Resenha — Samsung Odyssey: acertando de primeira

A Samsung chegou no mercado de notebooks gamers tendo feito o dever de casa antes: o Odyssey, seu primeiro produto da categoria é um produto que oferece uma performance sólida para quem joga no PC e quer portabilidade e preço justo, ainda que algumas ressalvas precisem ser feitas.

Eu o testei por três semanas e estas são as minhas impressões.

Design

Comecemos pela listinha fria:

  • processador Intel Core i7–7700HQ, quad-core Kaby Lake com clock de 2,8 GHz (TurboBoost até 3,8 GHz) e 6 MB de cache;
  • GPU nVidia GeForce GTX 1050, com 4 GB GDDR5;
  • 8 GB de memória RAM DDR4 a 2.133 MHz;
  • armazenamento: HD de 1 TB;
  • display de 15,6 polegadas com resolução de 1920×1080 pixels (141 ppi);
  • webcam VGA;
  • conexões: Wi-Fi802.11b/g/n/ac, Bluetooth 4.1, saída HDMI 1.4, entrada para fone de ouvido, uma porta USB-A 3.0, duas USB-A 2.0, uma Ethernet Gigabit e leitor de cartões SD;
  • bateria de três Células (43Wh), acompanha fonte alimentadora de 120 W;
  • dimensões: 378 x 260 x 24 mm;
  • peso: 2,52 kg;
  • sistema operacional: Windows 10 Pro 64 bits.

Numa primeira olhada nota-se que o Odyssey foi bem construído. Seu corpo na cor preta com acabamento emborrachado confere uma pegada firme, sem os deslizes que modelos com tampas de vidro ou plástico liso às vezes conferem. Claro que há os elementos gamers inerentes como os LEDs vermelhos no teclado e no logo na tampa, mas pondo isso de lado conclui-se que ele é até bem discreto e sóbrio para a sua categoria.

Provavelmente isso se deu por influência das demais linhas de laptops da Samsung, o que no fim das contas é uma coisa boa.

Curiosamente sua característica mais chamativa não fica o tempo todo aparente: a parte de baixo conta com uma tampa própria para o sistema de resfriamento do notebook, que possui protuberâncias imitando escamas de dragão. Aliás, a grade ajuda na expulsão do ar quente interno pelas duas ventoinhas presentes, contando com uma inclinação que facilitada a entrada do ar frio externo para manter as temperaturas tanto do i7-7700HQ quanto da GTX 1050 em níveis decentes. Do contrário os resultados não seriam nada agradáveis.

A grade também cumpre a função de fornecer acesso facilitado aos componentes internos. Três parafusos simples separam o usuário dos dois slots de memória RAM (o modelo suporta até 16 GB) e das duas ventoinhas, que podem ser limpas para manter o notebook sempre nas melhores condições. O slot para um SSD M.2 também é de fácil acesso, bastando desconectar o cabo flat das portas USB. Considerando se tratar de um notebook gamer, em que os usuários prezam por performance seria interessante se a Samsung tivesse incluído uma unidade de fábrica para ajudar principalmente no boot, mas divago.

Infelizmente acesso ao HD de 1 TB não segue a mesma lógica, e demanda a remoção de mais partes do Odyssey para que seja trocado e querendo ou não, um pouquinho de conhecimento adicional sobre hardware.

O Odyssey possui várias opções de conexão: são duas portas USB 2.0 e uma 3.0, além de saída HDMI (apenas 1.4, não espere liga-lo em TVs 4K) e para fone de ouvido, bem como um leitor de cartões SD. Claro, por se tratar de um modelo voltado para o consumidor gamer ele conta com uma porta Ethernet Gigabit, permitindo a jogatina online sem perdas de pacotes.

Sua tela é ótima: 15,6 polegadas, resolução Full HD e excelente ângulo de visão, não oferece distorções cromáticas e conta com uma boa resposta, ideal para jogos mais frenéticos e para outros usos. O teclado, como já dito antes é retroiluminado na cor vermelha, possui layout completo (com teclado numérico) e segue a estética de produtos gamers, com as teclas WASD devidamente destacadas. O touchpad é bem preciso, possui LEDs diagonais para dar uma ideia de dinamismo mas ao menos na minha opinião, quem costuma jogar a sério vai preferir utilizar um mouse independente de quão bom o acessório seja, por conta da precisão provida pelo periférico.

No mais o Odyssey é um produto grande e pesado. Com 28 mm de espessura e 2,52 kg, ele é um produto voltado totalmente para uso estático e não totalmente on the go, é uma opção para o gamer que deseja ter uma máquina potente minimamente simples de se levar para qualquer lugar. No entanto o cenário de uso ideal é sobre uma mesa e com uma tomada por perto, dadas algumas limitações de autonomia.

Performance e autonomia

Isso porque como ocorre na maioria dos notebooks gamers, o Odyssey não é um produto para ser usado por longos períodos só na bateria. Com 3 células e 43 Wh, mesmo executando tarefas mundanas como navegação na internet, redes sociais, leitura e envio de e-mails e uso de ferramentas de escritório a energia escoa rapidamente, não durando mais do que 3,5 horas desconectado. Ele até roda programas pesados e games nessa configuração, mas é preciso ter em mente que ele não foi feito para resistir por muito tempo sem uma alimentação constante. É um cenário que os compradores de notebooks gamers já conhecem, mas é sempre bom ressaltar.

O teclado é macio, confortável e para quem deseja precisão na hora dos jogos é uma boa pedida, ainda que não seja mecânico. A Samsung oferece inclusive alguns atalhos para ativar recursos do sistema, por exemplo a combinação Fn + F10 que ativa/desativa o monitor de sistema: um overlay que exibe uso e temperatura da CPU e GPU, consumo de memória e frames por segundo, algo que muitos gamers gostam de ter à mão. Já Fn + F11 ativa a gravação nativa, em que você pode criar vídeos de suas próprias jogadas e compartilhar/editar depois.

Mas e a performance em si? Então, com uma GPU de 4 GB GDDR5 e um processador com clock de 2,8 GHz, além da RAM que pode ser expandida até 16 GB o Odyssey não faz feio na totalidade dos games recentes. Mesmo comedores de recursos habituais como Rise of the Tomb Raider e XCOM 2 rodam de maneira confortável, sem travamentos e um framerate constante, embora seja preciso esclarecer uma coisa: ele ainda é um notebook e conta com uma GTX 1050, não uma GTX 1080 Ti. Isso posto não espere que ele vá rodar games novos com tudo no Ultra, o hardware vai pedir penico e não alcançará os resultados desejados.

A Samsung oferece o Odyssey como uma opção para quem quer curtir sua biblioteca do Steam em qualquer lugar, com uma qualidade considerável e mesmo os mais novos títulos irão rodar, desde que o usuário respeite os limites da configuração de hardware. Quem deseja curtir tudo no talo terá que se resignar a jogar no desktop, muito mais customizável e passível de aguentar o tranco do que uma máquina que apesar das dimensões, ainda é móvel e portanto mais limitada.

Minha crítica mais severa no entanto é direcionada à webcam: tudo bem que não é todo mundo que as utiliza, mas custava a Samsung colocar ao menos um modelo 480p no Odyssey ao invés de uma VGA? Ela não é a única que faz isso, e já passou da hora dos fabricantes deixarem de economizar nesse sentido.

Conclusão

Como primeira tentativa a Samsung até que executou um bom trabalho no Odyssey. Ele é um produto bem construído, com performance muito boa para o hardware apresentado e soluções de design que maximizam seu uso, como o sistema de refrigeração e o overlay que mostra o consumo de recursos, coisas que usuários avançados e gamers prezam.

O que precisa ser melhorado nas próximas gerações: um acesso facilitado ao HD, e uma possível melhora na autonomia para quando você quiser fazer algo mais mundano, em situações onde não há uma bateria por perto. Por fim a webcam apenas VGA, algo que alguns fabricantes ainda escolhem como o componente a economizar destoa de todo o resto do produto, chegando a ser uma aberração.

No mais é um notebook que lhe permitirá jogar games recentes em configurações medianas ou mesmo high (nem tente colocar os mais novos no Ultra) e como hoje ele já pode ser encontrado por até R$ 4 mil na rede varejista, ele se torna uma opção muito atraente para os membros da Glorious PC Gamer Master Race que desejam uma opção móvel para continuar curtindo seus games favoritos, numa situação em que seus desktops da NASA não estão por perto.

Cotação:

4/5 Glorious PC Gamers.

Samsung Notebook Odyssey Inside Story

Pontos Fortes:

  • design atraente (se colocarmos seu DNA gamer de lado) e construção sólida, com teclado confortável
  • sistema de refrigeração competente evita que o Odyssey esquente tal qual o mármore do inferno
  • performance geral permite rodar a totalidade dos games recentes
  • display Full HD com bom ângulo de visão e som na medida

Pontos Fracos:

  • até quando os fabricantes vão insistir em webcams apenas VGA?
  • incluir um SSD de fábrica seria bom, considerando o preço
  • não dá para acessar o HD facilmente
  • a bateria é pífia mesmo em modo de uso leve

Agradecimentos à Samsung por gentilmente nos ceder o produto para testes.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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