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Google apresenta o Stadia, seu novo serviço de jogos por streaming

Prometendo games em 4K e a 60 FPS, Stadia é o tão aguardado serviço de streaming que o Google disponibilizará ainda este ano.

26 semanas atrás

Há pouco mais de um ano começou a circular pela internet o rumor de que o Google estava planejando uma entrada definitiva na indústria de games. Os boatos falavam que o foco da companhia sediada em Mountain View estaria no streaming, o que acabou se confirmando meses depois, com o anúncio do Project Stream.

Eis que com a realização da Game Developers Conference esta semana, a empresa enfim decidiu revelar detalhes do projeto, agora conhecido como Stadia e assim como previsto, ele realmente estará centrado em nos entregar jogos eletrônicos pela internet.

Sustentado pela rede de datacenters da empresa que cobre 19 regiões, 58 zonas e mais de 200 países, a promessa é de entregar a mais de dois bilhões de pessoas jogos com resolução 4K e a 60 FPS, tudo isso sem a necessidade de um hardware dedicado.

Rodando em GPUs com 10,7 teraflop, o Google afirma que o Stadia será mais poderoso que um Xbox One X (6 teraflop) e um PlayStation 4 Pro (4,2 teraflop) juntos, sendo que no futuro os títulos oferecidos pelo serviço poderão alcançar uma resolução 8K e 120 FPS. Como exemplo eles usaram o caso do Doom Eternal, título que ainda nem foi lançado e que nos servidores do serviço já alcança 4K com HDR habilitado.

O controle do Stadia

Embora funcione com os controles USB já existentes e possa rodar em praticamente qualquer aparelho conectado a web, o Stadia receberá um gamepad exclusivo e que além de possuir um design parecido com o do DualShock 4, conta com alguns recursos interessantes. O primeiro é o fato dele poder se conectar diretamente à nossa rede por wi-fi, o que ao menos na teoria deverá diminuir o tempo de resposta durante as partidas.

O controle ainda trará um botão de captura, com o qual poderemos gravar e/ou compartilhar nossa sessão de jogatina em 4K e 60 FPS. Além dele teremos um botão Google Assistant, que ativará o microfone do acessório e assim nos permitirá pedir ajuda a um assistente de inteligência artificial. Ele poderá então abrir um detonado ou mesmo nos dar dicas do que fazer para passar um determinado trecho do game.

A interatividade com o Youtube

Diretamente conectado ao Youtube, com o Stadia será possível iniciar imediatamente um jogo sobre o qual estejamos assistindo algum vídeo. Imagine por exemplo uma editora divulgar um trailer e no final termos apenas que clicar num botão específico para já começar a jogar, sem longas demoras ou downloads.

Outro recurso muito interessante oferecido pelo serviço será a opção dos desenvolvedores deixarem que o seu público inicie diretamente num determinado desafio ou momento do jogo. Já no caso de streamers o Stadia permitirá por exemplo que os espectadores entrem numa partida que essas pessoas estejam disputando. Essa novidade poderá mudar completamente a maneira como consumimos material relacionado a games, estreitando consideravelmente a relação entre os criadores de conteúdo e seu público.

As parcerias e as exclusividades

De acordo com o pessoal do Google, hoje a empresa já conta com o suporte de centenas de desenvolvedoras de games, entre elas gigantes como a Take-Two, Ubisoft e Bethesda. A ideia é oferecer pelo serviço os principais títulos da indústria, mas sabemos que no início de uma plataforma essas promessas de apoio sempre acontecem e por isso recomendo cautela.

Por outro lado, a companhia aproveitou a ocasião para anunciar a fundação da Stadia Games and Entertainment, divisão que ficará responsável por desenvolver jogos internamente e que será chefiada por ninguém menos do que Jade Raymond. Veterana da indústria, a canadense passou por companhias como EA e Ubisoft, onde por sinal participou da criação de jogos como Assassin's Creed, Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist e Watch Dogs.

Por enquanto nada foi dito sobre o que sairá desta iniciativa, mas Raymond confirmou estar dedicada a criar títulos específicos para o Stadia.

Uma plataforma (teoricamente) sem barreiras

Se funcionar conforme o prometido, um dos pontos positivos do Stadia será a maneira como o Google nos dará liberdade, já que além dos jogos disponíveis para ele contarem com modos multiplayer que funcionarão com qualquer outra plataforma, ainda poderemos importar os saves criados nelas.

O grande problema em relação a isso é que por enquanto não sabemos quais empresas permitirão essa integração com o Stadia, mas ao menos a Gigante de Mountain View já garantiu que poderemos iniciar uma partida num aparelho e continuá-la em outro, inclusive exatamente de onde paramos.

Quando, onde e por quanto?

Com previsão de chegar aos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e boa parte da Europa até o final deste ano, não chega a ser surpresa neste primeiro momento o Brasil ter sido deixado de lado. Como dito anteriormente, os planos do Google é oferecer o Stadia em quase todo o planeta, mas não sabemos nem se a qualidade 4K e 60 FPS será oferecida em todo lugar (o que acho pouco provável).

Outro detalhe que poderá vir a ser um problema para o serviço é o preço que será cobrado por ele. Será que o Google venderá os jogos separadamente? Será que teremos a opção de apenas alugá-los? Ou será que a empresa está planejando algo como o Xbox Game Pass, onde mediante uma mensalidade temos acesso a um vasto catálogo? O ideal seria todas as opções, mas nos resta aguardar.

O início de uma revolução, ou só mais um teste?

Com tudo isso posto, confesso ter sentimentos conflitantes em relação ao Stadia. Por um lado gostei muito de algumas novidades, como a integração com o Youtube ou o controle, mas por outro fico pensado quanto tempo demorará até termos acesso a algo teoricamente tão magnífico.

A ideia de facilitar o acesso aos games é algo que sempre me conquistará, mas sabemos que devido as conexões precárias que temos por aqui, talvez apenas aqueles que morem em grandes capitais do Brasil conseguirão aproveitar o Stadia, se não em todo o seu esplendor, ao menos com uma boa qualidade.

Como alguém que há algum tempo vem acreditando que o futuro dos games inevitavelmente será o streaming, sinto-me bem tranquilo para dizer que não fiquei tão empolgado com o Stadia, principalmente por não ver muita coisa diferente se comparado com outros serviços semelhantes, como o PlayStation Now ou o OnLive.

Contudo, já disse e repito: se tem uma empresa que pode fazer pegar no breu esse tipo de distribuição de jogos, essa é o Google.

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