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Primal Planet — dinos, aliens, e abraços

Primal Planet é um "dinovania" com elementos de sobrevivência em um mundo pré-histórico, que definitivamente não pega na sua mão

47 semanas atrás

Primal Planet, assim como Cave Story muitos anos atrás, é fruto do trabalho de uma única pessoa, o desenvolvedor sul-africano radicado na Finlândia Albert van Zyl, que atende pelo pseudônimo Seethingswarm.

O game é um metroidvania ("dinovania", segundo o criador) focado em sobrevivência e criação de ferramentas, que conta uma história envolvente de uma família pré-histórica, sem usar diálogos.

Primal Planet (Crédito: Divulgação/Seethingswarm/Pretty Soon)

Primal Planet (Crédito: Divulgação/Seethingswarm/Pretty Soon)

Planeta Dinossauro, agora com mais aliens

Lançado inicialmente apenas para Windows (PS5, Xbox Series X|S, PS4, Xbox One, e Nintendo Switch receberão o game no futuro), Primal Planet é escorado quase que completamente em suas mecânicas, ainda que não seja exatamente um metroidvania convencional.

Suas decisões de design o fazem se aproximar mais do gênero plataforma tradicional com elementos adicionais, mas não o suficiente para que ele não seja considerado um membro da família dos jogos focados em backtracking.

Primal Planet (Crédito: Divulgação/Seethingswarm/Pretty Soon)

Primal Planet (Crédito: Divulgação/Seethingswarm/Pretty Soon)

O game não possui diálogos, toda a história é contada por elementos visuais, efeitos sonoros, e linguagem corporal. Você controla um pai de família em um mundo pré-histórico ao estilo dos desenhos animados, em que humanos e dinossauros coexistem, e junto de sua esposa, filha, e do dino de estimação, terá que passar por diversos perigos na floresta, desde dinos maiores e tribos rivais, a alienígenas armados até os dentes.

Sua família é controlada pela CPU, e todos trabalham em conjunto. A esposa, armada com um arco-e-flecha, é especialmente letal na hora do combate, e sua filha serve de apoio emocional, além de ter que ser protegida. Já Sino, o Dino de estimação, também pode ajudá-lo a enfrentar inimigos, e possui sua própria árvore de habilidades, isso porque ele pode ser controlado no modo co-op local por outro jogador.

O cuidado de Seethingswarm ao conceber esses personagens vai dos detalhes visuais, suas expressões, ao fato de que você pode abraçá-los, mostrando o afeto que a família tem uns pelos outros, o que leva o jogador a se apegar a eles — algo que a narrativa explora várias vezes.

Sobrevivência dos mais fortes

Uma coisa a ser dita sobre Primal Planet é que é um game, como dizer... rústico. O mapa, uma ferramenta essencial em qualquer metroidvania, recebeu inúmeras reclamações dos jogadores, mas é preciso entender que ele foi concebido como se tivesse sido desenhado por um caçador-coletor primitivo. Uma vez que você entende a intenção e os símbolos, ele se torna perfeitamente útil.

Primal Planet (Crédito: Divulgação/Seethingswarm/Pretty Soon)

Primal Planet (Crédito: Divulgação/Seethingswarm/Pretty Soon)

Outro ponto é a decisão de design por não ser um game paternalista. Ele não aponta objetivos nem para onde você deve ir, ele não ensina a importância entre a mudança do dia para a noite, onde a visibilidade fica prejudicada, dificultando identificar armadilhas, e que predadores noturnos e bem perigosos estarão à espreita.  Você também pode contratar companheiros de sua tribo, que são bastante úteis.

Seethingswarm parte do princípio que o jogador é quem deve explorar tudo, do ambiente aos menus e as mecânicas, e como um projeto de um homem só, algumas decisões também se manifestam de limitações durante o desenvolvimento. A história, por exemplo, embora bastante rica, é concentrada nos atos iniciais e finais, deixando o meio com um deserto de narrativa.

De resto, você será estimulado a explorar bastante, evoluir suas habilidades (invista no nado, conselho de amigo) e do Sino, melhorar seus equipamentos, criar iscas e armadilhas, e saber quando é a hora de lutar, e quando é mais sábio evitar conflitos.

Na parte técnica, Primal Planet conta com uma bela pixel art, onde tudo é animado e cada personagem é bastante expressivo, ainda que a ambientação na floresta a maior parte do tempo torne o desafio um tanto repetitivo; a trilha sonora é igualmente excelente, climatizando perfeitamente a aventura.

Conclusão

Primal Planet deixa transparecer sua origem como um game feito por uma só pessoa, para o bem e para o mal. A dedicação aos detalhes e ao visual de Seethingswarm vêm aliados a algumas pequenas falhas que poderiam ser mitigadas com uma equipe maior, mas em última análise, tais marcas fazem parte do "charme" do game.

Primal Planet (Crédito: Divulgação/Seethingswarm/Pretty Soon)

Primal Planet (Crédito: Divulgação/Seethingswarm/Pretty Soon)

Dentro do que promove, ser um metroidvania ambientado na pré-história e com inimigos que devem ser superados usando principalmente a cabeça e trabalho em equipe (com NPCs ou um amigo em co-op local), o game é bastante divertido e cativante, e possui uma bagagem emocional impressionante se levarmos em conta a ausência de diálogos.

A meu ver, Primal Planet é um dos games do gênero mais criativos dos últimos tempos, que merece ser mais conhecido e divulgado; da mesma forma, Seethingswarm é um desenvolvedor que deve ser observado com atenção, na espera de seus próximos projetos.

Primal Planet — Ficha Técnica

  • Plataforma — Windows (testado com cópia cedida pela Pretty Soon);
  • Desenvolvedora — Seethingswarm;
  • Distribuidora — Pretty Soon;
  • Classificação indicativa — Livre.

Pontos Fortes

  • Bela pixel art;
  • História interessante, contada sem uma palavra sequer;
  • Modo co-op, mesmo limitado, é bem-vindo;
  • Você pode abraçar sua esposa, filha, e dino. E isso é fofo.

Pontos Fracos

  • Cenários um tanto repetitivos;
  • Falta de ajuda pode irritar alguns jogadores.

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