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River City Girls — Review

River City Girls é o novo título da franquia que criou o beat 'em up, que traz novos elementos, belos gráficos e excelente trilha sonora

16/09/2019 às 9:30

River City Girls é o mais novo capítulo da franquia River City (no Japão, Kunio-kun), a que inaugurou o gênero beat 'em up em 1986 com o clássico Renegade. Desta vez, a ação fica por conta de Misako e Kyoko, que vão revirar a cidade de pernas para ar em busca dos seus namorados raptados, uma mera desculpa para socarem tudo e todos pelo caminho, sempre com bom humor.

O resultado é um jogo com belos gráficos e ótima trilha sonora, que segue a fórmula da franquia mas possui seu próprio toque original.

WayForward / River City Girls

Garotas de Sangue Quente

A trama de River City Girls remete ao clássico River City Ransom: enquanto Misako e Kyoko amargam mais uma visita à detenção, elas recebem uma mensagem revelando que seus namorados, Kunio e Riki (respectivamente Alex e Ryan, na localização do jogo original) foram raptados. Elas então decidem fugir da escola e vasculhar a cidade em busca de respostas sobre o paredeiro deles, da única forma que elas (e todo mundo em River City) sabem: na base da porrada.

Misako e Kyoko não são exatamente novatas na franquia: a primeira fez sua estreia em Nekketsu Kōkō Dodgeball Bu: Soccer Hen para Famicom e PC Engine (removida na localização Nintendo World Cup do NES), enquanto a segunda surgiu em Shin Nekketsu Kōha: Kunio-tachi no Banka para Super Famicom (não lançado no ocidente), distribuindo sopapos ao lado de Misako, Kunio e Riki.

WayForward / River City Girls

Como River City Ransom e outros jogos ligados à sub-franquia, River City Girls é um beat 'em up com elementos de RPG, onde você pode acumular dinheiro para comprar coisas variadas nas diversas lojas espalhadas pela cidade; há desde equipamentos que aumentam seus status ou reforçam suas armas, às clássicas refeições para recuperar energia (você pode comer na hora ou guardar no inventário).

Há também os dojos, que vendem técnicas novas para as garotas, sendo que cada uma possui seu próprio repertório de golpes: Misako derruba os adversários de pronto, enquanto Kyoko possui maior variedade de combos. Você pode evoluir ambas, escolhendo com qual jogar quando carregar novamente um save.

Em River City, tudo se resolve na porrada

O cuidado com o jogo por parte da WayForward, já conhecida por seus títulos de qualidade (franquia Shantae, DuckTales Remastered e claro, Double Dragon Neon) vai desde os gráficos, uma bela pixel art colorida e bem expressiva, importante para manter a veia cômica, à jogabilidade sólida e alto desafio, já característico da série.

WayForward / River City Girls

Não deixe mini Misako nervosa!

A apresentação do jogo em geral é muito bonita, indo desde as introduções animadas dos chefes às cutscenes, exibidas como páginas de um mangá, que foram feitas à mão e digitalizadas para o jogo. A trilha sonora é outro desbunde, faixas em synthwave de qualidade compostas (e algumas cantadas) por Megan McDuffee, além de participações de outros artistas.

A jogabilidade é simples como tem que ser, com dois botões de ataque, sendo um fraco e um forte, um para pulo, dois toques para correr, etc. Algumas novidades, entretanto são interessantes, como por exemplo o sistema de recrutar aliados. Em determinados momentos, um inimigo vai pedir perdão ao jogador e você pode trazê-lo para o seu lado.

O capanga amigo age como o "Striker" de alguns jogos de luta: ao apertar um botão ele surge na tela, faz uma ação e vai embora, mas nesse meio tempo pode ser atingido por um inimigo e perder uma "vida", de um total de três ou quatro, dependendo do personagem. Como há vários inimigos recrutáveis e um menu que relaciona quais faltam, o sistema é basicamente o "temos que pegar todos" de Pokémon; no entanto, você só pode usar um aliado por vez.

WayForward / River City Girls

Em combate qualquer coisa pode ser usada como arma, desde os clássicos tacos de basebol a ioiôs, bolas de vôlei, peixes e até inimigos caídos, o que ajuda a manter o tom cômico e exagerado da história. Em alguns momentos, a tela será "trancada" e você só poderá avançar ao eliminar todos os oponentes.

Os chefes são outro destaque, todos são introduzidos por animações e diálogos, com figurinhas carimbadas da franquia e alguns novatos. Há diversas referências espalhadas por River City Girls, de outros jogos da série a Double Dragon, incluindo aparições dos irmãos Lee, Marian e outros, além de referências a outros jogos, de Mario ao quase desconhecido The Combatribes.

Ainda sobre os elementos de RPG, alguns personagens oferecem missões onde você deve ir a determinados pontos do mapa, o que rende recompensas como dinheiro, experiência e itens. A exploração é livre e é possível revisitar qualquer região quando quiser, tanto a pé quanto de ônibus.

WayForward

Marian não vai mais levar desaforo para casa, nem socos no estômago

Na parte do replay, há um modo New Game+ que abre após encerrar a campanha normal (não esqueça de enfrentar o chefe final secreto), com mais personagens disponíveis e um nível de dificuldade adicional aos dois iniciais, sem falar que River City é uma cidade bem grande e há muito o que explorar. Para quem tem mania de fazer a conta preço vs. tempo de jogo, você tem mais de 15 horas de porradaria desenfreada até alcançar os 100%.

Claro que nem tudo é perfeito: um problema um tanto chato é o fato que o botão de ataque fraco é o mesmo para mudar de tela, dessa forma, entrar em um confronto perto da borda pode acabar fazendo com que você mude de área acidentalmente. Isso acontece mais vezes do que deveria, forçando o jogador a se afastar da entrada de uma área, o que nem sempre é possível e acabe expondo-o a uma surra desnecessária.

O outro é a falta do co-op online. Por mais que muita gente defenda que um beat 'em up à moda antiga deve ser apreciado como tal, com os amigos na sala de estar, eu preferia ter a opção de chamar alguém pela rede, inclusive pessoas que moram muito longe e que curtem esse estilo de jogo, para limparmos a escória da cidade a dois. Enfim, paciência.

WayForward

BARF! (ou melhor, Conclusão)

Com River City Girls, a WayForward criou um jogo que respeita o material original e acrescenta novos elementos, mantendo o humor cômico da franquia e massagenando o coração nostálgico do jogador mais velho, enquanto oferece um desafio alto como todo beat 'em up que se preze.

A combinação visual, sonora e de jogabilidade fazem deste jogo um dos melhores de seu gênero desde Scott Pilgrim vs. the World: The Game, um jogo que também bebeu direto da fonte de River City Ransom; o sistema de recrutamento é bem legal e embora um co-op online fosse uma opção a mais, a diversão local com a galera está garantida.

Dessa forma, River City Girls serve como um excelente aquecimento para Streets of Rage 4, que chega em 2020.

River City Girls — Ficha Técnica

  • Plataformas — PS4, Xbox OneNintendo Switch e Windows via Steam (análise baseada na versão para Windows);
  • Desenvolvedoras — WayForward;
  • Distribuidoras — Arc System Works e WayForward;
  • Preço — R$ 130,90 para PS4, R$ 112,45 para Xbox One, US$ 29,99 para Nintendo Switch e R$ 57,99 para Windows;
  • Classificação Indicativa — 10 anos.

Pontos Fortes

  • Belos gráficos, que destacam a veia cômica do jogo;
  • Trilha sonora de primeira qualidade;
  • Bom equilíbrio entre elementos clássicos da série e novos recursos;
  • Muito humor e referências a rodo, com participações especiais.

Pontos Fracos

  • O botão de mudar de tela podia ser outro que não o de ataque;
  • Ter co-op online seria uma boa.

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