Home » Ciência » Google coleta dados médicos de milhões de pacientes dos EUA

Google coleta dados médicos de milhões de pacientes dos EUA

Google e Ascension tocam projeto que coleta dados médicos de pacientes (que não foram avisados) para criar sistemas de atendimento mais precisos

13/11/2019 às 9:50

Outro dia, outra vez o Google pego fazendo coisa feia: de acordo com o The Wall Street Journal, a companhia opera desde 2018 um projeto em parceria com um sistema de saúde dos Estados Unidos, de modo a coletar dados diversos de todos os pacientes cadastrados, em torno de 2,1 milhões.

Embora ambas jurem não se tratar de um caso de venda de dados para anúncios, os cidadãos não foram avisados da coleta de informações.

Aly Song / Logo do Google na sede da empresa, em Mountain View / Reuters

O programa, chamado Project Nightingale (uma referência a Florence Nightingale, patrona tanto da Enfermagem moderna quanto da Estatística) é uma parceria entre o Google e a Ascension, o maior sistema de saúde sem fins lucrativos dos Estados Unidos, presente em 23 estados e em Washington D.C. Fundado nos EUA, em 1999, e ligado diretamente à Igreja Católica, ele é hoje o maior programa de saúde pública mantido pelo Vaticano, com cerca de 2,1 milhões de pacientes e 2,6 mil hospitais em todo o país.

Segundo fontes, o Project Nightingale teve início no fim de 2018, como uma iniciativa de mão dupla: o Google coletaria os dados para refinar serviços próprios de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina, como forma de sugerir tratamentos mais precisos aos pacientes, da mesma forma que o IBM Watson já faz. A Ascension, por sua vez, seria beneficiada com o acesso a um sistema de atendido melhor e mais preciso, que lhe permitiria em última análise salvar mais vidas.

O Google não estaria cobrando um centavo para realizar todo o trabalho, mas para azar dele e da Ascension, os milhões de pacientes do sistema de saúde não foram informados de que seus dados médicos estavam sendo coletados, que vão de registros de internação, exames laboratoriais e diagnósticos a até mesmo nomes e data de nascimento, dados muito sensíveis e desnecessários para treinar o Project Nightingale.

Google / coleta de dados

Segundo fontes, cerca de 150 funcionários do Google tiveram acesso à base de dados. Colaboradores da Ascension teriam questionado a instituição quanto à prática e, como resposta, o projeto estaria protegido pela Lei HIPAA (em português, Portabilidade e Responsabilidade de Seguros de Saúde), onde hospitais são autorizados a compartilhar dados com parceiros comerciais "com fins de ajudar instituições a apimorar suas operações de cuidados". Sob esta lei e nesse cenário, os pacientes não precisam ser informados da coleta.

Por mais que o Google não esteja fazendo nada ilegal, pega mal para a empresa (e para a Ascension) não informar os pacientes de que seus dados médicos estão sendo coletados e analisados por um IA, mesmo que para posterior benefício deles; não ajuda também o Project Nightingale acessar informações sensíveis, enquanto a notícia vem à tona dias após o anúncio de compra da Fitbit. Com ela, o Google terá acesso a diversos dados de saúde dos usuários das pulseiras inteligentes.

Sim, saúde é negócio, hoje mais do que nunca, mas considerando que a imagem do Google não anda boa nos EUA e está muito pior na Europa, ser burocrático ao lidar com dados tão sensíveis (e coletar mais do que o acordado) só queima ainda mais o seu filme junto às autoridades.

Com informações: The Wall Street Journal

relacionados


Comentários