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Prince of Persia: The Lost Crown — Recomeço

Resgatando uma das franquias mais adoradas, Prince of Persia: The Lost Crown é um ótimo metroidvania e que traz algumas boas ideias para o gênero

11/01/2024 às 14:03

Quando em 2020 a Ubisoft anunciou que estava produzindo um remake do excelente Prince of Persia: The Sands of Time, parecia que aquele seria o retorno de uma série adorada, mas que andava dormente desde 2010. Com o tempo, aquele projeto passaria por várias mudanças, inclusive de desenvolvedora e a missão de nos levar novamente àquele universo caberia a outro título, o Prince of Persia: The Lost Crown.

Prince of Persia: The Lost Crown

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Desenvolvido pelo Ubisoft Montpellier, mesmo estúdio responsável pela série Rayman, Prince of Persia: The Lost Crown foi um projeto que se estendeu por mais de três anos e conseguiu uma façanha: se manter desconhecido do público até poucos meses antes do seu lançamento.

Produzido como um metroidvania e com uma jogabilidade em duas dimensões, o jogo não nos colocará na pele do príncipe da Pérsia, mas sim na de Sargon, um jovem guerreiro que pertence a um grupo de elite conhecido como Os Imortais.

Após repelir um ataque inimigo que os ameaçava, a principal força de defesa do reino se vê em apuros quando descobre que o Príncipe Ghassan foi sequestrado. Essa será a motivação para Sargon explorar o Monte Qaf, um lugar conhecido pelas suas belezas, mas que agora está tomado por uma terrível maldição.

Durante a parte inicial do The Lost Crown, confesso ter achado que de Prince of Persia ele tinha pouco, mas conforme avançava pelo mapa — que vale dizer, é gigantesco, um dos maiores do gênero — consegui perceber o quanto ele respeitava a série original. Sem querer entrar em detalhes do enredo para não estregar sua experiência, posso dizer que o tempo terá um papel fundamental na narrativa, com o jogador se sentindo tão perdido e surpreso com as reviravoltas quanto o protagonista.

Embora aqui a história não seja o ponto central do jogo, ela é bem escrita e nos apresenta a diversos personagens interessantes. Mesmo enquanto estivermos preocupados em desviar dos ataques e encontrar brechas para ferir os adversários, será constante a curiosidade para saber como a aventura de Sargon se desenrolará, assim como os mistérios que se apresentam constantemente.

Facilitando a exploração

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Contudo, até pela sua estrutura, é inegável que o ponto alto do Prince of Persia: The Lost Crown está na sua jogabilidade e exploração. Como um bom metroidvania, ele nos entregará um mapa repleto de segredos, trechos desafiadores e a necessidade de revisitarmos locais que antes eram inacessíveis.

Porém, mesmo com tantos títulos do gênero lançados nos últimos anos, os profissionais da Ubisoft Montpellier conseguiram implementar alguns recursos bem interessantes e que até ajudam a oxigenar esse tipo de jogo.

O principal deles é a possibilidade de marcarmos áreas de interesse no mapa. Embora isso não seja algo novo, com diversos títulos nos permitindo colocar pins e até escrever curtas mensagens, a maneira como o Prince of Persia: The Lost Crown implementou esses facilitadores é simples, mas nem por isso menos genial.

Durante a exploração, a qualquer momento bastará apertar o direcional para baixo para capturarmos uma imagem da tela, o que adicionará o símbolo de um olho ao mapa e ao clicarmos nele, veremos a “fotografia”. Desta forma, será fácil sabermos se naquela sala havia um baú inalcançável, uma plataforma que exigia pulo duplo, uma parede que só poderia ser destruída com explosivo ou qualquer outro obstáculo que impedisse o nosso progresso.

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Embora a quantidade de registros que podemos fazer seja limitada, aos poucos ganharemos direito a mais “fotos” e após nos habituarmos a utilizar o recurso, será fácil não desejar que ele estivesse presente em qualquer metroidvania. Apenas de olhar para aquelas imagens já saberemos o que existia numa sala que pode estar do outro lado do mapa, o que nos poupará bastante tempo de viagem até lá.

Isso nos traz a outra facilidade implementada pelos desenvolvedores, que são os checkpoints e locais de viagem rápidas. Ao contrário de boa parte dos jogos do gênero, aqui esbarraremos a quase todo momento nesses pontos, o que torna a progressão muito mais agradável. Também ajuda os arredores das árvores Wak-Wak, que servem como checkpoints serem sinalizados e assim sabemos quando uma está próxima.

No entanto, isso não significa que o Prince of Persia: The Lost Crown seja um jogo fácil. Embora eu não tenha encontrado muito desafio na parte inicial, o que estava me frustrando, em sua segunda metade a dificuldade ficou muito maior, com os chefes (e são muitos) passando a exigir todo o meu reflexo e agilidade.

Também merece elogios as várias opções de acessibilidade implementadas pela Ubisoft Montpellier. Elas vão desde a possibilidade de escolhermos o tempo para apararmos golpes inimigos, até a maneira como os itens e próximos pontos de interesse serão mostrados no mapa ou a criação de portais para evitarmos querências de plataforma muito difíceis. Para aqueles que preferem uma experiência mais parecida com os jogos antigos, basta desativar tudo.

Lute como um dragão, esquive como um raio

Prince of Persia: The Lost Crown

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Jogos de plataforma costumam entregar sistemas de combates um tanto simples, onde basta apertar o botão de ataque rapidamente para derrotarmos nossos inimigos. Porém, esse não é o caso em Prince of Persia: The Lost Crown. No início essa tática até poderá funcionar, mas com o tempo os inimigos exigirão nossa total atenção, mesmo os mais fracos.

O motivo para isso está no sistema de batalha, onde somos incentivados não só a atacar, mas defender na hora certa. Com o jogo contando com um botão para desviar dos golpes e outro para defendê-los, saber qual usar fará toda a diferença nos confrontos e como teremos apenas uma fração de segundo para pensar, apenas a prática nos aproximará da perfeição.

Além disso, Sargon possui uma barra que nos dará acesso a especiais quando preenchida, o que acontecerá golpeando os inimigos, mas também defendendo seus ataques. O problema é se formos atingidos essa barra diminuirá e se errarmos a defesa, ficaremos mais expostos e o dano causado será maior.

Essa dualidade no sistema de defesa torna os combates mais tensos e por vezes, quando tentei avançar sem pensar muito no que estava fazendo, acabei sofrendo muito dano ou até sendo derrotado por inimigos simples. Isso faz do Prince of Persia: The Lost Crown um jogo desafiador na medida certa e que está a todo momento cobrando nossa dedicação.

Já na parte dos ataques, a liberdade para a execução de combos também merece elogios, com as várias habilidades que aprendemos podendo ser empregadas nas batalhas. Eu não posso dizer que isso seja algo simples, mas os jogadores mais habilidosos poderão realizar bombos incríveis, fazendo com que Sargon pareça estar realizando um balé mortal.

A bela e misteriosa Pérsia

Prince of Persia: The Lost Crown

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Eu nunca esconderei a minha paixão pela pixelart e por isso, fico pensando como esse retorno do Prince of Persia poderia ter ficado se feito desta maneira. No entanto, isso não quer dizer que não tenha gostado do trabalho realizado pelos artistas da Ubisoft Montpellier.

Dos cenários aos personagens, com destaque para os enormes e muito bem desenhados chefes que encontramos pelo caminho, o jogo é muito bonito e repleto de detalhes. Da Cidadela do Conhecimento à Floresta Hircânia, passando pelas profundezas, o Poço das Areias Eternas e os muitos biomas espalhados pelo mapa, estamos sempre chegando a um lugar visualmente bastante diferente do anterior.

Parte dessa sensação de fascínio também é proporcionada pela maneira brilhante como os desenvolvedores aproveitaram e abordaram a mitologia persa. Com textos espalhados pelos cenários e que ajudam a contar um pouco dos costumes daquela civilização, The Lost Crown é mais um jogo da Ubisoft a fazer um excelente trabalho quando se trata da disseminação cultural, muitas vezes servindo quase como um material educativo.

Também vale destacar a ótima trilha sonora composta por Mentrix, compositor iraniano que misturou instrumentos tradicionais com sons modernos. Além dele, Gareth Coker também assina a trilha, contribuindo principalmente para as batalhas contra os chefes.

O retorno digno de um príncipe

Crédito: Divulgação/Ubisoft

Após tantos anos sem a série ver um lançamento, era natural que a expectativa pelo Prince of Persia: The Lost Crown fosse imensa. Porém, o fato de o jogo ter sido revelado sem uma grande antecedência e os problemas enfrentados pelo remake do The Sands of Time fizeram com que os fãs tivessem um certo receio e agora posso dizer que isso foi positivo.

Mesmo chegando sem causar todo o alarde que a marca merece, essa é uma obra extremamente competente naquilo que planejava entregar, podendo ser considerada sólida em todos os aspectos que fazem com que um jogo seja apontado como excelente.

Ao saber que esse retorno seria feito como um metroidvania, admito ter ficado um pouco preocupado, afinal o mercado anda cheio de títulos assim. Contudo, Prince of Persia: The Lost Crown mostrou um nível de qualidade, diversão e até inovação que me surpreendeu positivamente, fazendo com que já o coloque ao lado das melhores produções mais recentes do gênero, como Metroid Dread, Hollow Knight, Ori and the Blind Forest e Bloodstained: Ritual of the Night.

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