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Novo Mac mini permanece como inimigo dos upgrades

O novo Mac mini passou pelo tradicional desmanche do iFixit; hardware volta a ter entrada para memórias RAM, mas perde suporte a discos internos

40 semanas atrás

Após quatro anos, o Mac mini foi enfim atualizado e recebeu novas e poderosas especificações; como era de se esperar, o iFixit colocou as mãos em um e realizou o seu tradicional e esperado desmonte, que revelou detalhes sobre sua construção.

Ele é atualmente o Mac mais fácil de ser consertado, mas mais uma vez a Apple mostra que não gosta de entregar as coisas de bandeja para o usuário.

Apple / remoção da placa lógica do Mac mini (2018) / iFixit

Até o modelo Late 2012, o Mac mini sempre foi o computador da maçã amigo dos upgrades, pelo fácil acesso aos componentes e por permitir que o consumidor trocasse tanto os discos rígidos (até dois) e colocasse mais memória RAM, ao suportar até 16 GB em dois pentes DDR3.

No entanto, as coisas mudaram em 2014: além de ser mais fraco (ele não tinha opção com Intel Core i7), a RAM foi soldada à placa lógica, obrigando o consumidor a escolher quanta memória desejava no ato da compra; esse Mac mini também foi bastante criticado por trocar uma das portas SATA III por uma PCI Express, quando o ideal seria permitir mais opções de armazenamento.

Vejamos agora o modelo de 2018. Este Mac mini não possui mudanças de design significativas, mas ficou mais potente: a placa lógica agora abriga um processador Intel de oitava geração quad ou hexa-core (soldado à placa, mas isso já era esperado), que trabalha em conjunto com o co-processador T2 da Apple, responsável por recursos de criptografia e inicialização segura, que por outro lado está complicando a vida de quem usa Linux em dual boot.

Apple / detalhe da memória RAM do Mac mini (2018) / iFixit

A memória RAM voltou à sua forma tradicional, embora a Apple tenha utilizado uma solução derivada dos modelos de ponta do iMac: os pentes, dois DDR4 de 2.666 MHz são protegidos por uma grelha de metal, que segundo a fabricante funcionariam como uma gaiola da Faraday, protegendo os componentes de interferência e permitindo que eles trabalhem na potência máxima. Nesta geração, o Mac mini suporta até 64 GB de memória RAM, o que é um avanço e tanto.

Só que nem tudo é festa, e a Apple mais uma vez mostra que não é dada a permitir que o usuário possa atualizar livremente seus dispositivos, mesmo um... desktop. Se por um lado temos os pentes de RAM de volta, por outro o armazenamento interno passou a ser soldado à placa lógica, obrigando o consumidor a decidir quanto espaço deseja, entre 128 GB e 2 TB no ato da compra.

Para adicionar insulto à injúria, a maçã removeu os conectores SATA III e PCIe, e não há nem sinal de um M.2. Não é possível conectar nenhum tipo de HD ou SSD interno, e a única forma de expandir o espaço posteriormente é com discos externos.

Apple / placa lógica do Mac mini (2018) / iFixit

Destacado em laranja, 128 GB de armazenamento Flash da Toshiba

Não é novidade para ninguém que a Apple não gosta de ver seus clientes fuçando em seus dispositivos, mas aplicar a filosofia do mercado mobile ao de computadores de mesa é bizarro. Mesmo o iMac Pro, seu atual desktop de ponta conta com SSDs modulares, mas customizados e o processo de desmonte não é nem de longe simples.

Há outros problemas. O novo Mac mini conta agora com quatro portas USB Type-C 3.1 compatíveis com Thunderbolt 3, além de duas USB-A 3.0, uma HDMI 2.0 (a DisplayPort dançou) e uma Ethernet Gigabit, o que é uma coisa boa, mas se qualquer uma delas for danificada ou deixar de funcionar, a solução é trocar a placa lógica.

Por essas e outras, a Apple dá a impressão que usuários que preferem atualizar manualmente seus desktops terão que aguardar o próximo Mac Pro, que chegará em algum momento de 2019 e que segundo as promessas feitas até o momento, será totalmente modular.

 

Apple / Mac mini (2018) completamente desmontado / iFixit

Tais decisões cobraram seu preço: o novo Mac mini marcou apenas seis pontos de um máximo de dez no índice de reparabilidade do iFixit (quanto maior, mais fácil de consertar), mas recebeu elogios pela RAM, pela ausência de cola, presente em demasia em outros Macs e por dispensar ferramentas especializadas em reparos.

O Mac mini (2018) ainda não tem data de lançamento no Brasil, mas custará a partir de R$ R$ 6.999,00.

Com informações: iFixit.

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