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Quando um slime me mostrou o poder da nuvem

Dispensando a necessidade de termos um console, aproveitar jogos pela nuvem já se mostra uma opção financeira e tecnologicamente viável

9 semanas atrás

Para quem gosta de videogame, poucas coisas podem ser mais frustrantes do que querer jogar algo e descobrir que o título não estará disponível no console que possui. Recentemente isso aconteceu aqui em casa, enquanto meu filho aguardava ansiosamente pelo lançamento do Slime Rancher 2.

Jogos na nuvem

Crédito: Reprodução/macrovector/Freepik

Fã do antecessor, ele vivia falando sobre o que esperava do novo capítulo da série e o quanto estava empolgado pelo seu lançamento. Para a minha alegria, a criação da Monomi Park estar presente no serviço de assinatura da Microsoft me pouparia alguns reais, mas o que nós não nos demos conta é que, ao contrário do que aconteceu com o primeiro jogo, o segundo não teria versão para o Xbox One.

Foi só na véspera do lançamento que percebemos esse importante detalhe e como adquirir um Xbox Series estava fora de questão, só consegui pensar em duas opções. A primeira seria o moleque jogar no meu computador, mas como é a máquina em que trabalho, dependeria de o PC estar livre. Já a outra possibilidade surgiu na minha cabeça como algo que considerava um tanto radical, quase uma medida desesperada: encarar o tal Slime Rancher 2 pela nuvem, aproveitando o Xbox Cloud Gaming.

Embora eu tivesse ouvido alguns elogios sobre o serviço, devido aos muitos jogos que já estão na fila esperando para ser aproveitado nunca parei para testá-lo. Porém, mesmo sabendo do risco de frustrar meu filho (e posteriormente ter que ceder o PC), decidi que valia a pena dar uma chance a algo que prometia ser a solução para quem não quer investir na aquisição de um console.

Slime Rancher 2 e a nuvem: fazendo a alegria de uma criança (Crédito: Divulgação/Monomi Park)

Com o jogo liberado, ligamos o Xbox One X e acessar o jogo foi extremamente simples. Após encontrá-lo no catálogo do Game Pass, bastou clicar num ícone de uma nuvem e poucos segundos depois já estávamos no menu. Confesso que o que aconteceria a seguir me deixou um pouco surpreso.

Ao menos como espectador, a impressão era de que aquele jogo estava sendo executado localmente, com uma boa resolução e sem quedas nos frames. Como naquele momento eu tinha outras coisas para fazer, deixei ele aproveitando o tão aguardado jogo e passei a torcer para que a boa experiência inicial se mantivesse.

Conforme os dias foram passando e percebi que meu filho continuava dedicando algum tempo ao Slime Rancher 2, ficou claro que, por pior que fosse a experiência que o Xbox Cloud Gaming estivesse lhe proporcionando, para ele valia a pena. Ao lhe perguntar se o jogo estava rodando bem, ele sempre respondia positivamente e aquilo me convenceu de que eu deveria dar uma nova chance à tecnologia.

Jogos na nuvem: da gambiarra ao suporte oficial no Brasil

Menu inicial do OnLive (Crédito: Reprodução/Youtube)

A primeira vez que tive a oportunidade de experimentar um jogo pela nuvem foi há mais de 10 anos, com o OnLive. Embora o teste realizado naquela época tenha corrido relativamente bem, ele apresentava alguns atrasos nas respostas dos comandos, mas como o serviço não estava disponível por aqui, dada a enorme distância até os servidores nos Estados Unidos, considerei que o problema era compreensível.

Porém, no caso dos jogos por streaming da Microsoft essa não seria uma desculpa válida, mas eu precisava ver a real viabilidade do serviço, sentir que não havia um atraso nas respostas que comprometesse a experiência. Chegava a hora de ligar meu console da oitava geração e ver se, com a ajuda da nuvem, ele poderia "se passar" por um Xbox Series ou algo perto disso.

Para o primeiro teste resolvi subir bastante a barra e saí a procura do Halo Infinite. Por se tratar de um FPS, gênero que exige tanta precisão dos controles, uma má impressão deixada pelo Xbox Cloud Gaming poderia ter prejudicado toda a experiência, mas o que aconteceu foi justamente o contrário.

Assim como aconteceu enquanto via meu filho jogar algo que estava sendo executado há centenas de quilômetros da minha casa, ao estar no controle tive a mesma sensação de que a nova aventura do Master Chief estava rodando localmente. Se existe algum atraso nas respostas, confesso não ter percebido, com o jogo apresentando uma boa qualidade visual e sem queda na taxa de frames.

Mas eu precisava de mais provas de que jogar desta maneira não passava de uma alucinação e por isso abri o Serious Sam 4. Ao contrário do Halo Infinite, esse FPS não possui uma versão para o Xbox One, sendo outra boa chance de rodar no antigo console algo que só está disponível no seu sucessor.

Jogos na nuvem

Crédito: Reprodução/macrovector/Freepik

Após configurar os gráficos para o modo qualidade, iniciei a campanha e novamente tive uma boa resposta. Ali era possível ver alguma instabilidade nos frames, o que foi solucionado quando mudei para o modo desempenho. A partir daquele momento tudo ficou mais fluido e agradável.

Até por não haver a necessidade do download dos jogos e com o tempo de carregamento sendo muito baixo, comecei a pular de um título para outro, sempre com a impressão deixada sendo muito boa. Mas eu queria ver como um jogo de corrida se comportaria dessa maneira e o escolhido foi o Forza Horizon 5.

Porém, como eu já havia baixado a versão dele para o Xbox One, a opção de aproveitá-lo pela nuvem não aparecia. A solução foi remover o jogo do HD e assim que entrei na versão remota, que decepção! Com uma taxa de frames muito baixa e oscilando absurdamente, jogar daquela maneira seria impossível e ali comecei a achar que o Xbox Cloud Gaming não era tão bom quanto imaginava.

A minha primeira ideia foi abrir o menu para ver se existia uma opção que privilegiasse os frames e ela estava lá. Após me pedir para reiniciar o título, em poucos segundos eu estava de volta às ruas, com a diferença sendo gritante. O Forza Horizon 5 passou a rodar liso e exceto por um artefato na imagem aqui ou ali, foi mais um título que me passou a sensação de que era o meu videogame que estava o executando.

Substituto? Não, mas um belo complemento

O Xbox Cloud Gaming no navegador (Crédito: Reprodução/Dori Prata/Meio Bit)

Um dos maiores erros cometidos pelas empresas quando se trata de jogos na nuvem é vender a tecnologia como aquela que veio para substituir os consoles. Pode até ser que no futuro isso aconteça, mas por enquanto, continuo preferindo ter o jogo rodando localmente, com ele entregando o máximo possível de qualidade visual e sem dependermos de uma conexão com a internet.

No entanto, mesmo atualmente a ideia de jogos pela nuvem já se mostra viável, sendo uma ótima alternativa para quem não possui um console ou um computador de ponta. Durante boa parte do tempo, jogar assim não será muito diferente da maneira tradicional, bastando poucos minutos para esquecermos que a nossa máquina está apenas reproduzindo a imagem de algo rodando bem longe de nossas casas.

Para mim, a pergunta que devemos nos fazer aqui é: por mais que um jogo aproveitado dessa maneira não alcance a qualidade visual de um Xbox Series X, o que seria melhor, jogar assim ou nem poder jogar?

Há até mesmo o caso de termos acesso a uma versão visualmente melhorada de um jogo, como aconteceu comigo com o Aliens: Fireteam Elite. Quando o testei pela primeira vez no Xbox One X, o desempenho foi tão ruim que acabei desistindo de continuar. Depois até cogitei comprar sua versão para o PlayStation 5, mas se posso encarar a do Xbox Series graças a nuvem, por que gastar dinheiro em um título mediano?

Eu entendo que certos jogos podem não funcionar muito bem pela nuvem, especialmente os voltados para o multiplayer competitivo e existe ainda o problema de apenas parte do catálogo do Game Pass estar disponível assim. No entanto, exceto nesses casos e para as pessoas que gostam de espremer frames num computador ou que puderam investir alguns milhares de reais em um console, algo como o Xbox Cloud Gaming me parece uma excelente alternativa, sendo a sua facilitação de acesso aos games a sua principal qualidade.

Pode parecer contraditório o que direi, mas apesar da ótima experiência que tive com o Xbox Cloud Gaming, admito que ainda pretendo adquirir um Series X. Porém, enquanto isso não acontece, minha intenção é passar a aproveitar melhor essa ideia de jogos pela nuvem, um recurso a que tinha acesso e nem sabia que funcionava de maneira tão boa.

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