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Monitor QLED Samsung CHG90: ai, como era grande — Review

Com 49 polegadas e proporção 32:9, o Samsung CHG90 é um senhor monitor QLED para quem pode e está disposto a gastar muita grana

39 semanas atrás

Lançado no Brasil em novembro de 2017, o monitor QLED CHG90 da Samsung é um disparate, para dizer o mínimo: com 49 polegadas e uma curvatura de 1.800R, ele é um produto voltado para o consumidor gamer de bolsos bem fundos, e traz várias características para agradar esse público.

No entanto, ele pode ser bastante interessante para outros perfis de usuários, desde que estejam dispostos a pagar caro por ele.

Samsung / monitor QLED CHG90

Afinal, o CHG90 vale o seu peso em reais, ou tamanho realmente não é documento? Vem comigo que eu conto minhas impressões, após um mês de testes.

Design

O CHG90 impressiona desde o primeiro contato, e nem é preciso tira-lo da caixa para isso. Com uma inacreditável horizontal de 1,20 m, ele é enorme e obviamente, bem pesado. O método de instalação utilizando a base é o mesmo de uma TV, você precisa encaixar o suporte antes de tirar o monitor da embalagem, de modo a fazer tudo de uma vez.

Posiciona-lo na minha mesa deu menos trabalho do que eu esperava, considerando que o móvel é bastante antigo e compacto. Ainda assim, eu tive que ajustar a altura para que o monitor ficasse acima do baú à direita, e as pontas da base em "Y" acabaram para fora da bancada, como pode ser visto nas fotos.

Logo da Samsung no CHG90

Fica claro que o CHG90 não é um monitor indicado para quem possui restrições de espaço; é preciso uma bancada ampla para utiliza-lo da melhor maneira e um braço forte para erguer os 15 kg do conjunto, e por isso mesmo, você dificilmente ficará mudando-o de um lugar para outro, como uma... TV.

Uma vez instalado e configurado, entretanto, o CHG90 enche os olhos. Ele é inegavelmente bonito, possui uma construção bastante sólida e o acabamento em plástico preto fosco, com a base metálica o tornam um produto muito elegante. Curiosamente, ele possui um conjunto de LEDs azuis em círculo na traseira, bem na conexão do suporte, que o lembrarão de sua natureza gamer.

Eu preferia que o monitor não tivesse isso, mas pelo menos a Samsung teve o bom senso de escolher um tom azul agradável, que não incomoda tanto assim.

Samsung / parte traseira do CHG90, com destaque para o LED

Minha situação de uso é peculiar: minha máquina principal (e única no momento) é um Mac Mini Late 2012, que graças ao HDMI 1.2 suporta uma resolução limite de 1.920 x 1.200 pixels. Utiliza-lo com o CHG90 resulta em uma área de uso Full HD no centro, com duas laterais pretas de 960 x 1.080 pixels de cada lado (você pode ver o resultado aqui e aqui).

Já um dispositivo mais recente, como o Samsung Odyssey Z que eu estava testando no mesmo período (mais sobre ele em breve) pode fazer uso de toda a área de trabalho do monitor, e a sensação é... desconcertante. Conforme a proximidade, é impossível não olhar para os lados e não ver tela. Você pode ajustar a altura, o ângulo horizontal e o vertical, mas não pode rotacionar o CHG90 para deixa-lo na vertical, o que seria bizarro de qualquer forma.

Samsung / CHG90 visto de lado

A torre da base é oca, a capa plástica pode ser removida para que o usuário passe os cabos por dentro dela, de modo a organizar (um pouco, como você pode ver) a bagunça dos fios. Eu particularmente gosto dessa opção, quanto menos confusão melhor, mas há um certo limite de quantos cabos você consegue prender assim.

No meu caso, eu passei dois HDMI (um 4K, que é bem espesso), um P2 para o som e o cabo de energia, e foi isso. Caso eu desejasse usar o hub, o USB teria que passar por fora.

Falando nas conexões físicas, o CHG90 é bem servido: ele possui duas entradas HDMI 2.0, uma DisplayPort, uma Mini DisplayPort, uma entrada P2 para microfone, uma saída P2 para fones de ouvido e outra saída P2 para áudio, o que é bizarro: considerando que este é um produto de ponta, não ter alto-falantes embutidos é uma baita bola fora; mesmo monitores mais simples dispensam as caixas de som.

Samsung / conexões do CHG90

Ele possui também uma porta USB 3.0 Type-B, que funciona como uma entrada para habilitar o hub do monitor: ao conectar o cabo em seu computador, você pode utilizar as duas portas Type-A embutidas, logo, você ganha mais uma porta.

A utilidade disso é questionável (afinal, é mais um cabo para aumentar a bagunça), mas por outro lado, mais portas é sempre bom.

Tela

Hora de falar do principal. O CHG90 conta com um display curvo QLED, a tecnologia de pontos quânticos da Samsung de 49 polegadas, e um raio de 1.800R. A experiência é similar a de dois monitores curvos de 27" lado a lado, com a vantagem de não haver uma divisória central. Com uma resolução de 3.840 x 1.080 pixels, você pode ver pixels individuais a uma curta distância, mas isso não incomoda.

Nós costumamos dizer que migrar do 16:9 para o 21:9 é uma experiência religiosa, comparável apenas com sair do HD para o SSD. O usuário dificilmente irá querer voltar ao form factor anterior, principalmente pelas vantagens para trabalho, graças a uma área maior que permite abrir mais de uma janela com conforto, quanto para games, graças à imersão proporcionada pela tela mais ampla.

Samsung / CHG90 com duas janelas do navegador abertas, em proporção 16:9

Só que o CHG90 da Samsung conta com uma proporção 32:9, e dado o seu tamanho avantajado, a melhor palavra que o descreve em uma situação de uso diária é "despropósito". É possível abrir duas janelas paralelas em proporção 16:9 ao mesmo tempo, permitindo que o usuário possa navegar em uma e trabalhar em outra, sem perder absolutamente nenhum detalhe.

A tela possui um bom contraste e as cores são bastante vivas, graças ao HDR que em situações normais oferece entre 250 e 350 nits de intensidade de brilho (ou seja, bem forte), com suporte a HDR10. A Samsung afirma que o modelo pode atingir até 600 nits, o que lhe rendeu uma certificação DisplayHDR da VESA.

Em uso, porém alguns probleminhas apareceram. Primeiro, o ângulo de visão horizontal de 178° deveria ser melhor, mas por se tratar de um painel VA, isso já era esperado. Seria interessante se ele fosse IPS, mas não quero nem imaginar como isso se refletiria no preço final.

No modelo testado, foi possível notar um leve vazamento do backlight nas partes superior e inferior, comprometendo a uniformidade do preto; no entanto, acredito que o problema esteja relacionado com o fato da unidade em questão ser a única que a Samsung dispõe para testes por jornalistas. Assim, ela já deve estar bem "cansada" e por andar para lá e para cá, é possível que o defeito tenha aparecido cedo e se acentuado.

Ainda assim, é um detalhe que o consumidor deve manter em mente.

Samsung / menu de ajustes do CHG90

O menu de configurações do CHG90 é acionado pelo botão Liga/Desliga, que se apresenta como uma pequena alavanca; com ele é possível navegar pelos menus facilmente, ajustar o tempo de resposta e a taxa de atualização, bem como acionar outros recursos bastante interessantes, dos quais falaremos a seguir.

Desempenho

Mesmo sendo um monitor caro demais para ser usado apenas em situações de trabalho, o CHG90 não faz feio. Ele não conta com um recurso de PiP (Picture-in-Picture), porque sendo tão grande e tendo uma proporção de 32:9, ele pode fazer muito melhor: se você tiver dois computadores, é possível acionar a opção PBP (Picture-by-Picture) e fazê-lo reproduzir ambas lado a lado, em Full HD.

Com isso, o CHG90 se transforma em dois monitores sem a divisória central, e se você tiver dois teclados e dois mouses à mão, poderá trabalhar em ambos terminais com apenas uma tela, o que é sensacional para quem precisa de tal recurso.

Samsung / CHG90 com duas fontes de imagens lado a lado: macOS (esq.) e Windows (dir.)

Duas fontes: macOS (à esquerda) e Windows (à direita)

Este é um caso de uso bastante específico no entanto, e poucos serão os consumidores domésticos que terão dois terminais à mão para usar dessa forma; eu mesmo não tenho, esta foi uma ocasião especial. Eu mantenho a opinião de que para um cenário de trabalho, o CHG90 é mais do que o necessário para a maioria das situações.

Na hora de jogar, entretanto a coisa muda completamente de figura. O monitor é compatível com a tecnologia FreeSync 2 da AMD, que sincroniza a taxa de atualização da saída com a do CHG90; tal recurso é essencial para evitar o tearing, a chamada "quebra" de imagens durante as sessões.

Some a isso uma taxa de atualização de até 144 Hz (apenas via DisplayPort, bem explicado; no HDMI, até 120 Hz), um tempo de resposta de apenas um milissegundo e a área da tela, e o resultado...

Samsung / Tomb Raider no CHG90, em proporção 32:9

Em jogos compatíveis com a proporção 32:9, como Tomb Raider na imagem acima, você tem acesso a um campo de visão gigantesco, e será capaz de capturar detalhes em lugares que não são possíveis de perceber em um monitor 16:9, ou mesmo em um 21:9 sem ter que mover a câmera. Suas partidas serão inegavelmente mais agradáveis, e com um conjunto de som adequado, muito mais imersivas.

A dica é: se seu PC gamer tiver uma saída DisplayPort, esqueça que o HDMI existe.

Conclusão

O CHG90 chegou ao Brasil a pouco mais de um ano, e na época ele custava o exorbitante preço de R$ 10.999; isso fazia dele um brinquedo de gente rica, pois considerando seus pontos fracos, ele não era um monitor para quem queria só fazer graça. Pombas, por esse valor ele não justificava nem o investimento de um gamer endinheirado.

De lá para, entretanto as coisas mudaram. Atualmente a Samsung o oferece por R$ 10 mil no site oficial, um baita desconto só que não, mas por outro lado, é possível encontra-lo na rede varejista por mais atraentes R$ 5.399, o que aumenta seu apelo (ao menos no momento da publicação desta análise).

Samsung / monitor QLED CHG90

No entanto, o comprador deve levar em conta alguns aspectos. Primeiro, ele é um trambolho grande e pesado, não dá para negar, e por isso ele não vai caber em qualquer mesa de trabalho; segundo, ao contrário de muitos monitores gamers, ele não possui som embutido; terceiro, o ângulo de visão deveria ser melhor, ainda mais por se tratar de um display QLED.

Isso posto, ele é um monitor e tanto para quem deseja jogar com bastante imersão, possui tempo de resposta e taxa de atualização excelentes, faz uso do recurso FreeSync 2 para evitar a "quebra" de imagens, as cores e o contraste são bem vivas e a possibilidade de utilizar duas fontes em Full HD é um recurso muito útil.

A meu ver, o CHG90 é hoje um monitor interessante para gamers, mas ainda se parece com um protótipo, um teste de tecnologias da Samsung que por acaso, ela resolveu colocar no mercado. É bastante provável que a próxima geração do modelo seja melhor (ainda que bastante cara no lançamento), ainda mais se vier a incorporar as melhorias que a fabricante inseriu nas TVs QLED de 2018.

Para quem deseja apenas uma área útil maior para trabalhar e não pretende jogar, o CHG90 ainda é um monitor caro demais para o que oferece, e acabaria subutilizado, dada a escassez de conteúdos de vídeo em 32:9; nesse aspecto, comprar um monitor curvo 21:9 menor, ou mesmo dois 16:9 para reproduzir o ambiente (ainda que com a divisória no meio) são soluções mais viáveis, economicamente falando.

Especificações

  • Display: LCD VA QLED curvo de 10 bits;
  • Tamanho: 49 polegadas, com proporção 32:9;
  • Resolução: 3.840 x 1.080 pixels;
  • Curvatura: 1.800R;
  • Taxa de atualização: 120 Hz (HDMI) e 144 Hz (DisplayPort);
  • Tempo de resposta: 1 milissegundo;
  • Contraste: entre 2.400:1 e 3.000:1;
  • Ângulo de visão: 178° horizontal e vertical;
  • HDR: entre 250 e 350 nits de intensidade de brilho (a Samsung afirma que ele alcança até 600 nits);
  • Recursos Extras: compatível com a tecnologia FreeSync 2 da AMD;
  • Portas: duas HDMI 2.0, uma DisplayPort, uma Mini DisplayPort, uma USB 3.0 Type-B (para o hub), duas USB 3.0 Type-A, uma entrada P2 para microfone e duas saídas P2, para caixas de som/fones de ouvido e dispositivos externos;
  • Dimensões: 120,3 × 52,5 × 38,2 cm (com a base), 120,3 × 36,9 × 19,4 cm (sem a base);
  • Peso: 15 kg (com a base), 11,9 kg (sem a base).

Pontos Fortes:

  • Tela enorme e que oferece um alto grau de imersão;
  • Excelentes taxa de atualização e tempo de resposta;
  • Alta qualidade nas cores e no contraste;
  • Usar duas fontes em Full HD simultaneamente é um recurso para lá de útil.

Pontos Fracos:

  • Por causa do tamanho, o monitor não cabe em qualquer lugar;
  • O ângulo de visão podia ser melhor;
  • Como assim, sem alto-falantes embutidos?
  • O preço ainda é um pouco alto levando em conta suas capacidades, mesmo para a Glorious PC Gamer Master Race.

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