Emanuel Laguna 46 semanas atrás
Nesta quinta-feira (31/07), a Apple apresentou o relatório financeiro do terceiro trimestre fiscal de 2025 (Q3 FY 2025), período que correspondeu ao segundo trimestre civil de 2025, abrangendo os meses de abril a junho. É possível que o receio da subida dos preços por conta do tarifaço tenha feito alguns consumidores se anteciparem, comprando mais produtos da Maçã de Cupertino, especialmente em mercados como a Ásia.

Na Ásia, alguns consumidores podem ter se antecipado ao tarifaço do Trump (crédito: Reuters)
Vamos aos números globais:
| RELATÓRIO FINANCEIRO DA APPLE | |||
| Período → | Q3 FY 2024 (abril a junho) |
Q3 FY 2025 (abril a junho) |
Diferença |
| Receita | US$ 85,777 bilhões | US$ 94,036 bilhões | + 9,63% |
| Lucro | US$ 21,448 bilhões | US$ 23,434 bilhões | + 9,26% |
Esse panorama geral acima que a Apple acabou de divulgar nesta quinta (31/07) foram os principais dados financeiros nos três meses terminados em 28 de junho de 2025. O tio Laguna se pergunta quando a contabilidade da empresa vai incluir os dias ausentes para coincidir com o trimestre civil (eu sei).
Seja como for, com base nos números divulgados, podemos constatar que a Apple lucrou de facto uma média de 257,52 milhões de dólares diariamente nas 13 semanas que compõem o período divulgado, arrecadando de forma bruta algo em torno dos US$ 1,03 bilhão por dia.
É uma arrecadação diária 9,6% maior que a do período equivalente de 2024 graças ao lançamento dos novos MacBooks com Apple M4. Os novos notebooks da Maçã de Cupertino podem também ser em parte responsáveis pelos 9% de aumento do lucro no segundo trimestre civil de 2025, em relação ao do ano passado (Q3 FY 2024).
Quais os responsáveis por essa bela alta percentual na receita do terceiro trimestre fiscal da Apple?
Para tentarmos entender a composição desse mais de US$ 1 bilhão diário arrecadado, vejamos quanto cada linha principal de produtos da Apple arrecadou:
| SUMÁRIO DE RECEITAS DA APPLE | |||||
| Período → | Receita Q3 FY 2024 |
Receita Q3 FY 2025 |
diferença em relação a Q3 FY 2024 |
||
| iPhone | US$ 39,296 bilhões | US$ 44,582 bilhões | + 13,45% | ||
| Mac | US$ 7,009 bilhões | US$ 8,046 bilhões | + 14,79% | ||
| iPad | US$ 7,162 bilhões | US$ 6,581 bilhões | – 8,11% | ||
| vestíveis e acessórios | US$ 8,097 bilhões | US$ 7,404 bilhões | – 8,56% | ||
| assinaturas | US$ 24,213 bilhões | US$ 27,423 bilhões | + 13,26% | ||
| Receita | US$ 85,777 bilhões | US$ 94,036 bilhões | + 9,63% | ||
A Apple está comemorando 18 anos do primeiro iPhone com um dado bem relevante: desde 2007 já foram vendidos 3 bilhões de iPhones. No Q3 FY 2025, o iPhone respondeu por 47,41% da arrecadação global da Apple. E o segmento do smartphone em si teve alta de 13,45% em relação ao mesmo trimestre de 2024, portanto é um senhor crescimento anual que a empresa tem a comemorar.
As assinaturas têm crescido bem e representaram no Q3 FY 2025 o segundo maior segmento da Apple em arrecadação global, com 29,16% da arrecadação da Apple no período. E o segmento de assinaturas só não cresceu mais que o do smartphone por margem de erro: alta de 13,26% em relação ao Q3 FY 2024.
Embora não sejam os principais astros da arrecadação, os laptops da empresa conseguiram um expressivo crescimento de quase 15% na arrecadação do respectivo segmento graças à procura pelos novos modelos do MacBook com o processador Apple M4. Em termos percentuais, a divisão Mac foi a líder das altas.
A maior baixa percentual foi na divisão de vestíveis e acessórios, que compreende o Apple Watch, a linha Beats de fones de ouvido e carregadores. Talvez seja uma baixa normal devido à durabilidade de alguns, fora a concorrência de outros produtos similares.
Enquanto os iPads amargaram baixa na arrecadação trimestral em relação ao Q3 FY 2024, no geral a Apple pôde sorrir à toa. Especialmente na Ásia…
| RECEITAS DA APPLE NO MUNDO | |||||
| Período → | Receita Q3 FY 2024 |
Receita Q3 FY 2025 |
diferença em relação a Q3 FY 2024 |
participação global (Q3 FY 2025) |
|
| China continental | US$ 14,728 bilhões | US$ 15,369 bilhões | + 4,35% | 16,34% | |
| Japão | US$ 5,097 bilhões | US$ 5,782 bilhões | + 13,44% | 6,15% | |
| restante do continente | US$ 6,39 bilhões | US$ 7,673 bilhões | + 20,08% | 8,16% | |
| Ásia (total): | US$ 26,215 bilhões | US$ 28,824 bilhões | + 9,95% | 30,65% | |
| Europa | US$ 21,884 bilhões | US$ 24,014 bilhões | + 9,73% | 25,54% | |
| Américas | US$ 37,678 bilhões | US$ 41,198 bilhões | + 9,34% | 43,81% | |
| TOTAL: | US$ 85,777 bilhões | US$ 94,036 bilhões | + 9,63% | 100% | |
O tio Laguna sempre fez questão de manter o foco dos textos sobre a Maçã de Cupertino no mercado asiático pois tal região sempre vem detalhada nos relatórios financeiros da Apple. Desta vez, a China continental interrompeu uma senhora sequência de quedas trimestrais: a Apple cresceu US$ 641 milhões no País do Meio, representando leve alta de 4,35%.
Tal alta percentual foi eclipsada pelo crescimento na arrecadação em outros mercados asiáticos. Apenas no Japão, a arrecadação absoluta aumentou em US$ 685 milhões (mais de 13%) em relação ao Q3 FY 2024. No restante do Ásia, houve crescimento de US$ 1,28 bilhão nesse período que, em tese, seria relativamente fraco em vendas.
Na Europa, continente que basicamente impôs o USB-C nos novos iPhones, a Maçã de Cupertino arrecadou quase 10% em relação ao Q3 FY 2024, totalizando receita de US$ 24 bilhões entre abril e junho de 2025 (Q3 FY 2025). Isso representou alta absoluta de US$ 2,13 bilhões em relação à arrecadação europeia da Apple no segundo trimestre civil de 2024.
O maior mercado da Apple continua a ser o continente americano, com 43,8% de participação global na arrecadação do Q3 FY 2025. Ele teve crescimento de mais de 9% em relação ao período de abril a junho de 2024.
Falando em norte-americano, com relação às tarifas, na conferência da Apple aos acionistas ontem (31/07), foi dito que o tarifaço do Trump custou à Apple US$ 800 milhões no Q3 FY 2025. A Maçã de Cupertino se prepara para perder 1,1 bilhão de dólares no próximo trimestre, que encerrar-se-á em setembro (Q4 FY 2025).
Como a Maçã de US$ 3,032 trilhões não divulga mais dados de vendas unitárias de seus produtos, nem muito menos quanto eles estão vendendo em cada região do planeta, apenas podemos dizer que a Apple foi muito bem na Ásia graças ao iPhone, MacBooks e assinaturas. E apenas deduzindo pelos números de arrecadação apresentados.
Fontes: 9 to 5 Mac, Bloomberg, CNBC e Engadget.