Meio Bit » Games » E neva sobre a cidade de Silent Hill

E neva sobre a cidade de Silent Hill

Apesar de muitos pensarem que, devido ao filme, ser cinza o que está caindo em Silent Hill, um dos criadores do jogo reafirmou se tratar de neve

22/07/2022 às 10:00

A franquia Silent Hill é fantástica, uma das melhores quando se trata de jogos de terror, mas talvez esteja nos fãs a sua principal qualidade. Navegar pelos sites e fóruns dedicados a ela é fazer uma fascinante viagem pelo mundo da criatividade, com inúmeras teorias e especulações sendo criada por aqueles que amam aquela cidade amaldiçoada.

O problema é que algumas dessas possibilidades acabaram se espalhando como sendo oficiais, fazendo com que alguns interpretassem de maneira equivocada aquilo que os criadores quiseram apresentar.

Silent Hill

Crédito: Reprodução/方圆 高/Artstation

Entre essas teorias está a de que os detritos brancos que caem sobre Silent Hill seriam cinzas e não neve. Embora esse equívoco não fosse tão comum nos primeiros jogos, ele ganhou força a partir de 2006, quando vimos o lançamento de Terror em Silent Hill. Apesar de ser baseado na franquia da Konami, o filme tomou algumas liberdades para a construção da história e entre elas estava a origem da cidade.

Segundo o roteirista Roger Avary, a fonte de inspiração para a Silent Hill do filme foi a cidade de Centralia, Pensilvânia, que desde o século XVII arde em um incêndio incontrolável. E assim como no mundo real, o local visto no longa-metragem de Christophe Gans também está sobre uma mina de carvão em chamas, com o fogo que a atinge enchendo o ar com cinzas.

Assim, com o tempo algumas pessoas a tratar como se o mesmo valesse para os jogos, mas 23 anos após o lançamento do título que deu início à franquia, uma das mentes por trás da obra ainda tenta acabar com esse erro. Usando sua conta no Twitter, Masahiro Ito relevou estar cansado de repetir isso, mas “os pontos brancos no céu do jogo não são cinzas.” Ele então compartilhou uma imagem do Silent Hill em que podemos ver um personagem dizendo para outro que “está nevando lá fora”.

Crédito: Reprodução/Masahiro Ito/Konami

Tendo sido o responsável pelos monstros e cenários do primeiro jogo, Ito depois assumiria o cargo de diretor de arte nas duas continuações, sendo considerado um dos nomes mais importantes da série. Ainda pelo Twitter, ele fez questão de esclarecer o assunto:

“Muitas pessoas ainda afirmam que a cidade do SH1 (não do filme, mas do jogo) foi inspirada em Centralia e elas se gabam de que sua crença pessoal é cânone,” afirmou o artista. “Elas persistentemente me questionam sobre a inspiração. Esta é a razão do tweet anterior. Eu apenas tuitei a verdade.”

Ao longo dos anos Ito tem procurado desmistificar alguns assuntos relacionados ao jogo, como a cena do Pyramid head com dois manequins no Silent Hill 2. Segundo ele, aquela não foi uma alusão a um estupro, com o monstro representando os conflitos na mente do protagonista.

O curioso é que mesmo com Ito batendo nestas teclas há bastante tempo, algumas pessoas continuam teimando, argumentando com um dos principais profissionais do projeto, dizendo que ele está equivocado e que aquilo que cai sobre a cidade são cinzas.

Mas sejamos sinceros. Numa época em que alguns se acham no direito de questionar o autor de uma obra sobre a sua real intenção ou se indignam por alguém como o Roger Waters se posicionar politicamente em seus shows, nem chega a surpreender quererem “corrigir” um dos criadores do Silent Hill.

Mesmo assim, caso alguém ainda considere que a palavra de Masahiro Ito não é confiável o bastante, podemos pegar uma declaração do diretor do primeiro jogo, Keiichiro Toyama. Ao conceder uma entrevista à PlayStation Magazine em 1999, ele foi questionado sobre porque escolheu uma cidade pequena dos Estados Unidos para ambientar a história, quando disse o seguinte:

“[...] Nesse jogo, a atmosfera de romance de terror moderno foi o gancho, então decidimos escolher uma pequena cidade dos Estados Unidos para a ambientação. É claro, Silent Hill realmente não existe e nós não alocamos um determinado lugar ou período no jogo. Nós deliberadamente não usamos um lugar real, pois poderia causar inconsistência com a coisa real. Contudo, com o nome Silent Hill recebemos uma dica de um lugar real no Japão.”

Crédito: Reprodução/Daniel Danger

Ou seja, enquanto algumas pessoas preferem acreditar naquilo que as convém e ignorar que existiram quatro jogos antes do filme de Gans chegar aos cinemas, aqueles que trabalharam na criação deste fantástico universo continuarão tendo que explicar que existe diferenças entre as mídias.

No fundo, essa é uma confusão relativamente inofensiva, mas que mostra a arrogância de algumas pessoas que se dizem fãs da obra. Infelizmente esse é um problema que parece longe do fim, mas não custa deixar a dica: quando um autor falar sobre o seu trabalho, faça a coisa certa, escute e não tente lhe convencer de que o sujeito não sabe do que está falando.

Fonte: Destructoid

Leia mais sobre: , .

relacionados


Comentários