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Meta teria ignorado políticas de privacidade da Apple

Ex-funcionário diz que Meta inflou desempenho de anúncios e contornou política da Apple, que bloqueia rastreio de dados em apps

43 semanas atrás

Em 2021, a Apple introduziu a Transparência no Rastreamento de Apps (App Tracking Transparency, ou ATT), uma política que colocava nas mãos dos usuários a decisão sobre permitir, ou não, que apps podem rastrear suas atividades, e coletar dados, em sites e outros apps. O Meta sentiu a paulada mais do que outras empresas, tendo inclusive apelado para o FUD. Não adiantou, claro.

A companhia de Mark Zuckerberg apelou para estratégias alternativas como forma de recuperar o dinheiro perdido, de modo a continuar rastreando usuários sem permissão, o que inclusive rendeu um processo nos Estados Unidos.

Meta teria inflado desempenho de anúncios e contornado regras de privacidade (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Meta teria inflado desempenho de anúncios e contornado regras de privacidade (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Agora, novas acusações se somam às antigas, com um ex-profissional do Meta acusando a gigante não só de ignorar as novas regras da Apple, mas também de tapear anunciantes ao inflar desempenho de anúncios em até 19%.

Meta driblou restrições da Apple

Informes de que o Meta vem driblando as restrições da Apple não são exatamente novas. A ATT, implementada na versão 14.5 do iOS, iPadOS e tvOS, permite que donos de iPhones, iPads, e Apple TVs possam impedir que apps rastreiem suas atividades em outras aplicações, individualmente ou de forma geral. Todo app é forçado, na primeira execução, a exibir uma janela pop-up perguntando se ele pode, ou não, coletar informações cruzadas.

Já na primeira semana de atividade da ATT, 87% dos usuários de iGadgets em todo mundo bloquearam todas as solicitações, o que fez o dinheiro levantado por companhias que dependem desses dados para fazer caixa, como Meta, Google, X e afins, virarem poeira. O pânico de Zuck foi tamanho, que o Facebook e o Instagram começaram a exibir mensagens para amedrontar os usuários, dizendo que ambas redes deixariam de ser gratuitas caso bloqueassem a coleta.

O Meta levou um tombo na receita de aproximadamente US$ 10 bilhões por ano (~R$ 54,8 bilhões, cotação de 21/08/2025) a partir de 2022, e uma imediata desvalorização de mercado recorde de 26%, em apenas um dia. Não demorou muito, e a companhia começou a se mexer para contornar as medidas de Cupertino, e continuar coletando dados de usuários, mesmo se eles não quisessem.

A primeira envolveu uma ferramenta chamada Mensuração de Eventos Agregados, que oferecia métricas de grande escopo, basicamente dados de comportamento de grandes grupos, menos precisos, mas ainda úteis. Posteriormente, o Meta implementou códigos nos navegadores embutidos do Facebook e Instagram, que liam o comportamento de indivíduos assim que clicavam em um link nas redes sociais, e seguiam coletando tudo o que continuavam fazendo.

Funcionava assim: o Meta não sabe que você é você, mas como seu iPhone tem uma identificação individual, ele sabe que no dia W, o usuário "30255BCE-4CDA-4F62-91DC-4758FDFF8512" clicou em um link em um de seus apps, abriu o navegador embutido, clicou no botão X, viu um anúncio Y, acessou a loja Z, e comprou um item ABC.

Foi essa marmotagem que levou a uma ação pública contra o Meta, que a companhia encerrou ao pagar US$ 37,5 milhões aos reclamantes; a decisão da corte, no entanto, criou um precedente ao entender que dados inferidos ou anônimos ainda são pessoais, logo, também não devem ser coletados sem autorização expressa dos usuários.

Meta de Mark Zuckerberg perdeu bilhões de dólares em receita desde 2021, quando a Apple implementou o bloqueio de rastreamento em apps (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Meta de Mark Zuckerberg perdeu bilhões de dólares em receita desde 2021, quando a Apple implementou o bloqueio de rastreamento em apps (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

O rolo agora voltou à pauta, graças a uma denúncia feita por Samujjal Purkayastha, ex-Gerente de Produto do Meta, que abriu um processo em um tribunal trabalhista, alegando ter sido demitido por se opor à manobra de contornar as restrições da Apple, e a outra maracutaia de Zuck e cia., inflar o desempenho dos anúncios para enrolar anunciantes.

Sobre a coleta não autorizada de dados, Purkayasha diz que o Meta usou uma ferramenta chamada "matching determinístico", operada por "um grupo seleto e fechado" de profissionais; o profissional não deu muitos detalhes, mas disse em juízo que ela seria capaz de coletar informações identificáveis, e usá-las para cruzar dados entre múltiplas plataformas, o que seria uma flagrante violação da ATT em dispositivos Apple, já que a manobra contorna o bloqueio manual do usuário.

Sobre a segunda acusação, o ex-funcionário do Meta diz que os "Anúncios das Lojas" ("Shop Ads"), anúncios baseados em Inteligência Artificial (porque claro que tem que ter IA) criados em 2022 para ajudar quem administra lojas em seus perfis do Facebook e Instagram, também usados para identificar usuários, informavam números brutos de venda ao invés de líquidos; ele ignorava descontos como frete e impostos, um padrão que o Google Ads também espertamente emprega.

Uma apuração interna teria identificado uma discrepância de entre 17% e 19% para cima, que o Meta não só sabia, como não fez nada para corrigir o problema; Purkayastha diz que quando alertou seus superiores sobre o problema, acabou demitido.

Em nota, um porta-voz do Meta negou ambas as acusações, e disse que Purkayastha foi demitido por outros motivos. Uma audiência deve ser marcada até o fim de 2025, onde a acusação sobre a coleta indevida de dados de iGadgets, se comprovada, pode escalar para uma nova ação pública de usuários contra a companhia de Zuck.

Fonte: Financial Times

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