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Seagate revela HD de 16 TB feito com nova técnica HAMR

Técnica de gravação HAMR grava mais dados por área, levando a HDs comuns com mais espaço; meta da Seagate é atingir marca de 20 TB até 2020

10/12/2018 às 9:30

Sete anos atrás, a Seagate garantiu que a nova técnica de gravação HAMR (Heat-assisted Magnetic Recording, ou Gravação Magnética Auxiliada por Calor) seria a chave para desenvolver discos rígidos cada vez mais espaçosos, mas ocupando o mesmo espaço das unidades tradicionais.

De lá para cá ela vem mantendo o cronograma, e na última semana anunciou ter chegado a um novo patamar, ao produzir o primeiro HD padrão de 3,5 polegadas com capacidade de 16 TB.

IBM / HD do IBM 550 sendo descarregado de avião com uma empilhadeira / HAMR

1956: HD do IBM 305 RAMAC, o 1° computador a ter um disco rígido. Peso: 1 t. Capacidade: 5 MB

A técnica HAMR consiste em incluir um laser, mais fino que um grão de sal para acompanhar a agulha de gravação, aquecendo uma região do disco magnético, permitindo que uma quantidade maior de dados seja gravada por área. Nas primeiras gerações, foi possível produzir discos de até 6 TB, aliada a outro método que é rechear os HDs com hélio, um gás nobre sete vezes menos denso que o ar, e que por isso oferece menos resistência às agulhas, permitindo maiores velocidades de leitura e gravação e mais discos no mesmo espaço.

A Seagate, junto com a Western Digital (as duas últimas fabricantes de discos rígidos do planeta) vem batendo cabeça para solucionar o problema do limite de espaço em discos rígidos, principalmente porque o preço do GB em memórias Flash ainda não é convidativo o suficiente, para permitir a empresas investirem na troca dos HDs para SSDs.

Ainda no tema contenção de custos, empresas são hoje obrigadas a adquirir maquinário adicional para seus datacenters e servidores para utilizarem unidades de disco de grandes capacidades, que são maiores do que o modelo padrão que todo mundo usa. Assim, muitos acabam adquirindo vários HDs e os utilizam em RAID, o que nem sempre é uma boa ideia.

O HAMR veio para resolver esse problema, oferecendo os bons e velhos discos de 3,5" com muito mais capacidade interna, compatíveis com hardware legado e claro, mais confiáveis. Some-se a isso a técnica Multi Actuator da Seagate, que conta com dois dois braços e cabeçotes independentes, permitindo que trabalhem de forma independente, com um lendo e o outro escrevendo os dados simultaneamente, ou em conjunto, para aumentar a velocidade.

Em testes realizados pela Seagate, os HDs fabricados com a técnica HAMR, também chamada de Mach.2 alcançaram velocidades de reprodução de até 480 MB/s, cerca de 60% mais rápido do que os discos de 15 mil RPMs geralmente usados em datacenters. Um SSD hoje alcança tais marcas, mas claro, os HDs da Seagate podem comportar muito mais espaço pelo mesmo preço.

Vale lembrar que a Western Digital possui uma técnica similar ao HAMR da concorrente, chamada MAMR (Microwave-assisted Magnetic Recording, ou Gravação Magnética Auxiliada por Microondas), que troca o laser por microondas. Segundo a fabricante, seu método é mais confiável do que o da Seagate, que até agora vem se mostrando mais escalável: a média anual de 30% de aumento da densidade de área vem sendo mantida.

A Seagate originalmente prometeu que os primeiros HDs HAMR de 20 TB chegariam em 2020, e ao contrário do anunciado em um anúncio posterior, eles não devem dar as caras antes do combinado inicial. De qualquer forma, a promessa original de um HD de 60 TB em dez anos ainda não foi revista, então tudo pode acontecer.

Seagate / atuador HAMR e discos de HD

Infelizmente, nada disso é para o nosso bico, ao menos não por enquanto: tanto o HAMR, quanto o MAMR e o uso de hélio são técnicas muito caras, e por isso tais HDs são voltados ao mercado corporativo, para empresas que podem pagar. Claro, eles continuam sendo muito mais baratos do que SSDs de uma mesma capacidade, mas para a maioria dos mortais, eles seguirão com valores proibitivos.

O lado bom é, que como tudo relativo à tecnologia, os preços começam caros, mas não permanecem assim; dessa forma, nos próximos anos poderemos adquirir uma belezinha dessas para guardar pr0n - digo, fazer nossos backups, algo que o SSD ainda não atende de forma adequada apenas por causa do preço por GB.

Com informações: Seagate.

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