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Apple cogitou serviço de nuvem para devs e IA

Projeto ACDC, de servidores com chips Silicon para devs e IA, faria da Apple uma concorrente direta de Amazon, Google, e Microsoft em nuvem

50 semanas atrás

A Apple teria cogitado entrar em um novo mercado, o de servidores em nuvem. De acordo com informações apuradas pelo site The Information, a maçã considerou seriamente oferecer seus processadores Silicon para desenvolvedores de apps, e principalmente, companhias e startups voltadas ao treinamento de modelos de Inteligência Artificial (IA).

A Apple teria planos de concorrer com serviços como Amazon Web Services (AWS), Microsoft Azure, Google Cloud Platform (GCP), e eventualmente, dominar o mercado.

Apple pretendia (ou ainda pretende) disponibilizar servidores na nuvem com chips Silicon, segundo a empresa, "mais eficientes" para o treinamento de IA (Crédito: Divulgação/Apple)

Apple pretendia (ou ainda pretende) disponibilizar servidores na nuvem com chips Silicon, segundo a empresa, "mais eficientes" para o treinamento de IA (Crédito: Divulgação/Apple)

Apple e servidores para IA

A ideia teria partido de Michael "Mike" Abbott, ex-VP da Nuvem da Apple, que saiu da companhia em 2023 para assumir o cargo de VP executivo de Software da General Motors (GM). Durante seu tempo na maçã, ele teria apresentado um projeto chamado ACDC (Apple Chips in Data Centers, e sim, a referência à banda AC/DC foi de propósito; Apple, afinal), para fornecer servidores em nuvem para desenvolvedores.

O serviço não seria nada diferente do AWS, GCP e Azure, mas contaria com a dita excelência dos chips Apple Silicon (séries M e A), desenvolvidos internamente e impressos pela TSMC, que equipam hoje todos os seus produtos; estes já são usados internamente para treinar seus próprios modelos do Apple Intelligence (AI), aliás.

Conforme os dados apurados, os executivos da maçã acreditavam que os chips Silicon podem ser usados em maior escala, de modo a estabelecer um serviço nuvem voltado especialmente para o treinamento de modelos generativos, mas também para o desenvolvimento de apps de software. Como diferencial, o ACDC seria mais eficiente.

A Apple tem plena confiança (com razão, convenhamos) de que seus processadores são mais potentes e mais energeticamente eficientes do que qualquer outra solução, mesmo as baseadas em ARM, providas por gigantes como Amazon, Google, e Microsoft, e para se destacar, ofereceria planos não só mais competentes, como também, e isso é um choque quando falamos da maçã... mais baratos.

Gerente sênior de Operações da Apple caminha entre servidores de datacenter no Arizona, EUA, em foto de 2018 (Crédito: Tom Tingle/The Republic)

Gerente sênior de Operações da Apple caminha entre servidores de datacenter no Arizona, EUA, em foto de 2018 (Crédito: Tom Tingle/The Republic)

Segundo a reportagem, executivos da Apple teriam citado que os chips Silicon "são eficientes em rodarem vários tipos de inferência, o que significa usar modelos pré-treinados de IA para interpretar novas informações", incluindo visão computacional como a usada pelo Vision Pro, seu (caro) headset de realidade mista.

O ACDC usaria os servidores dedicados ao Apple Intelligence, que respondem a solicitações internas (não as dos usuários), e seria posteriormente expandido ao time responsável pela Siri, o primeiro que realizou testes com texto para fala em IA; com o tempo, demais serviços como Apple Music e Fotos também seriam integrados, para melhorar suas capacidades principalmente em busca.

Posteriormente, o ACDC seria oferecido para desenvolvedores externos, mas através do time de relações já existente, inicialmente, para criar soluções dentro do Jardim Murado da Apple; ainda assim, havia a possibilidade de tornar o projeto aberto, para competir com Amazon e cia., e eventualmente dominar o mercado; lembre-se, Cupertino não entra em um novo ramo sem já estar minimamente preparada para assumir a dianteira, com suas "novas e revolucionárias" soluções.

No momento, o estado do ACDC segue desconhecido; com a saída de Abbott para a GM, planos e discussões teriam sido conduzidas internamente durante o primeiro semestre de 2024, mas não há informações de que algo concreto foi posto em movimento. É provável que o plano tenha sido "congelado", mas não descartado.

Isso porque a companhia precisa de novas formas para fazer dinheiro: o acordo com o Google para fazer do Search o motor de busca padrão em seus aparelhos, que lhe rendia mais de US$ 20 bilhões (~R$ 108,17 bilhões, cotação de 04/07/2025) todos os anos, foi considerado ilegal pela justiça dos Estados Unidos e deverá ser interrompido, pondo fim a uma das entradas de grana mais fáceis que a Apple tinha.

Fonte: The Information

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