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Hollow Knight: Silksong — valeu a pena esperar

Após uma longa espera, Hollow Knight: Silksong supera as expectativas do público, como um dos melhores Metroidvanias dos últimos anos

39 semanas atrás

Hollow Knight: Silksong é, assim como seu antecessor, um dos mais belos e originais Metroidvanias já lançados. O segundo game da desenvolvedora independente Team Cherry, originalmente pensado como uma expansão do Hollow Knight original, entrega tudo o que foi prometido após anos de silêncio, que deixou os fãs desesperados por informações.

A aventura estrelada por Hornet, aqui promovida de personagem de suporte a protagonista, ainda que tenha uma apresentação similar, caminha com as próprias pernas e supera o título de 2017 em vários aspectos.

Hollow Knight: Silksong (Crédito: Divulgação/Team Cherry)

Hollow Knight: Silksong (Crédito: Divulgação/Team Cherry)

Jornada rumo ao desconhecido

A história de Hollow Knight: Silksong se passa após os eventos do primeiro game. Hornet, a caçadora que foi rival e aliada do Cavaleiro Sem Nome na aventura anterior, é capturada e levada para outra região habitada por insetos, chamada Pharloom, um domínio novo e desconhecido, ainda que familiar para os jogadores.

Hornet deve investigar esse novo mundo, interagir com seus habitantes, e enfrentar uma enorme leva de inimigos para conquistar Pharloom e voltar para casa. A variabilidade de criaturas é bem grande, com mais de 200 oponentes comuns e mais de 40 chefes, todos com padrões de ataque diversos.

Os cenários também são bastante ricos, de pântanos a cavernas cobertas com musgo, tudo desenhado e animado à mão, e ambientado pela trilha sonora composta por Christopher Larkin, que volta a fazer um excelente trabalho, do mesmo nível de qualidade ouvido em Hollow Knight.

Hollow Knight: Silksong (Crédito: Divulgação/Team Cherry)

Hollow Knight: Silksong (Crédito: Divulgação/Team Cherry)

A protagonista da vez é bem diferente do Cavaleiro, Hornet é muito mais acrobática e usa sua agulha para atacar muito bem, além de contar com diversas habilidades de suporte, como o dash, desbloqueado no início do game, um dos mais essenciais, além de se curar mais rápido. Você também pode criar armas secundárias e comprar itens, similar ao que já fazia em Hollow Knight.

A dificuldade é bem ajustada ao gameplay diferenciado, claro. Usando nomenclaturas de outros games, o Cavaleiro era essencialmente um Tanque, mais resistente e pesado, enquanto Hornet é uma DPS, ágil e capaz de causar dano pesado, mas relativamente mais frágil. Mesmo inimigos iniciais poderão derrotá-lo com apenas dois ou três golpes, forçando-o a voltar ao último ponto de salvamento, e ter que refazer o caminho para coletar o dinheiro que perdeu.

Backtracking é uma característica elementar em qualquer Metroidvania que se preze, e este foi um dos quesitos em que Hollow Knight: Silksong fez melhor em relação a seu predecessor. A opção de atualizar o mapa, que continua bem limitado no início, dica disponível bem mais cedo na aventura, sendo esta uma das mais recorrentes reclamações de jogadores em relação a Hollow Knight.

Silksong, a longa espera, e os memes

A origem de Hollow Knight: Silksong pode ser rastreada até os primeiros esboços de Hollow Knight, na forma do protótipo Hungry Knight!, desenvolvido durante uma game jam e disponibilizado no site Newgrounds em 2013.

Na campanha original do Kickstarter, aberta em 2015, a aventura de Hornet fora planejada como um conteúdo adicional, a ser disponibilizada a quem contribuiu e compradores posteriores.

Hollow Knight: Silksong (Crédito: Divulgação/Team Cherry)

Hollow Knight: Silksong (Crédito: Divulgação/Team Cherry)

No entanto, o escopo de Silksong cresceu tanto ao longo dos anos, que os australianos Ari Gibson (arte) e William Pellen (design e gameplay), co-fundadores da desenvolvedora indie Team Cherry, decidiram que de DLC, ele seria convertido em um game completo, com a promessa de liberá-lo aos backers de Hollow Knight mantida. Exatamente por causa destes, os desenvolvedores decidiram não liberar o jogo em pré-venda, nem enviar cópias à imprensa e influenciadores, assim, todo mundo começou a jogar ao mesmo tempo.

Anunciado oficialmente em 2019, Silksong foi tratado com muito cuidado pela Team Cherry, que decidiu, pelo bem do produto, permanecer em quase completo silêncio de rádio por anos, se recusando a apresentar teasers de como o processo caminhava. Os fãs de Hollow Knight entraram em parafuso com a escassez de notícias (alguns até acreditam que ele não existia), e cada novo evento ou programa, do Nintendo Direct ao The Game Awards, onde o game simplesmente não dava as caras, rendeu uma série de memes.

E como se não bastasse, a correria do público no momento em que Silksong foi liberado para compra e/ou acesso (ele foi incluído no Xbox Game Pass, como um lançamento de Dia 1), aliado a um preço baixo em prol de torná-lo o mais acessível possível, fez com que todas as lojas digitais, do Steam e GOG à Microsoft Store, PS Store e Nintendo Store, fossem derrubadas ou apresentassem instabilidade, o movimento de manada dos gamers não diferindo em nada de um ataque DoS massivo, ainda que não intencional.

Como todo game, há alguns deslizes técnicos menores que deverão ser corrigidos com o tempo, como ajustes já anunciados na localização para chinês; a em português, por outro lado, foi bem executada e não apresenta derrapadas significativas.

Hollow Knight: Silksong (Crédito: Divulgação/Team Cherry)

Um ponto que merece ser destacado, que pode ser um empecilho para quem não está acostumado com Metroidvanias, mas ficou curioso com todo o hype ao redor de Hollow Knight: Silksong, é a dificuldade. Alguns inimigos exigem respostas rápidas do jogador, em um grau um pouco mais elevado do que o visto em Hollow Knight, e em outros títulos do gênero, ainda que você conte com diversos recursos de apoio.

Dito isso, quem se dedicar a superar seus desafios, encontrará um game com um visual estado-da-arte, músicas melancólicas e cativantes, e desafio e fator replay muito satisfatórios.

Conclusão

A longa novela e memes podem ter chegado ao fim, mas a jornada de Hollow Knight: Silksong como um dos melhores Metroidvanias disponíveis apenas começou. A aventura de Hornet superou as expectativas dos jogadores, ao entregar um jogo longo, com desafio elevado, muitas áreas para explorar, inimigos e NPCs interessantes, e visual e trilha sonora ainda melhores que os de Hollow Knight.

Dizer que o segundo título da Team Cherry figura entre os melhores games de 2025, e é um sério candidato a levar um monte de prêmios para a Austrália, incluído o de game do ano do TGA, BAFTA e cia., é apenas atestar o óbvio.

Hollow Knight: Silksong (Crédito: Divulgação/Team Cherry)

Ainda que nem todo mundo seja fã do gênero Metroidvania, e alguns jogadores prefiram experiências mais tranquilas e menos exigentes em termos de habilidade e reflexos rápidos, tanto Hollow Knight: Silksong quanto seu antecessor Hollow Knight, merecem ser experimentados principalmente por serem games baratos (algo que foi criticado por outros devs indie), duas aventuras que valem muito mais do que custam.

Na minha humilde opinião, ambos games da Team Cherry merecem entrar para a lista dos melhores games da última década, e jogados por quem aprecia aqueles com uma boa história, visuais lindos, e trilha sonora e jogabilidade excelentes.

Hollow Knight: Silksong — Ficha Técnica

  • Plataforma — PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, PS4, Xbox One, Nintendo Switch, Windows, macOS, Linux (testado no Windows);
  • Desenvolvedora — Team Cherry;
  • Distribuidora — Team Cherry;
  • Classificação indicativa — Livre.

Pontos Fortes

  • Design e trilha sonora belíssimos;
  • Controles precisos e responsivos;
  • Muita coisa para explorar;
  • Narrativa não depende de Hollow Knight.

Ponto Fraco

  • Um pouco difícil para novatos em Metroidvanias.

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