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Nintendo, Activision e as maneiras de tratar seus funcionários

Enquanto a Activision demitiu centenas de funcionários mesmo tendo faturamento recorde, números mostram que trabalhar na Nintendo pode ser um ótimo negócio.

37 semanas atrás

Por sermos tão apaixonados pelos games e por eles nos darem tanta diversão, é comum muitos de nós romantizar a maneira como a indústria funciona, achar que trabalhar em uma desenvolvedora é sinônimo de altos salários e apenas bons momentos. Porém, a verdade é que em boa parte das empresas as jornadas de trabalho são subumanas e de tempos em tempos ficamos sabendo de casos revoltantes.

Um dos últimos aconteceu na Rockstar Games, quando após serem acusados de explorar seus funcionários, o cofundador do estúdio Dan Houser admitiu em uma entrevista que as vezes essas pessoas chegavam a fazer 100 horas por semana. Depois disso ainda tivemos uma triste história envolvendo a Activision Blizzard, que mesmo tendo registrado o seu maior faturamento de todos os tempos, não teve um pingo de remorso de demitir 8% da sua equipe, o que resultou no desligamento de 800 pessoas.

O pior de tudo neste último caso é que a companhia que é dona de marcas como Call of Duty e World of Warcraft conta com seu diretore executivo numa lista com os 100 mais bem pagos dos Estados Unidos, sendo que o CEO Bobby Kotick é justamente aquele com o maior salário da indústria dos games.

Então, ao enviar um comunicado aos seus investidores para esclarecer tantas demissões, em determinado trecho a Activision Blizzard admitiu algo que todos já imaginavam: colocar tantas pessoas na rua poderá ter um impacto negativo na companhia:

Não existem garantias de que o nosso negócio será mais eficiente ou efetivo do que antes da implementação do plano [de demissões], ou de que planos de reestruturação adicionais não serão necessários ou implementados no futuro. A implementação deste plano de reestruturação também poderá ser dispendiosa ou prejudicial aos nossos negócios ou ter consequências negativas, como atritos além da nossa planejada redução de força de trabalho ou impactos negativos na moral dos funcionários e na produtividade, ou na nossa habilidade de atrair e manter funcionários altamente habilidosos. Qualquer dessas consequências poderão afetar negativamente o nosso negócio.

A declaração muito provavelmente não passa de uma tentativa de satisfação a aqueles que possuem ações da empresa, mas ela serve para mostrar como as decisões são tomadas friamente pelo alto escalão de megacorporações. Para mim, o que assusta nesse documento é quando eles falam que poderá ficar mais difícil conseguir contratar bons profissionais, já que isso se refere diretamente ao futuro da empresa.

Contudo, ainda é possível encontrar companhias capazes de despertar o interesse de pessoas que sonham em trabalhar com a criação de games e uma delas é a Nintendo. Ao publicar uma página de recrutamento, a BigN divulgou alguns números onde mostra que as condições de trabalho por lá parecem muito melhores do que costumamos ouvir em relação a outras empresas do ramo.

De acordo com uma tradução feita pelo analista Daniel Ahmad, os 2.271 funcionário da Nintendo trabalham em média 7 horas e 45 minutos por dia, com o salário anual girando em torno de US$ 80 mil por ano. Numa conversão simples, isso daria pouco mais de R$ 25 mil por mês e um detalhe que serve para mostrar o quão satisfeitos estão aqueles que trabalham na Nintendo é o tempo de permanência no quadrod e funcionários, que fica em 13 anos e meio.

Os números são ainda mais surpreendentes se pensarmos no quanto o Japão é criticado por ter uma média de horas semanais trabalhadas bem superior a o que é visto em outros países desenvolvidos. O que a Nintendo pode estar fazendo é se adequar aos incentivos locais que o governo tem dado para resolver essa situação, mas a verdade é que enquanto muitas editoras e desenvolvedoras vem sendo acusadas de explorar seus funcionários, lá pelos lado da Casa do Mario a situação estaria seguindo na direção contrária.

De qualquer forma, acredito que esses exemplos tornam mais fácil entender porque algumas companhias de games costumam ser tão amadas, enquanto outras são tão odiadas. E pelo jeito, em alguns casos essa rejeição só tende a piorar.

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