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Google propõe tirar Search do iPad, mas mantê-lo no iPhone

EUA: DoJ quer proibir Google de manter Search como buscador padrão em iGadgets; gigante propõe sair do iPad, mas ficar no iPhone

1 ano e meio atrás

O Google não quer de jeito nenhum ser forçado a desfazer o acordo mantido com a Apple, em que paga bilhões de dólares todos os anos para que o Search seja o buscador padrão do Safari, em dispositivos da maçã. O negócio foi classificado como ilegal pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ), parte dos processos antitruste movidos contra a gigante das buscas.

É desejo do DoJ proibir o acordo por 10 anos, no que o Google argumenta ser uma decisão insensata, que prejudicaria seus negócios (como se não fosse essa a intenção), e agora apresentou sua contraproposta: reduzir o ban para apenas três anos, e flexibilizar a escolha em um dos principais dispositivos móveis de Cupertino, o iPhone ou o iPad, onde o Search continuaria sendo padrão no outro. Claro, todos sabemos qual das duas plataformas a empresa deseja manter.

Google paga alguns bilhões por ano para Search ser o buscador padrão em dispositivos da Apple; DoJ classificou acordo como ilegal (Crédito: The Walt Disney Company/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Google paga alguns bilhões por ano para Search ser o buscador padrão em dispositivos da Apple; DoJ classificou acordo como ilegal (Crédito: The Walt Disney Company/Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

Google não quer perder espaço no iPhone

O acordo do Google com a Apple é bem antigo, e envolvia originalmente o pagamento anual de aproximadamente US$ 1 bilhão, o que foi confirmado posteriormente, para que o Search fosse o buscador padrão no iPhone e iPad, tão logo os dispositivos saíssem das caixas. O negócio favorece a gigante das buscas, que ganha com a inércia do usuário médio, e garante a exibição e veiculação de anúncios, o real ganha-pão da empresa.

Para a Apple, o acordo rende bilhões de dólares fáceis todos os anos (Cupertino reajusta a fatura periodicamente), e mantém a excelência na Experiência de Uso™️ defendida com unhas e dentes para seus produtos, reconhecendo que o Search é o melhor buscador que existe. As empresas amigas e rivais usaram esse argumento no processo movido pelo DoJ, para defender a parceria.

O processo acusa o Google de usar seu poder corporativo para sufocar concorrentes (Microsoft Bing, DuckDuckGo, etc.), privando-os de competir igualmente tanto no iPhone, quanto no Android, onde Mountain View impõe o uso do Search como padrão às fabricantes parceiras, como a Samsung; o departamento também apontou o dedo para a Mozilla, também paga pela gigante para que seu motor seja o padrão no navegador Firefox.

Resumindo a história, a corte decidiu, e o Departamento de Justiça concordou, que os acordos são ilegais, fora que o Google está apanhando de todos os lados, acusada de efetivamente ser um monopólio. É desejo do DoJ e da FTC (Comissão Federal de Comércio) dividir a companhia, forçando-a a vender o Chrome, e talvez até mesmo o Android, restringir sua presença em anúncios e IA, e deixar de forçar o Search como buscador padrão; no caso específico envolvendo a Apple, o acordo seria proibido por 10 anos. A corte de

O Google, claro, não curtiu. A empresa diz que tal decisão prejudica seus negócios (insira o meme do Capitão Óbvio aqui), mas ela é legalmente requerida a apresentar uma contraproposta, o que ela fez agora.

iPhone com Busca do Google aberta no navegador Safari (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

iPhone com Busca do Google aberta no navegador Safari (Crédito: Ronaldo Gogoni/Meio Bit)

No documento (cuidado, PDF), o Google pede, de forma inacreditavelmente cínica, para que o DoJ reduza o banimento no acordo com a Apple de 10 para 3 anos, argumentando que o setor de tecnologia evolui muito rápido (o que é verdade), principalmente com o uso de IAs generativas para soluções de busca, o que a própria empresa está implementando, com o Gemini.

A defesa da gigante é de que ser proibida por uma década de endossar seu buscador como padrão nos dispositivos da Apple, significaria que ela perderia o domínio do setor, ao permitir que concorrentes apresentem ferramentas que o usuário, ao ser permitido (e educado a) trocar de buscador, possa escolher qual motor usar. O Google abomina tal cenário, mas a maçã também, sob o pretexto de permitir ferramentas que prejudiquem a excelência de sua Experiência de Uso™️.

O que o Google ignora, a intenção da Justiça dos EUA de punir a companhia, por suas práticas monopolistas.

A segunda proposta do Google, é flexibilizar apenas uma das duas plataformas móveis da Apple, permitindo a escolha do buscador no iPhone ou no iPad, enquanto o Search continuaria sendo o padrão no outro. Esta ideia tem seus próprios problemas, primeiro, a óbvia intenção de permanecer no iPhone, que já responde pela maior parte das veiculações de seus anúncios, e perder o iPad não seria um problema tão grande assim.

Segundo, isso geraria um problema para Cupertino, a granularidade em um dispositivo beneficiaria os motores de busca concorrentes, mas na possibilidade de o Search ser preterido em prol de outros na plataforma flexibilizada, esta teria uma Experiência de Uso™️ diferente daquela em que o Search continuaria como padrão, cenário esse que a Apple abomina.

O entendimento da Justiça norte-americana é de que o Google é um monopólio e deve ser punido por isso, porém, o presidente eleito Donald Trump, que voltará à Casa Branca, é contra o desmembramento, e embora tecnicamente não possa interferir nos processos, é bem possível que ele mexa alguns pauzinhos tão logo assuma o governo, se lembrarmos que a administração tanto do DoJ quanto da FTC vai mudar.

Fonte: 9to5Mac

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