Ronaldo Gogoni 12 anos atrás
Embora aja um esforço aparente de empresas de tecnologia em não cooptarem com exploração de trabalhadores nas fábricas chinesas que fornecem seus componentes, na prática não é isso o que ocorre. Vira e mexe vemos casos em que a Foxconn vilipendia seus funcionários (e até mesmo tentou importar seu Modus Operandi para cá, sem sucesso), envolvendo a Apple ou alguma outra empresa. Recentemente a mesma foi acusada (e ela admitiu) ter obrigado estudantes de TI a montarem a o PS4 sob ameaça de que eles não se graduassem.
Pois bem, isso é apenas a ponta do iceberg: diversos informes apontam que não só a Foxconn como inúmeras outras empresas de manufatura da China fazem pior: empregam adolescentes junto a escolas vocacionais sob a mesma ameaça.
Isso não é algo que as empresas controlem, e sim uma espécie de conluio entre o governo da China, montadoras e escolas como forma de atender a demanda das companhias parceiras. As instituições de ensino vocacional mandam adolescentes para as linhas de produção aos milhares, e muitos não têm escolha: ou eles trabalham em um ritmo louco de 12 horas por dia, seis dias por semana ou simplesmente não irão se formar. Não que isso faça alguma diferença, num ritmo desses é impossível que um jovem consiga aprender alguma coisa. Uma jovem de 16 anos que confirmou a situação, dizendo que foi-lhe dado um ultimato: ou ela aceitaria passar o verão inteiro montando computadores ou poderia dar adeus ao seu diploma do ensino médio. Ela e seus colegas de classe foram deslocados para a Quanta Computer, uma fornecedora da HP.
A lei chinesa proíbe que estudantes trabalhem mais de oito horas por dia, mas as fábricas e escolas estão de fato desrespeitando isso e o governo obviamente finge que não vê, pois está lucrando de qualquer forma com o sofrimento alheio. Em alguns casos a força de trabalho de adolescentes supera o número de empregados adultos, muito provavelmente por serem funcionários mais baratos.
A Foxconn, fornecedora de empresas como Apple, Sony, Nintendo, Microsoft e inúmeras outras companhias de tecnologia tem reduzido o número de jovens em seus quadros devido o fato de ser a companhia mais exposta, mas em unidades menores o número de estudantes trabalhando em condições precárias ainda é alto. Outras fornecedoras como as taiwanesas Pegatron, Compal e Winston - que montam equipamentos para Acer e Toshiba - também empregam estudantes em larga escala e segundo informes, suas condições de trabalho não são das melhores. a Acer reconhece que "a porcentagem de jovens nas fábricas é alta" e que no último ano o número deles nas montadoras das três companhias sediadas na região de Chongqing foi cortado pela metade, além de dizer que "os mesmos não são forçados a trabalhar".
Informes de que algumas escolas estão pressionando as fábricas a não exigirem muito dos alunos e cumprirem o que manda a lei, mas denúncias dos internos apontam que práticas como longos períodos de trabalho e turnos noturnos ainda são comuns. O pior disso tudo é que alguns pais desses jovens parecem concordar com tudo o que seus filhos passam, pois eles estão "provando o gosto da sociedade". Outros porém estão fulos com as escolas que ao invés de adequar os jovens a empregos de acordo com suas capacidades e faixas etárias, os estão despachando para linhas de montagem de computadores como mão-de-obra qualquer.
Ao ser questionado, o governo chinês deu a resposta vaga de que os alunos devem ser alinhados r aos contratos firmados com as manufaturas de Chongqing. A escolas de Chengkou e a Comissão Econômica e de Informação de Chongqing não quiseram conceder entrevista.
Esta é uma situação terrível. Embora empresas de tecnologia declarem estar de olho em suas fornecedoras da China, a verdade é que o sistema do país não só exige demais dos adultos como força os mesmos a trabalharem como loucos também, em prol de manter a máquina chinesa girando. Triste, muito triste.
Fonte: WSJ.