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Fallout e os benefícios de uma boa adaptação

Para Phil Spencer, sucesso da série Fallout tornou o "mundo peculiar" da franquia acessível a um número maior de pessoas — e todos saíram ganhando

1 ano e meio atrás

Durante muitos anos os fãs sentiram calafrios só ao ouvir falar que um jogo seria transformado em filme. Com tantas adaptações sendo muito mal produzidas, esse temor era compreensível, mas recentemente o cenário começou a mudar. Hoje temos boas séries e longas-metragens que nasceram dos games e um dos projetos mais elogiados foi a Fallout, com o seu sucesso sendo comemorado pelos responsáveis pela propriedade intelectual.

Crédito: Divulgação/ Amazon Studios

Para quem tem acompanhado a franquia ao longo dos anos, a maneira como ela reproduz um mundo pós-apocalíptico devastado por uma guerra nuclear pode parecer normal, mas tente imaginar como poderia ser estranho “visitá-lo” pela primeira vez. Pip-Boys, seres mutantes, humanos com motivações questionáveis, uma pitada de humor... Abordar isso da maneira correta não é simples, mas o produtor Jonathan Nolan conseguiu e explicou como isso foi possível.

“Da perspectiva de um contador de histórias que vem para tentar adaptar, é meio que muito aberto. É similar com a nossa experiência com os filmes do Batman. Havia tantas versões do Batman, que você tinha um convite para dizer: ‘bem, você terá que criar o seu próprio.’... E com todas as escolhas extraordinárias nos jogos Fallout para nós, incluindo o fato que cada jogo da franquia tinha um cenário diferente, uma história diferente, um conjunto diferente de personagens e tudo se conectando uns aos outros. Para nós, esse mito maior foi uma oportunidade incrível para uma adaptação.”

Já quem partiu para o elogio à série foi o CEO da Microsoft Gaming, CEO Phil Spencer.  Durante uma entrevista ao site Variety, ele falou sobre a sinergia entre o pessoal da Amazon Studios e da Bethesda.

“Foi essencial no início ter essa confiança criativa para que as nossas equipes pudessem entender o que trouxeram para a equação em termos de mundo, cenário, um pouco de humor exagerado, mas também estarem dispostas a recuar e deixar a outro muito talentoso criador assumir as rédeas em uma mídia na qual não temos experiência,” disse. “Sempre que tentamos algo novo, deveríamos estar avançando no que esse mundo é. Uma coisa que eu realmente amei nesse programa de televisão é que ele tornou aquele mundo um tanto peculiar do Fallout mais acessível a mais pessoas.”

Crédito: Divulgação/ Amazon Studios

Pode parecer óbvio, mas o executivo ainda defendeu que quando uma adaptação é feita da maneira correta, isso ajuda a trazer mais pessoas para os videogames, o que consequentemente pode resultar em mais dinheiro para os cofres da empresa. “É importante entender o quanto isso vai promover os interesses de todos,” declarou.

Atualmente a Microsoft possui uma segunda temporada de Fallout em produção, bem como uma série inspirada em Grounded e outra animada do Gears of War, que também virará filme. Ainda no cinema, outra franquia deles que está sendo adaptada é a Minecraft.

Tudo isso pode indicar que a empresa está focada em levar suas marcas para outras mídias, mas não é bem o caso.

“Não precisamos fazer um programa de televisão ou filme para cada propriedade individual, então é melhor que seja algo que façamos com alguém em quem confiamos, com alguém que achamos que elevará a barra do que a franquia representa,” garantiu. “Em um grande resultado como esse, onde temos 100 milhões de pessoas assistindo ao programa, isso também torna o Fallout algo que importa para mais pessoas.”

Fallout

Crédito: Divulgação/ Amazon Studios

Contudo, algumas pessoas ainda se perguntam porque a Microsoft não aproveitou o lançamento da série para lançar mais um capítulo dos jogos. Após admitir que eles não tinham algo alinhado com a produção do Prime Video, Spencer disse como isso pode ter sido positivo.

“Na verdade, acho que isso nos deu alguma liberdade criativa que não teríamos se tentássemos coordenar a produção de dois processos criativos tão diferentes para pousar ao mesmo tempo,” justificou, alegando ainda que o Fallout 76 e o Fallout Shelter estavam aí, com atualizações constantes para as pessoas se divertirem enquanto assistiam à série.

A liberdade usada por Spencer como argumento se deve ao fato de a série canonicamente fazer parte do universo da franquia. Assim, seu enredo se passa após os eventos mostrados nos jogos, contando uma nova história e respeitando o que já conhecíamos daquele universo.

Fallout

Crédito: Divulgação/ Amazon Studios

Logo, para que isso fosse possível enquanto um novo jogo estivesse sendo produzido, seria necessária uma maior cooperação entre as equipes, o que poderia prejudicar os enredos e certamente dificultaria bastante o trabalho daquelas pessoas.

Para Phil Spencer, o melhor foi eles terem apostado no retorno a longo prazo, com o interesse das pessoas podendo ser voltado para os Jogos Como Serviço (Fallout 76 e Fallout Shelter) que eles possuem atualmente e com a(s) próxima(s) temporada(s) da série repercutindo até que um novo capítulo da franquia principal seja finalmente lançado.

O problema é que isso ainda parece muito longe de acontecer, já que segundo o chefe de desenvolvimento da Bethesda, Todd Howard, embora um Fallout 5 esteja nos planos da desenvolvedora, ele só deverá chegar (bem) depois do The Elder Scrolls VI, que, segundo previsões otimistas, poderá ser lançado em 2026.

Fallout: New Vegas (Crédito: Divulgação/Obsidian Entertainment)

Até lá, talvez eu decida dar uma nova chance ao Fallout 76 e principalmente, consiga arrumar um tempinho para fazer algo que há vários anos estou ensaiando, que é começar uma nova campanha no New Vegas. Assim pretendo finalmente conhecer melhor essa parte tão elogiada da franquia e matar um pouco da vontade deste universo.

Por mais que de vez em quando eu veja pessoas criticando o caminho que a série tomou após passar para o controle da Bethesda, adoro seu universo e o quão imersivo ele costuma ser. A maneira como precisamos tomar decisões a quase todo momento e os perigos que enfrentamos enquanto exploramos seus mundos, para mim, fazem valer qualquer problema que tais jogos apresentem — o que também pode ser estendido para eventuais críticas à série do Prime Video.

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