Dori Prata 8 anos e meio atrás
Eu nunca me cansarei de defender os games como forma de disseminação cultural, mas assim como acontece em qualquer outra forma de entretenimento, é preciso termos cuidado com aquilo que as obras estão nos entregando.
Quem não parece ter entendido muito bem a ideia de que o Assassin's Creed Unity é uma ficção foi Jean-Luc Mélenchon, ex-ministro e candidato a presidência da França, que durante um programa de rádio criticou duramente a criação da Ubisoft, chegando inclusive a chamá-la de uma “conspiração capitalista”.
“O Unity mostra uma imagem de ódio da Revolução, do povo e da republica, o que é uma crescente no meio da extrema-direita,” vociferou o político, que ainda chamou Maria Antonieta de “aquela cretina, que é celebrada como a pobre garota rica” e saiu em defesa de Maximilien de Robespierre.
“O homem que foi nosso libertador em certo momento da Revolução, porque a Revolução durou muito tempo, Robespierre, é apresentado como um monstro. Isso é propaganda contra o povo, pessoas que são retratadas como bárbaros, selvagens sedentos por sangue. Em 1789 existiam aristocratas pobres e eles são mostrados como pessoas finas.”
Motivações políticas a parte, acho um pouco de exagero o jogo ser criticado por isso, mesmo que a franquia seja conhecida por tentar recriar períodos importantes. Ora, o Assassin's Creed Unity não deveria ser considerado um documento histórico e se os seus criadores resolveram representar algumas figuras de maneira diferente da real, o que talvez nem seja o caso, já que Robespierre era conhecido por seus inimigos como Tirano e outros apelidos igualmente carinhosos, acho que eles tem todo o direito.
O problema é que muitas pessoas poderão pegar aquilo que é contado ali e achar que foi daquela maneira que tudo aconteceu, mas se tais jogadores são incapazes de buscar maiores informações sobre o contexto em que alguns jogos se encaixam, então acho injusto que a culpa seja jogada sobre uma obra de ficção.
Fonte: Daily Telegraph.