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Samsung Galaxy Tab A 10.5": para gregos e troianos — Review

O Galaxy Tab A 10.5" é um tablet intermediário e voltado para toda a família, mas é bom o suficiente para agradar até os usuários mais exigentes

14/12/2018 às 10:30

Lançado no Brasil em outubro, o tablet Galaxy Tab A 10.5" é a aposta da Samsung para um mercado que está cada vez mais complicado, se você não é a Apple. Mesmo a maçã vem vendendo cada vez menos iPads, e boa parte dos fabricantes de dispositivos Android jogaram a toalha e se concentram nos celulares.

Isso não se aplica à Samsung, e a empresa mantém duas linhas tal qual sua principal concorrente: enquanto o Galaxy Tab S4 é voltado para a produtividade, este modelo é indicado para consumo de conteúdo, e posicionado como um gadget para toda a família.

Samsung / Galaxy Tab A 10.5"

O Galaxy Tab A 10.5"" é um bom dispositivo intermediário, e vale o preço pedido? Eu o testei por um mês e estas são as minhas impressões.

Design e Tela

Ao sair da caixa, o Galaxy Tab A 10.5" impressiona pelo acabamento na parte frontal. Outrora os tablets intermediários da Samsung não recebiam muita atenção, mas este é de fato muito bonito. Ao liga-lo, você percebe que a decisão de não incluir botões físicos foi aplicada aqui também, e é bom ver a fabricante removendo os componentes capacitivos de seus modelos menos glamourosos.

Ao ver a parte traseira, porém, temos o primeiro problema. A Samsung decidiu por um revestimento emborrachado, que embora propicie uma pegada firme e sólida, é um terror no que diz respeito à higiene: mesmo na cor preta, a traseira ficará manchada e suja com muita facilidade, e deixa-la "nos trinques" exige certo trabalho.

Em última análise, a Samsung Brasil foi muito esperta de não ter lançado o modelo branco por aqui.

Samsung / Galaxy Tab A 10.5", parte traseira

Falando sobre a tela, temos aqui um display LCD IPS de... bem, 10,5 polegadas e proporção 16:10, com resolução de 1.920 x 1.200 pixels. No início, você deve pensar que por não ser um AMOLED a qualidade da imagem é inferior, mas a Samsung entregou um tablet com uma boa performance de tela. As cores são vivas, a saturação, brilho e contraste são decentes e é possível até identificar detalhes sob luz forte, permitindo seu uso ao ar livre.

Para se diferenciar um pouco do Galaxy Tab S4, o Tab A 10.5" não possui bordas simétricas, e traz duas áreas grandes sem uso acima e abaixo do display. A meu ver, este seria um espaço melhor aproveitado com mais tela ou eliminado com dimensões menores, mas a estratégia da Samsung é estimular a venda do modelo mais caro, logo, é interessante do ponto de vista de negócios não entregar os melhores recursos no mais modesto.

Samsung / porta USB-C e saídas inferiores de áudio do Galaxy Tab A 10.5"

O Galaxy Tab A 10.5" não é um modelo deixado com os piores componentes, no entanto. Aqui, o conector microUSB deu adeus e temos um USB Type-C, ainda que apenas USB 2.0 e a porta P2 para fone de ouvido foi mantida, sendo a Samsung uma das poucas que ainda acredita em conexões tradicionais para áudio; há quem diga que os modelos de 2019 não mais trarão o conector, mas divago.

Outro elemento interessante, também presente no Tab S4 é o conector POGO, que permite o uso de capas-teclado compatíveis. Ele não possui um acessório dedicado, como o Tab S4, mas pode ser utilizado com qualquer modelo disponível no mercado e viabiliza seu uso como um ultrabook, ainda que ele não possua acesso ao modo DeX, que habilita uma interface de desktop.

Samsung / conector POGO do Galaxy Tab A 10.5"

Assim, o Galaxy Tab A 10.5" suporta o uso como tablet do dia a dia e com um pouco de esforço, é capaz de suprir as necessidades de quem precisa de um aparelho para realizar tarefas mais elaboradas on the go, como escrever e editar documentos. Só não espere encontrar o mesmo desempenho de um tablet de ponta.

Hardware

Com um Snapdragon 450 e 3 GB de RAM, o Galaxy Tab A 10.5" é o que se espera de um tablet intermediário, porém ele não faz feio. Ele possui uma experiência de uso suave a bastante agradável, e não engasgou ou travou em nenhum momento durante os testes. Alguns games mais exigentes, como Asphalt 9: Legends tiveram que ser ajustados para configurações gráficas mais comedidas no entanto, visto que a performance ficou aquém do ideal com tudo no máximo.

De maneira geral, este é um tablet muito bom para ver vídeos, ler, jogar, navegar e ouvir música. E esse último ponto merece destaque.

Samsung / entrada P2 para fone de ouvido e saídas superiores de áudio do Galaxy Tab A 10.5"

A Samsung, em um momento de extrema lucidez equipou o Galaxy Tab A 10.5" com quatro alto-falantes AKG, os mesmos presentes no topo de linha Galaxy Tab S4. Por ser compatível com Dolby Atmos, o gadget entrega uma performance sonora acima da média para um dispositivo de sua categoria, com imersão e boa definição de graves e agudos, o suficiente para identificar alguns detalhes que só percebemos com fones de ouvido.

Com o volume no máximo é possível perceber distorções, mas no geral, a impressão é excelente. Pelas saídas de som serem posicionadas nas partes superior e inferior, o mais indicado a fazer é segurar o tablet na horizontal, para que o áudio flua; o que não é problema se você estiver vendo um filme ou um vídeo no YouTube, claro.

Samsung / Galaxy Tab A 10.5" executando o Youtube

Se ainda assim você preferir utilizar um fone de ouvido, o conjunto que acompanha o tablet é bem decente, mas na minha opinião, dê uma chance ao som da AKG e não irá se decepcionar.

Software e Bateria

Temos aqui o Android 8.1 Oreo, com customizações leves da Samsung e alguns aplicativos próprios, como o SmartThings, voltado a controlar dispositivos inteligentes da Internet das Coisas, compatíveis como suas próprias TVs, ar-condicionados e outros. Já o SmartFlow é mais útil, é o modo Continuidade da fabricante, que permite começar uma tarefa em um gadget e termina-la em outra.

Samsung / tela Home, bandeja de apps e Configurações do Galaxy Tab A 10.5"

Embora a versão móvel seja exclusiva dos smartphones, tablets e smartwatches da própria Samsung , ele é compatível com Windows, permitindo a inclusão de seu desktop ou notebook na brincadeira. Temos também o Bixby, que ainda não fala português, e por enquanto está limitado aos recursos de cards e Realidade Aumentada, para análise de fotos, leitura de códigos de barra, OCR e etc.

O grande problema do Android em tablets, no entanto permanece: diferente do que acontece no iOS, boa parte dos apps mais essenciais não são adaptados para telas grandes, e oferecem uma interface "esticada" ou com pouco aproveitamento. Softwares de primeira linha, como o Gmail e o Google Drive, e outros de terceiros mas muito populares, como o Evernote estão entre os que não possuem um design diferenciado entre smartphones e tablets.

O destaque do Galaxy Tab A 10.5", no entanto é sua natureza de gadget para toda a família, e por isso ele conta com um Modo Infantil bastante completo e fácil de configurar.

Samsung / modo Kids do Galaxy Tab A 10.5"

Com ele, os pais podem criar perfis separados para seus filhos totalmente blindados, definir quais apps e jogos eles podem usar, impedir que eles instalem outros softwares ou acessem a internet livremente, e definir quanto tempo eles poderão usar o tablet por dia. O Modo Infantil é atrelado à conta de um responsável, e somente ele poderá alterar as configurações ou desativar a ferramenta, para quando quiser utilizar ele mesmo o dispositivo.

Para dar suporte a tudo isso, o Galaxy Tab A 10.5" é equipado com uma bateria de 7.300 mAh, e que graças ao hardware menos exigente é capaz de entregar uma autonomia muito boa, mesmo entre os melhores tablets Android. Em situações de uso normal e moderado, com navegação, consumo de vídeos, música e jogos ocasionais, a energia irá escoar em até 13 horas.

Em meus testes, eu resolvi pegar pesado e rodar games como Asphalt 9: Legends (rodando em configurações gráficas mais modestas), Horizon ChaseDissidia Final Fantasy: Opera Omnia, além de uma hora de YouTube Music e Deezer nos alto-falantes, uma hora de navegação e redes sociais, 30 minutos de edição de documentos no Google Docs e 30 minutos de YouTube, tudo com o brilho no máximo e utilizando a rede Wi-Fi.

O tablet foi tirado da tomada às 14:00, e às 23:00 a bateria atingiu a marca de 18%, dentro da média. Por outro lado, o software é inteligente o bastante para consumir apenas o mínimo necessário em modo standby, e ele pode resistir a até três dias sem carga caso não seja usado. Na hora da recarga, o tablet leva em torno de 3,5 horas para ir de 0 a 100%.

Câmeras

Samsung / câmera traseira do Galaxy Tab A 10.5"

Tablets não são os melhores dispositivos para se tirar fotos ou fazer vídeos, mas como os componentes estão presentes, convém falar um pouquinho sobre eles. A câmera principal do Galaxy Tab A 10.5" possui 8 megapixels e abertura ƒ/1,9, e num primeiro momento você deve pensar que ela é muito boa.

A verdade é que ela é apenas suficiente, como toda câmera presente em tablets.

Em condições ideais de iluminação, como ao ar livre, você conseguirá capturar fotos razoavelmente boas, mas com algum ruído e perda de definição principalmente nas bordas. A meu ver, ela é apenas indicada para situações de extrema urgência, onde seu smartphone ficou sem bateria e você precisa desesperadamente registrar um evento.

Para toda situação que não seja essa, qualquer outro tipo de câmera que não a de um tablet é melhor, até porque manusear um em público como tal é e continuará sendo um ato bizarro.

Em ambientes internos ou com pouca luz, a perda de detalhes é nítida e o software de pós-processamento entra em ação. O resultado são fotos com pouca qualidade, mas estamos falando de um dispositivo que não foi projetado para ser uma câmera portátil.

A câmera principal do Galaxy Tab A 10.5" será mais usada para fotografar e escanear documentos, ler QR Codes e códigos de barra, e todas as demais situações serão quebra-galhos, como é de praxe em tablets.

A câmera selfie, com 5 MP e abertura ƒ/2,2 que deveria ser mais útil que a traseira, mal serve para o arroz-com-feijão que são as videoconferências. E exatamente por não ser um componente lá muito bom, ela é a principal culpada pela performance menos que o aceitável para reconhecimento facial. Mesmo em situações com bastante luz, o Galaxy Tab A 10.5" sofre para identificar seu rosto de acordo, e vai falhar para liberar o dispositivo na maior parte das vezes.

Seria muito melhor contar com um leitor de impressões digitais para desbloquear a tela, mas como a Samsung não o incluiu nem no Galaxy Tab S4, fica claro que seus tablets daqui por diante dependerão apenas do desbloqueio via reconhecimento facial; por outro lado, é fato que todo mundo vai continuar usando os bons e velhos padrões, PINs e senhas.

Conclusão

O Galaxy Tab A 10.5" é uma opção mais em conta para quem não pode ou não quer gastar muito num tablet Android, e quem optar por ele vai encontrar um produto com uma boa performance, capaz de reproduzir áudio com qualidade e uma boa tela, que mesmo não sendo uma AMOLED é bem interessante para consumir vídeos e jogar.

Com um teclado POGO, é possível até usa-lo como uma estação de trabalho, sendo ele um bom substituto de um ultrabook mais modesto. Seus pontos negativos são o reconhecimento facial, que não funciona direito e o acabamento emborrachado na traseira, que vai sujar rapidamente.

Samsung / Galaxy Tab A 10.5"

Dito isso, os R$ 2.199 pedidos pela Samsung na época do lançamento faziam com que o Galaxy Tab A 10.5" fosse bem menos atraente para os que desejam um produto familiar, ainda mais se comparado com o iPad de entrada (R$ 2.799 no modelo de 32 GB e Wi-Fi); hoje, no entanto ele já pode ser encontrado por até R$ 1.699 na rede varejista, o que faz dele uma opção bem mais interessante.

Se você procura um tablet para consumo de conteúdo que seus filhos também poderão usar, não faz tanta questão de apps adaptados para uma tela grande, um problema que o Android ainda não sanou por completo, e que entregue uma performance decente sem esvaziar o seu bolso, o Galaxy Tab A 10.5" pode ser uma boa pedida.

Especificações

  • Processador: SoC Snapdragon 450 da Qualcomm, octa-core Cortex-A53 com clock de 1,8 GHz e GPU Adreno 506;
  • Memória RAM: 3 GB;
  • Armazenamento interno: 32 GB;
  • Armazenamento externo: entrada dedicada para cartão microSD de até 512 GB;
  • Tela: display LCD IPS de 10,5 polegadas, proporção 16:10 e resolução de 1.920 x 1.200 pixels (216 ppi);
  • Câmera traseira: 8 megapixels, abertura ƒ/1,9, autofoco, Flash LED e capacidade de filmar em 1080p a 30 fps;
  • Câmera selfie: 5 MP, abertura ƒ/2,2 e captura de vídeos em 1080p a 30 fps;
  • Sensores: acelerômetro, giroscópio, bússola, luminosidade, proximidade e leitor de íris;
  • Conectividade: 4G/LTE, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, Bluetooth 4.2, AD2P, BLE, A-GPS, GLONASS, BDS;
  • Bateria: 7.300 mAh;
  • Portas: USB 2.0, conector Type-C 1.0 e P2 para fone de ouvido;
  • Sistema operacional: Android 8.1 Oreo;
  • Dimensões: 260 x 161,1 x 8 mm;
  • Peso: 534 g.

Pontos Fortes:

  • Tela com boa resolução e definição de cores;
  • Performance sonora acima da média para a categoria;
  • Bateria de excelente autonomia.

Pontos Fracos:

  • O reconhecimento facial erra mais do que acerta;
  • A traseira emborrachada fica suja com facilidade.

Meio Bit analisou o Galaxy Tab A 10.5" com uma unidade gentilmente cedida pela Samsung.

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