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Interpol lança Polícia do Metaverso contra crimes digitais

Interpol anuncia criação de ambiente virtual no Metaverso, para troca de informações entre agentes e ministrar cursos

27/10/2022 às 10:12

A Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) não está alheia à crescente onda de crimes digitais, mas sua nova abordagem para combatê-los é, no mínimo, curiosa: durante sua 90.ª Assembleia Geral, a organização anunciou a criação da primeira força policial dentro do Metaverso.

A meta é oferecer um ambiente virtual para agentes interagirem entre si, trocarem informações, realizarem cursos, e conduzir investigações livres dos limites físicos e geográficos, de forma mais interativa.

Sede da Interpol foi recriada dentro do Metaverso (Crédito: Divulgação/Interpol)

Sede da Interpol foi recriada dentro do Metaverso (Crédito: Divulgação/Interpol)

Na Assembleia Geral, realizada em Nova Deli, Índia, entre os dias 18 e 21 de outubro de 2022, a Interpol demonstrou o uso do Metaverso com headsets de Realidade Virtual (RV), apresentando uma recriação digital da sede da organização, que fica em Lyon, França. O ambiente incluía uma versão da área de segurança de um aeroporto, provavelmente para fins de treinamento (uma simulação bem ruinzinha, segundo fontes), e uma base da Polícia de Imigração.

A Interpol afirma que a entrada da agência no Metaverso veio da constatação óbvia: se há uma tecnologia, pessoas com intenções maliciosas a usarão para o mal. O número de crimes digitais hoje, em outras soluções, já bastante alto, tome como o exemplo as formas que meliantes exploram o PIX no Brasil, o que levantou inclusive discussões sobre se o serviço não deveria ser descontinuado.

A agência internacional anti-crime citou um relatório recente da Gartner, onde se espera que até 2026, 1 a cada 4 pessoas no mundo passarão pelo menos 1 hora no Metaverso, todos os dias; no entanto, o estudo já foi duramente criticado por ser absolutamente irreal, por dois motivos:

Primeiro, a Gartner ignorou o óbvio ululante, o custo elevado dos equipamentos de RV, obrigatórios para se acessar a plataforma, torna o Metaverso uma ferramenta inacessível para os mais pobres. Segundo, há uma resistência generalizada dos desenvolvedores em criar experiências, mesmo entre aqueles que, em tese, estão puxando o bonde.

Ainda assim, tanto a Interpol quanto o Fórum Econômico Mundial insistem que "o crescimento de golpes de engenharia social, extremismo violento, e desinformação" justificam o esforço em policiar o Metaverso, usando suas próprias ferramentas.

Citando seu relatório de tendências globais em crimes, a Interpol diz que muitas das infrações que ocorrem hoje em todo o mundo são virtuais, de ataques de hackers a golpes dos mais variados, fraude, falsificação, roubo de dados, corrupção de menores, assédio, agressão sexual, Revenge Pr0n, etc.

O próprio Meta reconheceu um relatório recente (cuidado, PDF), da ONG de advocacia e direitos humanos SumOfUs, que descreve o Horizon Worlds como palco de inúmeros casos de racismo, homofobia, e assédios moral e sexual, e está "trabalhando" para desenvolver ferramentas de moderação mais rígidas.

Por outro lado, é fato notório que a ação policial no combate a crimes é menos que o ideal em todo o mundo, e ainda pior quando estes são cometidos em ambientes virtuais, sejam eles games, transmissões ao vivo, ou experiências virtuais. A maioria dos especialistas acredita que a empreitada da Interpol serve apenas para mostrar que estão fazendo algo, sem fazer nada realmente concreto para combater a escalada de crimes digitais.

Mesmo agências federais mais bem preparadas, como o FBI, deixam muito a desejar na aplicação da lei em casos de fraude, hackers, etc., seja por falta de treinamento, recursos, verba, ou tudo isso junto. Até o momento, a Interpol não demonstrou nada realmente concreto para o combate a crimes na internet, a não ser uma base virtual criada para fornecer cursos e trocar informações, o que pode ser feito sem o uso de headsets RV.

A Interpol justifica sua presença no Metaverso como uma necessidade de estar onde o crime ocorre, para evitar o nada acontece feijoada, mas ainda é um tanto cedo para dizer se a ideia vai dar certo e renderá, ou se vai ser só um acessório para dizer que existe, mas não possui nenhuma relevância.

Fonte: ExtremeTech

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