Dori Prata 2 anos atrás
Com mais de 41 milhões de cópias vendidas ao longo dos últimos 37 anos, a franquia Mega Man se tornou um dos maiores e mais adorados ícones da indústria. Em 2020 ela até recebeu um spin-off com o Mega Man X Dive, mas os fãs querem mais, eles adorariam ver a série principal sendo continuada ou que outros projetos baseados no universo do Bombardeiro Azul fossem produzidos e segundo a Capcom, isso deverá acontecer.
Tal possibilidade foi levantada durante uma sessão de perguntas e resposta realizada pela editora com acionista e em um determinado momento da reunião, uma pessoa questionou quais os planos da Capcom para a franquia.
“Mega Man é uma das nossas mais valiosas propriedades intelectuais e estamos considerando como criar jogos para ela numa base contínua,” disse um representante da empresa.
A resposta pode não revelar muitos detalhes, mas essa última parte foi o que chamou minha atenção, porque aparentemente a Capcom não estaria planejando um jogo, mas fazer com que o Bombardeiro Azul não fique tanto tempo sem lançamentos.
Outro detalhe que considero importante e reforça esse provável retorno foi uma pesquisa que a empresa realizou recentemente e onde perguntou para quais franquias mais gostaríamos de ver novos capítulos. Mais de 250 mil pessoas participaram da votação e o Mega Man apareceu na segunda colocação, atrás apenas da franquia Dino Crisis. A título de curiosidade, abaixo deixo a lista completa, com os respectivos números de votos:
Nesta pesquisa também podemos notar que o robozinho azul apareceu na segunda colocação quando a pergunta foi qual a franquia favorita, ficando atrás do Resident Evil quando se trata do público mundial, ou do Monster Hunter quando olhamos apenas para os jogadores japoneses. Já quando ao assunto foi o personagem favorito criado pela Capcom, o Mega Man ficou na sétima colocação, enquanto o X apareceu na terceira.
A pesquisa ainda trouxe alguns comentários feitos por aqueles que participaram e neles podemos ver vários pedidos para que o Bombardeiro Azul retorne. E a julgar por outra resposta dada aos acionistas, a intenção da Capcom é justamente aproveitar os dados coletados.
“Valorizamos todas as nossas propriedades intelectuais e estamos pensando em maneiras de utilizá-las não apenas em jogos, mas também em outras mídias,” disse um representante. “Como jogos, pensamos que a jogabilidade e o apelo específico que uma propriedade intelectual possui são importantes e adotamos uma abordagem multifacetada para os nossos jogos, incluindo não apenas novos títulos e remakes, mas também conversões e coleções.”
A resposta segue dizendo que eles estão avaliando como aproveitar essas marcas para garantir que a maior quantidade possível de jogadores possa aproveitá-las. No caso específico do Mega Man, falar em compilações não me parece a melhor ideia, pois ao longo dos anos vimos o lançamento de inúmeras delas e acredito que já estamos bem servidos neste sentido.
Mesmo assim, gosto de ver a Capcom interessada em continuar explorando (no bom sentido) uma das minhas franquias preferidas. Talvez o que falte à empresa agora é um pouco de ousadia, experimentos que levem o personagem para outros gêneros, por mais que isso possa desagradar os fãs mais puristas.
Digo isso porque recentemente vimos a Ubisoft acertar ao resgatar a franquia Prince of Persia e nos entregar duas aventuras bem diferentes, uma no estilo metroidvania e outra como um roguelike. Pode parecer heresia e concordo que o gênero anda um tanto saturado, mas será que um Mega Man que seguisse os passos de Metroid não daria certo?
Indo um pouco mais longe, eu adoraria ver um capítulo que pendesse para o lado dos RPGs e acho que algo assim poderia funcionar tanto em duas quanto em três dimensões, como o Mega Man Legends. Se pudesse escolher, eu ficaria com algo mais old school, parecido com o que tínhamos na época do Super Nintendo, mas não reclamaria caso eles fossem para um caminho mais moderno, com batalhas em tempo real e gráficos de ponta.
As possibilidades são muitas e a própria Capcom já se aventurou por algumas delas. De aproveitar os robôs em um jogo de futebol até mesmo nos colocar em RPGs de ação (série Star Force) e de estratégia (Battle Network), não dá para dizer que a franquia se resume a jogos de plataforma com visão lateral.
Mas enquanto a Capcom não decide o que fazer com a marca, as homenagens prestadas pela comunidade em forma de jogos seguem a todo vapor. E uma das que mais me impressionou recentemente foi um jogo para Mega Drive que atende pelo nome Mega Man: The Sequel Wars.
Criado por um desenvolvedor conhecido como Woodfrog, a ideia aqui é fazer com que o jogo sirva como uma continuação para o Mega Man: The Wily Wars, que foi lançado pela Capcom em 1994. Porém, enquanto aquela compilação recriava os três primeiros capítulos da série, a deste fã dá o mesmo tratamento aos três seguintes.
Por enquanto, apenas o Mega Man 4 está concluído, mas o resultado alcançado pelo projeto impressiona. No console de 16 bits da Sega o jogo está bem mais bonito, com os gráficos entregando muito mais detalhes e essa nova versão trazendo várias novidades, como a possibilidade de jogar com Proto Man e Roll.
Abaixo você confere o trailer do que seu criador chama de Episode Red e caso queira jogar, o download pode ser feito gratuitamente aqui.
Outro belo trabalho realizado por aqueles que se dedicam a melhorar jogos antigos é o projeto Mega Man Mania. Nele o objetivo é dar cor aos cinco jogos do personagem que apareceram no Game Boy e recentemente eles lançaram o Mega Man World 3 DX.
Nesta versão, além de o jogo ficar colorido, os modders removeram os slowdowns existentes no original e fizeram ajustes na animação dos personagens e em suas hitbox. Mesmo assim, o título funciona perfeitamente em um Game Boy Color ou em seus emuladores, sendo a versão ideal para quem quiser experimentar o jogo.
Esse é o tipo de modernização que me faz pensar como muitas vezes as empresas são preguiçosas ao relançar seus clássicos. Com a força de trabalho a que elas têm acesso, tratamentos assim deveriam acontecer em todo jogo relançado e para aqueles que preferem a versão original, bastaria nos dar a opção de qual jogar.
Contudo, felizmente ainda existem pessoas com talento e disposição para fazer aquilo que os donos das propriedades intelectuais não estão dispostos.
Fonte: Push Square