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Telescópio Nancy Roman está pronto para subir

Telescópio Espacial Nancy Grace Roman está pronto; missão de instrumento dedicado a encontrar exoplanetas deve iniciar até 2027

25 semanas atrás

O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, ou Telescópio Espacial Roman (RST) para encurtar, está finalmente pronto. Embora não tenha sido um "obra de igreja" tal qual o James Webb, o instrumento nomeado em homenagem à primeira mulher a assumir um cargo executivo e primeira chefe de Astronomia da NASA deve ser lançado até 2027, se nada mais der errado.

A missão do RST é detectar e estudar exoplanetas, bem como servir como mais uma lente para ajudar na definição da cronologia do Universo; ele também será usado para medir a consistência da Relatividade Geral, e conduzir análises referentes à energia escura, um elemento teórico ainda não obversado.

Se tudo correr bem, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman entrará em operação em 2027 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Se tudo correr bem, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman entrará em operação em 2027 (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Telescópio Roman quase não saiu

Em comparação com o James Webb, o Roman é um projeto bem mais novo, mas herdeiro de iniciativas anteriores, como a Missão Conjunta de Energia Escura (JDEM), um projeto conjunto entre a NASA e o Departamento de Energia do governo dos Estados Unidos, que envolvia uma sonda para estudar aceleração de supernovas, e dois telescópios espaciais para detectar e estudar energia escura

Quando o projeto foi cancelado, todos os três projetos de instrumentos foram integrados pela NASA em um só, chamado inicialmente de Telescópio de Inspeção Infravermelha de Campo Amplo (Wide Field Infrared Survey Telescope em inglês). Os estudos iniciaram em 2012, para em 2015 decidirem por uma órbita no ponto Lagrange 2, uma posição entre a Terra e o Sol onde a gravidade de ambos astro de equivale, assim, o RST precisará de pouca energia para realizar manobras de correção, a fim de se manter na mesma posição.

O Roman possui uma lente principal do tamanho da equipada no Hubble, com 2,4 m de diâmetro, mas com um campo de visão 100 vezes maior, dedicado a capturar panoramas ainda maiores do Universo; o James Webb, com sua lente de 6,5 m e maior capacidade de enxergar no espectro infravermelho, é voltado a fazer observações profundas e captar registros antigos do Cosmos, além de analisar atmosferas de exoplanetas.

Em tese, o RST é o sucessor de facto do Hubble, que deve mergulhar no Pacífico por volta de 2035; embora sua órbita esteja decaindo desde 2009 e não haja nenhuma maneira de resgatá-lo, ele continuará operando até o limite, e por um tempo, deveremos ter três grandes observatórios em operação no Espaço.

Apesar da importância dada pela NASA ao RST, o telescópio quase não foi concluído, e o culpado tem nome e sobrenome: Donald Trump.

Durante seu primeiro mandato como presidente, a Casa Branca tentou múltiplas vezes cancelar o projeto, cortando os fundos necessários da NASA para que ele fosse concluído; o Congresso dos EUA o restaurou cada vez, mantendo a missão para um lançamento marcado em meados dos anos 2020; o Centro Goddard, responsável pela sua construção, teve quatro anos de relativa tranquilidade durante a administração de Joe Biden, mas tão logo o Topknot Man voltou, seu gabinete voltou a impor restrições severas à agência.

A proposta do gabinete de Trump para o orçamento de 2026, é de reduzir o orçamento da NASA em 24%, para US$ 18,8 bilhões (~R$ 103,9 bilhões, cotação de 18/12/2025); o setor de Ciência seria o mais afetado, recebendo apenas US$ 3,9 bilhões (~R$ 21,6 bilhões), ou 47% a menos quando comparado a 2025.

Não obstante, a proposta prevê demissões em massa, mudança de foco exclusivo para a exploração espacial (missões tripuladas rumo a Lua e Marte), a interrupção de pesquisas voltadas às mudanças climáticas, e o fechamento e consolidação de centros de pesquisa, onde o Centro Goddard, que administra tanto o Roman quanto o James Webb e o Hubble, seria um dos candidatos a fechar as portas.

O corte do orçamento em Ciência visaria principalmente o cancelamento do RST, que custou US$ 4,3 bilhões (~R$ 23,8 bilhões), bem menos que o James Webb, mas ainda uma quantia alta demais para funções que o governo Trump não quer que sejam priorizadas; o Congresso, por outro lado, discorda dos cortes gerais, ainda que a Câmara dos Representantes e o Senado divirjam em alguns pontos.

Mesmo com a situação ainda em um impasse, a construção do Telescópio Nancy Roman, que já estava bastante adiantada, continuou até sua conclusão, semanas atrás; ele só precisa passar por inspeções para ser selado, registrado, carimbado, e liberado para voar. Jackie Townsend, vice-gerente de projeto do Centro Goddard, está empolgada com a possibilidade de "capturar mapas 3D da Via Láctea", enquanto reconhece os desafios enfrentados até aqui.

O RST completo em uma sala limpa da NASA, com os painéis solares em evidência (Crédito: Jolearra Tshiteya/NASA)

O RST completo em uma sala limpa da NASA, com os painéis solares em evidência (Crédito: Jolearra Tshiteya/NASA)

Concluídos os testes funcionais, o Telescópio Espacial Roman deverá ser levado até o Centro Espacial Kennedy, na Flórida, onde ele será lançado por um Falcon Heavy; o contrato com a SpaceX prevê o lançamento para outubro de 2026, com atrasos previstos até maio de 2027.

Dado que ele está devidamente montado, o máximo que Trump poderá fazer é insistir em podar o orçamento de manutenção, e/ou forçar o plano de downsizing do Centro Goddard, que envolve fechar 13 prédios e cerca de 100 laboratórios.

Fonte: Ars Technica

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