Resenha — Dell Inspiron 15 Gaming 7000 (2017): um notebook gamer para ninguém botar defeito

A Dell conta com uma grande e variada seleção de notebooks, desde os intermediários da linha Inspiron para o usuário comum como os potentes da linha Latitude, voltados ao mercado corporativo. Há também a linha Alienware, indicada para o Glorious PC Gamer Master Race mas ao mesmo tempo, nos últimos dois anos este um mercado que vem crescendo é de laptops gamers acessíveis, com companhias como a Samsung entrando no páreo oferecendo modelos razoavelmente potentes, para quem quer jogar em qualquer lugar com certa performance e não quer vender um rim. Ou os dois.

Com isso em mente, em 2016 a Dell introduziu a sub-linha Inspiron Gaming, com configurações decentes e preço não muito salgado; no início de 2017 a empresa atualizou a linha, e com isso o Inspiron 15 Gaming 7000 (2017) se tornou uma opção bastante atraente principalmente pelos diferenciais que oferece.

Eu o testei por pouco mais de um mês e estas são minhas impressões.

Especificações e Design

Antes de mais nada, a lista fria:

  • processador Intel Core i5-7300HQ ou i7–7700HQ, quad-core Kaby Lake com clock de 2,5 ou 2,8 GHz (TurboBoost até 3,5 ou 3,8 GHz) e 6 MB de cache;
  • GPU nVidia GeForce GTX 1050 ou 1050 Ti, com 4 GB GDDR5;
  • 8 ou 16 GB de memória RAM DDR4, neste último caso dois pentes de 8 GB em Dual-Channel a 2.400 MHz;
  • armazenamento: HD de 1 TB ou combinação com SSD primário de 128 ou 256 GB e HD de 1 TB;
  • display IPS de 15,6 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels (141 ppi) e revestimento antirreflexo;
  • webcam de 720p widescreen, com microfone de matriz dupla embutido;
  • conexões: Wi-Fi802.11b/g/n/ac e Bluetooth 4.0;
  • portas: saída HDMI 2.0, entrada para fone de ouvido, três portas USB 3.0 (uma delas com PowerShare), uma Ethernet Gigabit e leitor de cartões SD;
  • bateria de seis células e 74 Wh;
  • dimensões: 384 x 274 x 25 mm;
  • peso: 2,62 kg;
  • sistema operacional: Ubuntu ou Windows 10 Home 64 bits.

O acabamento em preto fosco do modelo 2016 permanece, continua tão sóbrio quanto antes e para esta linha a Dell não oferece firulas: o notebook é reto e básico, com exceção dos detalhes em vermelho no logo na tampa, no teclado retroiluminado, nas saídas de ar e de som este poderia muito bem se passar por um Latitude corporativo, ainda que sensivelmente maior e bem mais pesado que seus primos levemente mais sisudos.

O único incômodo é que tanto a tampa quanto o corpo do laptop são um convite a marcas de dedos, você se verá limpando tudo o tempo todo se não gostar de ver marquinhas aparentes.

Falando das dimensões do Inspiron 15 Gaming, este consegue ser menor em área que seu antecessor mas manteve as características principais, com display de 15,6 polegadas e teclado completo, o que o deixou ainda mais pesado. Com 2,62 kg, ele não é nada simples de ser carregado por aí e para completar a fonte é quase um tijolo, enorme e pesada. No fim das contas você se verá comportando mais de três quilos na mochila e isso não é nada agradável, e quase faz deste um notebook gamer puramente estático.

Para quem não gosta de carregar peso, este definitivamente não é melhor notebook para andar por aí. Por outro lado ele ainda não chega perto de outros modelos no mercado, que costumam pesar mais de três quilos sem contar a fonte.

Um ponto positivo a ser destacado é o acesso aos componentes internos. A Dell facilitou o trabalho de quem adquirir modelos mais em conta e basta soltar um único parafuso para remover a tampa na parte inferior, tendo acesso ao HD, ao slot M.2 para a instalação de um SSD e às memórias RAM, contando com dois slots DDR4. A bateria, embora interna também pode ser facilmente removida, o que é excelente para quando ela eventualmente se desgastar e não ter que levar o Inspiron 15 Gaming à assistência técnica: basta comprar outra, soltar dois parafusos, trocar e partir para o abraço.

É preciso no entanto dar um aviso: os dentes plásticos que fixam a tampa no corpo do notebook são deveras frágeis e basta uma puxada de mal jeito leve para que eles se partam. Portanto, cuidado nunca é demais na hora de realizar uma futura manutenção para limpar as ventoinhas (também facilmente acessíveis) ou adicionar mais RAM, um SSD ou trocar o HD.

Falemos das conexões: a Dell oferece neste notebook três portas USB 3.0, sendo uma delas compatível com Power Share para o carregamento de dispositivos móveis e/ou outros periféricos, a mais do que indispensável porta Ethernet Gigabit para conexões velozes, já que por se tratar de um modelo voltado para o consumidor gamer é imperativo contar com internet estável e sem ruídos, um leitor de cartões SD, uma saída P2 para fone de ouvido e uma saída HDMI, mas diferente da maioria dos concorrentes esta é 2.0 e não 1.4.

Em teoria, o Inspiron 15 Gaming 7000 (2017) suportaria monitores com resolução de 1440p com uma taxa de quadros de até 30 fps, porém as chances dele ser capaz de entregar 4K a 60 fps sem uma porta DisplayPort são bem baixas. Enfim, pela falta de dispositivos compatíveis enquanto estive com este notebook em mãos, eu não pude conferir essa característica.

O sistema de resfriamento do Inspiron 15 Gaming é bem competente. não dá para evitar que ele esquente com uso pesado, mas as saídas de ar na parte traseira aliadas a duas poderosas ventoinhas e coolers duplos consegue manter as temperaturas da CPU e da GPU em níveis aceitáveis, sem criar pontos de aquecimento ou causar problemas de performance durante a jogatina.

Claro, é importantíssimo acondicionar o laptop em uma superfície reta que as saídas não fiquem obstruídas, então o recomendado é evitar jogar na cama ou coloca-lo no colo por muito tempo, até porque o calorzinho gerado pelo conjunto não é muito recomendado pelos médicos.

Performance e Autonomia

Aqui as coisas começam a ficar divertidas. Começando pelo elemento que mais chama a atenção, o display IPS de 15,6 polegadas possui resolução Full HD e revestimento antirreflexo, uma boa saturação e brilho equilibrado, o que permite que você veja os elementos na tela mesmo em ambientes com muita luz. O teclado, com detalhes em vermelho e a retroiluminação na mesma cor mantém a consistência do conjunto, na geração anterior os LEDs eram brancos e a sensação que passava é que algo estava muito errado.

O touchpad, grande e amplo é macio e simples de ser utilizado, com botões que não travam e nem são duros demais. Ainda assim, gamers dificilmente abrirão mão de usar um mouse.

Sobre o teclado em si (padrão inglês internacional, como de praxe), seu uso para jogar é agradável ainda que elas não sejam mecânicas (alguns fabricantes, como a HP estão incluindo tal característica em notebooks gamers de ponta), as teclas WASD estão devidamente destacadas e a presença de teclado numérico é indispensável para o perfil de consumidor ao qual o Inspiron 15 Gaming 7000 (2017) é destinado; por fim ele é resistente contra derramamento de líquido because reasons.

Um detalhe a ser mencionado é que diferente de alguns certos fabricantes, a Dell não economizou na câmera e incluiu no notebook um modelo widescreen com 720p e microfone embutido de matriz dupla, muito melhor que a aberração VGA encontrada no Samsung Odyssey. Ainda não é um componente essencial, mas o cuidado faz diferença.

Porém, o que mais me chamou a atenção neste notebook gamer foi seu sistema de áudio. A grade foi deslocada para a frente do aparelho e o volume é bastante alto, mesmo quando regulado para níveis mais baixos. A distorção oferecida pelos alto-falantes e subwoofer (de verdade, não é só um buraco) é mínima, com o som no talo a imersão de ambiente é total e você poderá curtir seus games e filmes/séries/vídeos com uma qualidade sonora sem par. Nenhum notebook que testei dentro ou fora da categoria gamer se compara.

No entanto a pergunta mais importante é “e os games”? Bem, ele não faz feio. O Inspiron 15 Gaming 7000 (2017) voa rodando títulos que não exigem muito de CPU e GPU, graças à combinação oferecida no modelo de testes: com um Intel Core i7-7700HQ, 16 GB de RAM DDR4 em Dual-Channel, um SSD (o sistema uma um cache de 8 GB nas configurações só com HD) e a GTX 1050 Ti da nVidia, ele nem transpirou rodando títulos como GTA V, Civilization VI ou Kerbal Space Program; games mais exigentes como Rise of the Tomb Raider e Hellblade: Senua’s Sacrifice puderam se executados em configurações altas, com uma taxa de quadros de até 60 fps.

Ele não é um hardware para rodar games recentes no Ultra a 120 fps (com alguns mais antigos ele consegue fazê-lo), mas este notebook definitivamente não oferece uma experiência gamer “portátil” meia-boca para a Glorious PC Gaming Master Race.

Já a autonomia surpreendeu. Claro que ainda não dá para jogar sem uma tomada por perto e nem é recomendado, devido às limitações de performance mas há um consenso de que mesmo para usos mais mundanos, um notebook gamer simplesmente não aguenta muito tempo sem uma recarga e é verdade. A Dell resolveu esse problema com uma bateria monstruosa da 74 Wh e seis células, que obviamente deixou o notebook bastante pesado mas na hora do vamos ver, é impossível ignorar as vantagens.

Em situações normais, fazendo uso do Inspiron 15 Gaming apenas para acessar redes sociais, ver vídeos, escrever textos, executar o Deezer e manter várias abas do Chrome aberta, com uma ou outra edição de vídeos a bateria resistiu por oito horas, definitivamente um número muito bom para a categoria. Obviamente que abrir sua biblioteca do Steam vai derrubar essa autonomia mas novamente, o mais indicado a fazer é jogar apenas com o notebook conectado à tomada.

Conclusão

A Dell acertou em tudo na nova geração do Inspiron 15 Gaming. De fato, ele está maior e mais pesado e carregar tanto ele quanto a fonte é um martírio, mas no geral a versão 2017 é um notebook gamer que definitivamente agrada quem odeia o design excessivamente exagerado da categoria, com seus cantos angulados e logotipos chamativos. Não fossem os detalhes em vermelho ele se passaria tranquilamente como um modelo comum da linha Inspiron, voltado para usuários corporativos ainda que muito mais parrudo.

Ao invés de se focar em firulas visuais, a Dell tratou de oferecer um design sólido e sóbrio, uma configuração potente e uma experiência de uso geral muito boa, tanto de áudio quanto de vídeo. Este é um notebook gamer que se propõe a uma coisa: get the s*** done e isso ele faz muito bem.

Os preços da Dell, no entanto são um pouquinho puxados. O sugerido para a configuração mínima com processador Core i5-7300HQ, 8 GB de RAM, GTX 1050, HD de 1 TB e rodando Ubuntu é de R$ 4.508,00 e sinceramente, não vale a pena. O modelo testado, com um i7-7700HQ, 16 GB de RAM, GTX 1050 Ti, SSD de 128 GB e HD de 1 TB e rodando Windows 10 é ainda mais caro, sendo vendido no site oficial por R$ 6.028,00 mas pode ser encontrado na rede varejista por até R$ 5.129,99 no boleto.

Excluindo o Samsung Odyssey que não conta com uma GPU da série Ti, o Inspiron 15 Gaming 7000 (2017) concorre diretamente com o Aspire VX5 da Acer; este custa sensivelmente menos (é possível encontra-lo por até R$ 4.319,99 no boleto) e possui basicamente a mesma configuração do modelo de ponta da Dell, porém sem o SSD adicional e com saída HDMI apenas 1.4. Ele ainda traz uma porta USB 3.1 Type-C, coisa que o Inspiron Gaming não tem porém apenas duas portas USB 3.0 Type-A, a terceira é 2.0.

Ainda assim os diferenciais são diversos: um excelente conjunto de som, uma bateria que pela primeira vez na história aguenta uma configuração tão pesada, vem com um SSD de fábrica, possui compatibilidade com monitores acima de 1080p e é sólido e incrivelmente discreto, muito diferente da maioria dos notebooks gamers do mercado. Sendo bastante sincero, eu fiquei com uma dor no coração ao devolvê-lo à Dell.

Portanto, se você deseja uma performance decente, um design mais robusto (ainda que grande e pesado), quer jogar seus games em uma resolução maior, aproveitar as benesses de um SSD e de alto-falantes muito bem construídos e pode pagar por tudo isso, então o Inspiron 15 Gaming 7000 (2017) é uma boa pedida.


DELL INDIA — The Inspiron 7000 Series Gaming Laptop

Pontos Fortes:

  • design agradável, sóbrio e discreto mesmo com o óbvio DNA gamer;
  • a GTX 1050 Ti oferece um ótimo desempenho em games mais recentes;
  • alto-falantes excelentes, potentes e com pouquíssima distorção;
  • SSD + HD, a melhor combinação;
  • finalmente um notebook gamer com uma bateria que aguenta o tranco;
  • acesso ao HD, SSD e memória RAM é bem simples, basta remover um parafuso (cuidado com os dentes de plástico).

Pontos Fracos:

  • tanto o notebook quanto a fonte são dois trambolhos, enormes e pesados;
  • o preço é um pouquinho puxado quando comparado com a concorrência, justificado pelos diferenciais.

Agradecimentos à Dell por gentilmente nos ceder o Inspiron 15 Gaming 7000 (2017) para a resenha.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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