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Open Wide, O Earth, Chernobyl, Episódio 3 – Resenha (com spoilers)

Na 3a resenha de Chernobyl falamos sobre o melhor dos episódios da série (até agora), que mostra algumas das terríveis consequências do acidente nuclear

16 semanas atrás

Chegamos ao terceiro episódio de Chernobyl, que de alguma forma consegue superar os anteriores (que já foram excelentes), e é por si só uma pequena obra de arte, um adjetivo que também se aplica a essa fantástica minissérie. Assim como as minhas resenhas do primeiro e segundo episódios, esta aqui também está repleta de spoilers, assim não continue lendo se não tiver visto Open Wide O Earth, terceiro episódio da série.

Cena do terceiro episódio de Chernobyl

No começo do episódio, tudo parece estar resolvido ou ao menos bem encaminhado, a missão dos funcionários da usina (transformados em mergulhadores) acabou sendo bem sucedida, mesmo no escuro, e as coisas parecem que finalmente vão entrar nos eixos. Não é o caso, mas pelo menos temos um momento feliz, o desfecho do final angustiante do último episódio, com a reação de alegria e os aplausos de todos do lado de fora da usina quando os três heróis finalmente saem de lá.

A série então nos leva até um hospital em Moscou, onde vemos Lyudmilla (Jessie Buckley) tentando visitar seu marido Vasily. Ela consegue subornar uma funcionária e obter acesso, e mesmo após ser avisada por uma médica sobre os riscos que está correndo, ela consegue uma autorização para encontrar seu marido por 30 minutos, com a condição de não encostar nele.

Cena do terceiro episódio de Chernobyl

A médica ainda pergunta se ela não está grávida, e ela mente dizendo que não. Ao chegar no quarto, ela encontra Vasily com os sintomas de queimaduras, e logo o abraça. O cruel dessa cena é que ele está passando por um bom momento, mas nós sabemos que a radiação em breve irá levá-lo, e da pior forma possível. Lyudmilla vai ver o estado do seu marido piorar terrivelmente em poucas horas, enquanto continua a ser contaminada pela presença dele.

Vemos então a revolta de Legasov com Shcherbina sobre o tamanho da zona de exclusão, que naquele momento era de 30 km2. Os dois então recebem a notícia de que a temperatura aumentou e que o tão temido derretimento começou. Enquanto isso, Gorbatchov está lendo a repercussão do acidente em jornais estrangeiros, e então liga para Shcherbina, que explica a nova complicação que o núcleo pode romper a camada de concreto e atingir o lençol freático do rio Pripyat, e assim envenenar a fonte de água de 50 milhões de pessoas.

Shcherbina explica ao seu chefe a ideia de Legasov de resfriar o local embaixo da camada de concreto para evitar o derretimento, e que irá precisar de todo o nitrogênio líquido da União Soviética para isso. Antes de terminar a ligação, Legasov entra na linha e fala sobre o tamanho insuficiente da zona de exclusão, o que leva o líder soviético a desligar na cara deles.

Os dois vão dar um volta, no qual Shcherbina pergunta o que irá acontecer com as pessoas envolvidas com o acidente, e Legasov explica em detalhes todo o processo que está acontecendo com os bombeiros no hospital, incluindo o período de latência, no qual eles parecem estar se recuperando.

O quadro que Legasov pinta para seu amigo Boris é assustador: "os danos celulares começarem a se manifestar, e a medula óssea falha. O sistema imunológico falha. Os órgãos e tecido mole começam a se decompor. As artérias e veias vazam como uma peneira, ao ponto de não conseguir dar morfina para a dor, que é inimaginável. Dentro de três dias a três semanas, você está morto. É o que vai acontecer com esses rapazes."

Shcherbina então pergunta sobre o que irá acontecer com ele e Legasov, e a resposta é que os dois estão tomando uma dose contínua de radiação, e que apesar de não correrem um risco imediato, com o tempo irão ficar doentes e morrer por consequência disso. Depois Legasov conversa com Ulana e sugere a ela que vá até o hospital em Moscou para tentar descobrir o que houve com os funcionários que estavam na sala de controle na hora do acidente.

Cena do terceiro episódio de Chernobyl

Na próxima cena conhecemos os mineiros de Tula, na Rússia Soviética, que recebem a visita do ministro da indústria de carvão, que vai requisitar a ajuda deles para cavarem o túnel embaixo do reator em Chernobyl. A reação deles mostra que os mineiros não são de brincadeira. O ministro explica que eles são basicamente a última esperança para evitar um desastre ambiental, o que leva o chefe dos mineiros Glukhov (Alex Ferns) e seus homens a aceitarem a missão.

Cena do terceiro episódio de Chernobyl

A cena deles indo para os caminhões e dando tapinhas sujando o paletó do ministro é excelente, com direito a frase do mineiro vivido pelo ótimo ator James Cosmo (Lorde Comandante Mormont de Game of Thrones), dizendo que agora ele realmente se parece com o ministro do Carvão.

No hospital, Lyudmilla segue grudada no seu marido radioativo, e em uma cena tocante, diz pra ele que está vendo a Praça Vermelha da janela do hospital, quando na verdade não está vendo nada. Ulana chega ao hospital e tenta falar com Dyatlov, que a manda embora.

Ao chegarem a Chernobyl, os mineiros recebem máscaras de ar e encontram Legasov, que tinha aconselhado por Shcherbina a falar a verdade para os chefe deles. Legasov explica que todo o trabalho terá que ser feito manualmente. Após Shcherbina sugerir começar a cavar o túnel no dia seguinte, o chefe dos mineiros diz que irá começar imediatamente, para não deixar seus homens lá nem mais um minuto do que o necessário.

Depois de começarem o trabalho, o chefe descobre que não eles não podem usar ventiladores para amenizar o calor de 50 graus dentro do túnel, o que vai motivar uma cena curiosa, ainda que provavelmente não tenha acontecido de verdade.

Ulana continua sua investigação sobre a noite do acidente, conversando com Toptunov, engenheiro-chefe sênior do controle do reator, que assim como Vasily, está em um estado avançado dos efeitos da radiação. Ela mostra todo o espanto de nós espectadores ao ver que ele exercia um cargo de tamanha importância na usina com seus 25 anos de idade.

Luydmilla encontra com a médica que tinha recomendado que ela ficasse lá por só meia-hora. A médica explica a ela o que está acontecendo, e pede a ela para ficar do outro lado do plástico, ou irá pedir a segurança para retirá-la do hospital. É claro que ela não obedece, mais uma vez.

Shcherbina encontra Legasov, e avisa a ele que o incêndio acabou, e que os mineiros disseram que o trabalho vai terminar em quatro semanas. Os dois são chamados para ver os mineiros, que por conta do calor, estão trabalhando pelados. O chefe dos mineiros então pergunta a Shcherbina se eles irão ser cuidados depois de terminarem o trabalho, e Boris responde que não sabe.

A olhada que Glukhov dá pra Legasov é possivelmente um dos motivos para o personagem ter tomado a decisão de tirar sua vida no começo da série, dois anos depois do acidente, já que o plano de colocar eles nessa situação tinha sido dele.

O pior dessa história é que, de acordo com o ótimo podcast que acompanha a série, o criador Craig Mazin conta que todo esse trabalho e sacrifício dos mineiros foi em vão, pois não houve o derretimento, e todo o risco que eles enfrentaram foi baseado na probabilidade de 50% de chance de acontecer o pior.

No hospital, Toptunov conta a Ulana que no teste feito na noite do acidente, informou o aumento súbito de temperatura a Akimov, que apertou o botão para o desligamento de emergência, e foi aí que tudo explodiu. Ulana vai confirmar isso com Akimov, que confirma que apertou o botão antes da explosão, e diz a ela que não entende por qual motivo o acidente aconteceu.

Ulana então encontra Lyudmilla e a retira do quarto, e fica chocada com isso. Ela pergunta a médica se sabe que ela está grávida, e avisa que todo mundo vai ouvir sobre o que está acontecendo naquele hospital. Nesse momento, se materializa um agente da KGB, que demonstra preocupação com a frase de Ulana, e quer saber o que é que todo mundo irá saber.

Shcherbina e Legasov se encontram antes de uma reunião do comitê, e Boris conta a ele que Ulana foi presa na noite anterior, mas que já está tentando resolver a questão. Na reunião, Shcherbina informa a todos de seus progressos aparentes, e se dirige diretamente ao vice-diretor da KGB, Charcov (vivido pelo ator Alan Williams), perguntando se eles contam com o seu apoio.

Legasov então lembra a todos que a área de 260 km2 ao redor da usina está com detritos radioativos e contaminação, e precisa ser evacuada, e todos os animais nessa área precisarão ser destruídos, e que eles precisarão construir uma estrutura para conter a usina, e que tudo isso vai se traduzir em ainda mais mortes.

Shcherbina conta que eles irão precisar de três anos e 750 mil homens incluindo médicos e engenheiros para fazer o que ficou conhecido como a liquidação. Gorbatchov autoriza que eles prossigam e convoquem os liquidantes.

Ao final da reunião, Legasov interpela a Charcov para pedir a ele que liberte Ulana da prisão, e reclama que eles estão sendo seguidos. Charcov explica a Legasov como as coisas funcionam na KGB, e mostra que existem pessoas seguindo todo mundo, até ele mesmo: "a KGB é um círculo de responsabilidade, nada além."

Ele também diz que confia em Legasov e Shcherbina, mas como diz um velho provérbio russo: "confie, mas verifique". Charcov ainda faz uma piada de como os americanos acham que Ronald Reagan teria inventado o ditado.

Cena do terceiro episódio de Chernobyl

Legasov vai tirar Ulana da prisão, em uma cena que foi gravada dentro de uma prisão real da KGB (mais uma informação do podcast de Chernobyl). É lá que Ulana conta a Legasov que Akimov não tinha mais rosto, algo que felizmente não foi mostrado em cena. Ulana explica a Legasov que o botão de cancelamento foi apertado antes da explosão, o que indicaria que a falha não teria sido humana, e sim de projeto.

Legasov diz a ela que ela deve prosseguir na sua investigação, e conta que ordenou que os mineiros fizessem a escavação, que ele mesmo não tem certeza que será necessária. Esse episódio tem várias cenas incríveis, e a da prisão da KGB certamente é uma delas, mas nada que se compare ao impacto do final, no qual vemos o destino dos bombeiros do primeiro episódio.

Em uma montagem que intercala a convocação dos jovens que irão trabalhar na liquidação do acidente, com uma Lyudmilla desnorteada enquanto os caixões dos bombeiros são preparados para o enterro. O clima é sombrio, assim como a música da compositora Hildur Guðnadóttir.

Os caixões são então colocados em um buraco e cobertos por cimento, e o diretor nos mostra o rosto de Lyudmilla e dos demais parentes das vítimas. É impossível não se sentir preso e angustiado na cena final na qual o concreto vai sendo despejado em cima dos caixões.

Pra mim, todos os finais de episódios dessa minissérie foram bem fortes, mas até agora, esse foi o que me deixou mais abalado. Eu assisto aos episódios que resenho algumas vezes antes de escrever, e digo a vocês que essa cena não perdeu em nada o impacto, mesmo na segunda ou terceira vez que eu vi.

É claro que a história mostrada na série é bem diferente do que o que aconteceu na vida real, alguns personagens como Ulana nem existiram de verdade, enquanto outros foram totalmente modificados, mas acredito que a essência do que aconteceu esteja sendo mostrada e respeitada.

Como uma história dramática, Chernobyl é realmente excelente, e também tem o mérito de chamar a atenção para a história real, que pode ser descoberta através dos vários livros e documentários sobre o acidente, alguns dos quais já estão na minha lista.

Leia nossa resenha do quarto episódio, The Happiness of All Mankind.

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