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Amazon contrata 83 lançamentos em foguetes que nunca voaram

A Amazon está investindo pesado em seu serviço de internet via satélite e agora contratou 83 lançamentos de uma vez

18 semanas atrás

A Amazon é uma potência em um monte de áreas, de vendas online a serviços de nuvem. Basicamente boa parte da Internet roda em servidores da Amazon Web Services, mas Jeff Bezos quer mais, e resolveu investir em acesso internet via satélite, e por investir digo investir pesado.

Há uma imensa quantidade de otimismo nessa imagem. (Crédito: Amazon)

O Projeto Kuiper da Amazon planeja colocar em órbita 3236 satélites, em uma altitude entre 590 e 630 km. Esses satélites fornecerão acesso internet rápido, com baixa latência e alta velocidade (por volta de 400 Mbps) para dezenas de milhões de pessoas, no mundo inteiro.

Sim, é o mais direto concorrente do sistema Starlink, da SpaceX, e a Amazon vai gastar mais de US$10 bilhões para compensar os anos de atraso que tem da concorrente.

Anunciado em 2019, o Sistema Kuiper pegou muita gente de surpresa, e por muito tempo a Amazon fez muito pouco além de fazer queixa contra a SpaceX e a OneWeb, reclamando dos concorrentes. Agora, anunciaram o maior contrato de lançamentos espaciais de todos os tempos.

Além de construir os satélites, é preciso mandá-los para o espaço sem que isso detone seu bolso, e lançamentos tradicionalmente custam muito caro. A única coisa que tornou o Starlink um projeto viável, foi a SpaceX ter desenvolvido foguetes reutilizáveis e reduzir muito os custos dos lançamentos.

Em teoria a Amazon teria a mesma vantagem, afinal a Blue Origin, também de Jeff Bezos, é “de casa”, e faria um precinho pra lá de camarada, mas há um pequeno problema: A Blue Origin nunca colocou nem uma mariola em órbita. Ela vai levar anos até se estabelecer como uma lançadora confiável, por isso a Amazon resolveu diversificar, contratando 18 lançamentos com o Ariane 6, da Arianespace, 38 lançamentos do Vulcan, da United Launch Alliance, e 12 lançamentos do New Glenn, da Blue Origin.

Eles já contrataram nove lançamentos do Atlas V, também da ULA.

Não foram divulgados valores, mas foi caro.

O Ariane 6 é um foguete bem caro, o Vulcan idem, visto que ambos são descartáveis. O único reutilizável é o New Glenn, mas todos compartilham de uma mesma característica: nenhum saiu do chão ainda. O Ariane 6 deve fazer seu primeiro voo no final de 2022, o custo projetado é de US$100 milhões por lançamento.

Ariane 6. Um dia. (Crédito: Agência Espacial Europeia)

O Vulcan, da United Launch Alliance é a nova geração de lançadores da empresa. Com capacidade de colocar 27 toneladas em órbita baixa, ele é um monstro, e está sendo feito com bastante esmero, a ULA faz uns foguetinhos bem arretados, infelizmente bem caros. Um lançamento do Vulcan pode custar até US$200 milhões.

Ele deveria ter voado em 2021, mas há um pequeno problema: ao contrário daquele carro naquela famosa fanfic evangélica, o Vulcan não funciona sem motor, e os motores BE-4, movidos a Metano e Oxigênio líquido, estão ANOS atrasados. O Vulcan não pode lançar nada da Amazon sem motores, e eles não saem da fábrica.

A fábrica, infelizmente, é a Blue Origin, que para piorar também usa o BE-4 no New Glenn, seu extremamente ambicioso foguete reutilizável. Em teoria ele pode colocar 45 toneladas em órbita baixa, voltar e pousar em um navio, que ainda está sendo modificado para isso.

Mockup do New Glenn sendo transportado. Não é o foguete de verdade. (Crédito: Sue Origin)

Na prática, até agora a Blue Origin só mostrou um mock up do foguete, que deveria ter voado pela primeira vez em 2020, mas juram voará no final de 2022.

Há poucas dúvidas que o Ariane 6 funcionará muito bem, e caso os motores apareçam, o Vulcan terá uma longa e produtiva carreira, em último caso há até cenários de fim-do-mundo onde o Vulcan migraria para os motores Raptor da SpaceX, não que isso vá acontecer.

Testes do BE-4.

Esse investimento da Amazon, com 83 lançamentos, mexerá com a estrutura das empresas contratadas. A ULA tem capacidade de um lançamento por mês, agora irá reformar uma plataforma no Centro Espacial Kennedy para dobrar a capacidade. A Arianespace também terá que aumentar sua cadência. A Blue Origin, essa terá que lançar pelo menos alguma coisa em algum momento.

A Amazon está apostando tudo no Kuiper, e confiando completamente no sucesso de três foguetes que a rigor ainda não existem, mas pelo visto isso já faz parte do DNA da empresa.

O lançamento contratado para colocar em órbita os dois primeiros protótipos dos satélites do sistema Kuiper está programado também para o final de 2022. Eles subirão em um foguete RS-1, que você nunca ouviu falar. É um projeto da ABL Space Systems, uma startup criada por dois ex-funcionários da SpaceX.

Eles testaram um motor em 2019, em 2020 testaram um segundo estágio e em janeiro 2022 um segundo teste desses terminou em uma bela explosão, mas eles juram que até o fim do ano o bicho sobe.

A única empresa realmente fora do pacote da Amazon (trocadilho proposital) é a SpaceX, a decisão é totalmente política, claro. O custo seria muito mais baixo, mas o orgulho de Jeff Bezos falou mais alto, ao contrário da OneWeb, que após perder seus lançamentos programados com os russos, correu para a SpaceX sendo recebida de braços abertos, mesmo sendo concorrência.

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