no PS4 e para variar a Sony podou o recurso em seu sistema, o que rendeu críticas duras de Finn Brice, CEO da Chucklefish. Como sempre, bola fora dos japoneses.

Conclusão

Wargroove pode ser um tanto complicado às vezes, sem falar que a partir de um determinado momento a dificuldade escala exponencialmente, mas ele ensina muito bem as mecânicas ao jogador, que caso decida se dedicar ao título, poderá em pouquíssimo tempo superar todas as adversidades.

Some a isso uma pixel art extremamente bonita, sons e músicas bem executadas e uma história e personagens interessantes e carismáticos (meu próximo cachorro vai se chamar César), e você tem um jogo que não só homenageia, mas atualiza e expande de forma excelente as mecânicas de Advance Wars.

Wargroove é um caso onde a homenagem conseguiu superar o homenageado, mantendo a essência e modernizando todo o resto, com a adição de diversos modos de jogo e um modo de edição bastante completo. Embora hajam problemas, como menus complicados e uma IA um tanto burrinha, nada tira o mérito do jogo que entra para o grupo seleto dos melhores títulos de estratégia dos videogames.

Só falta mesmo a Sony tomar tenência e liberar o cross-play.

Wargroove — Ficha Técnica

  • Plataformas —PS4, Xbox One, Nintendo Switch e Windows via Steam (análise baseada na versão para PS4 Pro);
  • Desenvolvedora/Distribuidora — Chucklefish;
  • Preço — R$ 61,50 para PS4, R$ 38,95 para Xbox One e R$ 37,99 para Nintendo Switch ou Windows;
  • Classificação Indicativa — 10 anos.

Pontos Fortes

  • Excelente curva de aprendizado;
  • Diversos modos de jogo;
  • Multiplayer sólido, com cross-play entre jogadores de Windows, Xbox One e Switch.

Pontos Fracos

  • A interface pode se mostrar um pouco confusa às vezes;
  • A IA do jogo tem a disposição para agir de modo esquisito;
  • Sem cross-play no PS4, para variar (valeu, Sony).

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