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Please Remain Calm, Chernobyl, Episódio 2 – Resenha (com spoilers)

No segundo episódio de Chernobyl, Please Remain Calm, começamos a conhecer melhor quem são os heróis dessa história. Leia nossa resenha com spoilers

16 semanas atrás

Essa é uma resenha com spoilers de Please Remain Calm, segundo episódio de Chernobyl, nova série da Sky e HBO, assim se você não assistiu este episódio, por favor pare de ler por aqui, ou se prepare para ser exposto a vários níveis de spoilers.

Jared Harris e Emily Watson em cena do segundo episódio de Chernobyl

Antes de continuar post, caso ainda não tenha feito isso, recomendo ler a minha resenha sobre o primeiro episódio, 1:23:45, que foi publicada na semana passada, e que também tem um bom número de spoilers. Assim como os outros cinco episódios da série, a direção é de Johan Renck, e o roteiro assinado por Craig Mazin, ambos trabalhos de altíssima qualidade.

Esse episódio começa sete horas depois do acidente nuclear, no Instituto Bielo-russo de energia nuclear em Minsk, Bielorússia, onde vemos a física nuclear Ulana Khomyuk que descobre uma emissão de radiação vindo do lado de fora da janela do seu laboratório.

Ela e seu assistente ligam para a Usina Nuclear de Ignalina, na Lituânia, mas descobrem que o problema não era lá. A outra usina mais próxima seria a de Chernobyl, mas ela fica muito distante para o nível de emissão detectado. De qualquer forma, Ulana liga para lá, e descobre que eles não estão atendendo o telefone.

Como Minsk fica a mais de 340 km de Pripyat, Ucrânia, onde ficava a usina de Chernobyl, a cena nos mostra a rapidez como a radiação está se espalhando por vários países da União Soviética em direção a Europa.

Ulana, como eu disse no meu outro post, é uma personagem fictícia, criada para simbolizar a grande quantidade de mulheres envolvidas com ciência na antiga União Soviética nos anos 80. Ulana tem a função de representar vários cientistas (homens e mulheres) que trabalharam muito ao lado de Legasov para amenizar o desastre.

Ela é essencial para a trama, pois faz o alerta ao personagem principal, Legasov (Jared Harris) sobre o grande risco de uma nova explosão, que aumentaria ainda mais a catástrofe. Ao mesmo tempo em que angustia até a nossa alma, a série também mostra como os humanos conseguem se superar para resolver problemas que aparentemente eram impossíveis.

A série então nos mostra os grandes esforços de Lyudmilla Ignatenko (vivida pela excelente Jessie Buckley) pra tentar entrar no hospital e encontrar o seu marido Vasily (Adam Nagaitis), um dos bombeiros que chegaram primeiro para combater o "incêndio" no primeiro episódio.

Lyudmilla estava grávida, e deveria ficar o mais distante possível do seu marido, mas infelizmente, ela não parecia ter a menor noção do que estava acontecendo, assim como tantos personagens da série. O casal Ignatenko teve sua trágica história contada por Svetlana Alexievich em seu livro Vozes De Tchernóbil - A História Oral Do Desastre Nuclear, lançado em 1997.

Essa cena nos mostra a situação de horror extremo do hospital no qual os bombeiros estão sendo tratados, ainda que de forma ainda rudimentar, pelos médicos. Quando eles percebem que as roupas são uma fonte de radiação, e elas são recolhidas.

Enquanto isso, em Moscou, Legasov se prepara para participar da reunião da comissão com a presença do próprio Mikhail Gorbatchov, vivido pelo ator David Dencik. Lendo o relatório enquanto espera, ele entende a gravidade da situação, e o desespero mostrado no olhar por Jared Harris é digno de muitos aplausos.

Ao entrar na reunião, nós conhecemos Boris Shcherbina, o personagem de Stellan Skarsgård, que a princípio está repetindo o mesmo discurso dos políticos do comitê local do episódio passado, já que isso foi o que eles informaram a ele.

Quando a comissão já está se preparando para encerrar a reunião, Legasov se pronuncia, primeiro de forma frenética e desesperada tentando passar toda a gravidade da situação, e após ser questionado por Gorbachev, de forma mais calma, citando o exemplo de que "todo átomo de urânio-235 é como uma bala viajando à velocidade da luz, penetrando tudo em seu caminho."

Legasov também explica que existe grafite exposto no chão ao lado da usina, o que indica que o reator teria explodido. Shcherbina então é apontado por Gorbatchov para investigar o caso, e se torna efetivamente o chefe de Legasov, e ambos são enviados até Chernobyl para avaliar a situação.

O episódio nos mostra uma cena emblemática na qual Ulana conta a sua terrível descoberta ao seu superior, que diz a ela para esquecer toda a história. Ela lembra a ele que é física nuclear e que ele é só um ex-diretor de uma fábrica de sapatos, algo do qual ele se orgulha. Essa cena diz muito sobre as o nível das autoridades na então União Soviética.

A cena no helicóptero na qual Shcherbina diz a Legasov que se ele não explicar como funciona um reator nuclear, irá ordenar aos soldados que o joguem pra fora, mostra bem quem são os dois personagens, e mostra como o oficial está interessado em ajudar o físico nuclear a resolver o problema, ainda que da sua maneira peculiar.

Stellan Skarsgård e Jared Harris em cena do segundo episódio de Chernobyl

Ao chegarem a Chernobyl, Shcherbina encontra os três patetas responsáveis, o engenheiro-chefe Fomin, Viktor Bryukhanov (Con O'Neill) e o coronel-general Pikalov (Mark Lewis Jones), e os dois primeiros procuram enrolá-lo de alguma forma. Como Shcherbina tinha acabado de ter uma explicação básica sobre como funcionava um reator, pergunta ao político como ele tinha visto grafite no telhado, desarmando seus argumentos.

A partir daí, é decidido que eles precisam ter uma medição real da radiação na usina. Por não querer arriscar um dos seus homens, o próprio Pikalov resolve servir de cobaia para usar o novo dosímetro que acabou de chegar em um carro, e fazer o registro real da radiação.

É interessante como ele arrebentou o portão fechado de ré, para não estragar o dosímetro na frente do caminhão. O resultado do teste indica 15.000 Röntgen, muito acima do esperado, e Legasov explica a Shcherbina que eles irão precisar despejar sal e boro de helicópteros em cima do reator.

Em uma visita ao bar do hotel, vemos que Legasov também precisa mentir para conter a história, o que certamente irá pesar em sua consciência mais tarde. No dia seguinte, vemos que a missão dos helicópteros derrubarem sal e boro é praticamente suicida, mas sem ver outra forma, Legasov ordena que as tentativas continuem.

Stellan Skarsgård em cena do segundo episódio de Chernobyl

Em uma cena no hotel, e depois de muita insistência de Legasov, ele finalmente consegue convencer Shcherbina que eles terão que evacuar a cidade e a área ao redor da usina. No meio da conversa, Shcherbina recebe uma ligação e conta a Legasov que a radiação já foi detectada na Alemanha, e as crianças não estão podendo sair de casa. Ao olhar pra fora, ele vê as crianças indo para a escola, sem a menor preocupação, com a nuvem de fumaça ao fundo.

Stellan Skarsgård e Jared Harris em cena do segundo episódio de Chernobyl

Através de uma transmissão de TV, vemos como o impacto está sendo sentido no resto do mundo. A partir daí, temos a cena da passagem dos ônibus que irão evacuar as pessoas e 36 horas depois do acidente, parece que a ficha definitivamente caiu, e os 49 mil habitantes da cidade de Pripyat são evacuados, deixando praticamente tudo para trás.

Quando Ulana chega a Chernobyl, ela consegue ser levada a uma reunião com Legasov e Shcherbina, na qual ela explica que os tanques estão cheios de água, e que os riscos estão muito mais altos.

Stellan Skarsgård, Jared Harris e Emily Watson em cena do segundo episódio de Chernobyl

A próxima cena mostra os três em uma reunião no comitê em Moscou, sendo cobrados diretamente pelo líder soviético. Eles explicam o novo risco a Gorbatchov, e Legasov pede permissão a ele para enviar trabalhadores da usina para abrirem as válvulas para esvaziar os tanques.

De volta a Chernobyl, Legasov e Shcherbina explicam aos funcionários que eles terão que mergulhar na água radioativa, em troca de alguns trocados e promoções. Shcherbina apela ao patriotismo e senso comum dos funcionários, e três voluntários (e heróis) acabam aceitando o desafio.

O episódio termina da forma mais arrepiante possível, com as lanternas apagando e os funcionários dentro da água no escuro.

Leia nossa resenha do terceiro episódio, Open Wide, O Earth.

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