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Sujeito prevenido desenvolve sistema operacional para o mundo pós-apocalíptico

Em um mundo pós-apocalíptico haverá espaço para computação? Um sujeito acha que sim e criou um sistema operacional para rodar nos hardwares mais simples

14/11/2019 às 19:15

Meio fora de moda hoje em dia (ao menos no cinema, não estou falando da Greta) a ideia de um mundo pós-apocalíptico já foi uma certeza e era presença diária em cinema e televisão por boa parte dos Anos 80 e 90.

O mundo pós-apocalíptico de Ark II

Em Ark II o mundo pós-apocalíptico envolvia macacos falantes. Mas também japinhas e tudo fica melhor com japinhas

As opções eram muitas, mas o apocalipse nuclear era o mais popular, com muita gente tendo a certeza de que era inevitável um conflito entre as grandes potências e o inevitável fim do mundo que se seguiria. A ideia de viver em um mundo pós-apocalíptico não era muito atraente, mas a alternativa era pior, daí surgiram os preppers, aqueles malucos que constroem abrigos nucleares, estocam armas e comida e planejam para o apocalipse.

Uma coisa que pouca gente falava nos filmes e séries era no armazenamento de informação, e a realidade é que hoje em dia nosso conhecimento corre muito mais risco do que antigamente. A Pedra da Roseta está aí até hoje, agora pergunte se os disquetes de 51/4 na minha estante ainda funcionam.

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Nossos dados saíram de pedra para papel, plástico e hoje existem apenas como elétrons em memórias flash, partículas magnéticas alinhadas em fitas ou microscópicos furos em uma fina camada de material metalizado em discos de plástico. Dependemos de muita tecnologia para acessar esses dados.

A expectativa de que nossos computadores sobrevivem 200, 300 anos de abandono é zero, e construir um PC do zero está além das capacidades da maioria dos engenheiros, mas um sujeito chamado Virgil Dupras tem uma ideia: ele criou um sistema operacional chamado Collapse OS, disponível no GitHub, e ele roda primariamente nisto aqui:

É um Z80, o venerável microprocessador da Zilog lançado em 1976 e usado por centenas, talvez milhares de microcomputadores diferentes, do Amstrad ao MSX, do MC1000 ao ZX Spectrum. Originalmente seu clock era de 2.5MHz, com oito bits de barramento de dados e 16 bits de endereçamento de memória, conseguindo acessar impressionantes 65536 bytes, ou 64Kb (256 *256).

Ele ainda hoje é usado em sistemas embarcados, sensoreamento, protótipos e até em bafômetros. É um chip robusto, confiável, simples de interfacear e que não precisa de um monte de hardware exótico para funcionar.

Segundo seu criador, o Collapse OS usa o Z80 por ser um chip que pode ser facilmente canibalizado de um equipamento abandonado como sucata, removido com facilidade (não é um maldito SMD – Surface Mount Device) e reutilizado.

Um dos objetivos do projeto é fornecer um conjunto de ferramentas e um sistema operacional que funcione em hardware improvisado, com vários meios de I/O disponíveis, e que como todo sistema operacional de verdade, seja capaz de compilar uma cópia de si mesmo.

Se quiser ver o bicho em ação você não precisa esperar o apocalipse (até porque dizem que o Idris Elba cancelou) neste link aqui há uma série de emuladores rodando no navegador, emulando máquinas com 16KB de ROM e 48KB de RAM, com direito até a um interpretador BASIC. Sim, a gente fazia milagres com essas maquininhas.

Vai dar certo? Sinceramente acho que não, em um mundo pós-apocalíptico, repleto de zumbis radioativos a gente vai estar mais preocupado em não ser comido do que em rodar joguinhos ou passar seis meses pra interfacear um HD SATA com um computador feito nas coxas.

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